As cidades com projetos de energia limpa no Espírito Santo estão em estágios diferentes: Presidente Kennedy já tem usinas solares, Aracruz usa biomassa na indústria e Cariacica prepara a injeção de biometano na rede. Outras aparecem em estudos que ainda não viraram operação.
Atualizado em 28 de julho de 2026Mapa das cidades com projetos de energia limpa
| Cidade ou região | Projeto | Fonte energética | Status em julho de 2026 | O que está comprovado |
|---|---|---|---|---|
| Presidente Kennedy | Apolo e Terra do Sol Nascente | Solar fotovoltaica | Operação confirmada | Duas usinas que somam 9,8 MWp segundo anúncio estadual de setembro de 2025. |
| Aracruz | Caldeira de biomassa da Suzano | Biomassa industrial | Entregue em 2025 | Investimento informado de R$ 520 milhões e capacidade de até 120 t de vapor por hora. |
| Cariacica | Usina de biometano da Marca Ambiental e conexão à ES Gás | Biometano de resíduos | Implantação | Projeto e conexão divulgados; operação comercial ainda precisa de confirmação pública. |
| Linhares | Usina solar industrial Brametal–EDP | Solar fotovoltaica | Operação confirmada | Planta inaugurada em 2020 para atendimento industrial. |
| Cachoeiro de Itapemirim | PPP de usina solar para prédios públicos | Solar fotovoltaica | Estruturação | Estudo de parceria anunciado em 2024; entrega ou operação não confirmadas. |
| Grande Vitória | Proposta de hub de hidrogênio de baixo carbono | Hidrogênio verde e derivados | Estratégia | Mapeamento e agenda estadual; sem local, capacidade ou decisão final divulgados. |
Presidente Kennedy: duas usinas solares em operação
Apolo e Terra do Sol Nascente
Em setembro de 2025, o Governo do Espírito Santo informou que o município já contava com duas usinas fotovoltaicas. Apolo tem 2,8 MWp e Terra do Sol Nascente, 7 MWp, totalizando 9,8 MWp. A estimativa oficial é de geração média equivalente ao consumo de cerca de 9 mil residências.
A comparação com casas é uma estimativa de comunicação e varia conforme consumo e geração. O dado técnico mais seguro é a potência. A fonte estadual sobre as usinas de Presidente Kennedy também registra apoio financeiro do Bandes por meio do Fundesul e cerca de 80 empregos gerados durante a implantação.
O município é associado ao petróleo e às termelétricas planejadas, mas esses projetos não mudam a natureza das duas usinas solares. Uma mesma cidade pode reunir fontes renováveis e fósseis; o correto é classificar cada empreendimento.
Aracruz: biomassa na indústria de celulose
Nova caldeira de biomassa da Suzano
Aracruz concentra um dos maiores complexos de celulose do país. Em novembro de 2025, a Suzano anunciou a entrega de uma nova fábrica de papel tissue e de uma caldeira de biomassa. O pacote total foi informado em R$ 1,17 bilhão, dos quais R$ 520 milhões correspondem à caldeira, com capacidade de gerar até 120 toneladas de vapor por hora.
A divulgação da Suzano sobre o investimento em Aracruz apresenta a biomassa como substituta de fontes fósseis no processo. Para avaliar o ganho ambiental, é necessário acompanhar origem do combustível, eficiência, emissões locais e redução efetivamente medida.
A indústria de celulose capixaba também gera eletricidade com licor negro, subproduto do processo. Em 2024, essa fonte respondeu por 944,9 mil MWh no estado. Ela é relevante para a matriz industrial, embora não apareça ao consumidor como um parque solar aberto à visitação.
Cariacica: lixo pode virar gás renovável
Biometano da Marca Ambiental
O aterro sanitário produz biogás pela decomposição de resíduos. Depois de purificado até os padrões regulatórios, esse gás pode se tornar biometano e substituir gás natural fóssil em parte dos usos. O projeto da Marca Ambiental foi apresentado como a primeira usina capixaba voltada ao uso industrial e residencial por meio da rede.
O investimento divulgado foi de aproximadamente R$ 70 milhões na planta, além de R$ 5 milhões da ES Gás na conexão. Em 2025, a Energisa descreveu a iniciativa como uma nova etapa de chegada do biometano à rede, mas também indicou implantação. Sem anúncio regulatório ou operacional posterior localizado, o status prudente é “implantação ou comissionamento”, não produção comercial consolidada.
A atualização da Energisa sobre o projeto de biometano explica a conexão planejada. Os próximos indicadores devem ser data de início, volume diário, percentual injetado na rede e certificação de origem.
Iluminação solar em Piranema
Em 2025, a EDP informou ter instalado 50 postes solares feitos com material reciclado na comunidade de Piranema. É uma intervenção local de iluminação e inclusão, não uma usina que abastece o município. Entrou neste guia como exemplo de aplicação distribuída, sem ser somada à potência de grandes projetos.
Linhares: geração solar para uma indústria
Planta fotovoltaica Brametal–EDP
Em 2020, uma usina solar foi inaugurada para atender a unidade industrial da Brametal em Linhares. Por ser uma entrega antiga, o dado não deve aparecer como “novidade de 2026”; sua relevância está em mostrar uma aplicação operacional de geração para consumo empresarial.
A notícia oficial da inauguração em Linhares confirma o marco. A geração atual e eventuais ampliações devem ser verificadas com a empresa ou na base da Aneel antes de publicar um volume corrente.
Cachoeiro: PPP solar ainda precisa mostrar execução
Projeto para unidades públicas
Em janeiro de 2024, o governo estadual informou que Cachoeiro de Itapemirim avançava na estruturação de uma parceria público-privada para usina solar. A proposta buscava atender instalações municipais e reduzir gastos com eletricidade.
A fonte oficial chama a iniciativa de estruturação de PPP. Até a data desta revisão, não foi localizada uma atualização institucional que comprovasse usina entregue. Para mudar o status, seria necessário encontrar edital, contrato, licença, obra ou conexão.
Grande Vitória: proposta de hub, não usina pronta
Hidrogênio de baixo carbono
A região metropolitana reúne portos, ferrovia, siderurgia, pelotização e consumidores industriais. Em junho de 2026, a estratégia estadual de neoindustrialização verde citou a implantação de um grande hub de hidrogênio de baixo carbono na Grande Vitória.
O anúncio não informa local definitivo, potência de eletrólise, fonte de água, energia contratada, cliente âncora ou decisão final. Por isso, o projeto permanece como estratégia. Veja a análise completa sobre hidrogênio verde no Espírito Santo.
Outras cidades também têm geração distribuída
A tabela destaca projetos públicos ou empresariais identificáveis, mas a energia solar distribuída está espalhada por todos os tipos de município. Casas, lojas, fazendas, escolas e indústrias conectam sistemas continuamente. De acordo com o balanço energético estadual, o Espírito Santo tinha 69.388 unidades solares de micro e minigeração e 922 MWp em dezembro de 2024.
Para saber quantas unidades existem hoje em Vitória, Serra, Vila Velha, Colatina, São Mateus ou qualquer outro município, consulte a base diária de geração distribuída da Aneel. Filtre a UF ES e o município e registre a data da consulta. Um ranking sem data envelhece a cada nova conexão.
O guia de energia solar no Espírito Santo explica modalidades, compensação e como avaliar uma instalação.
Como uma cidade pode acelerar energia limpa
- Mapear consumo público: escolas, postos, iluminação, bombeamento e prédios com maior gasto.
- Reduzir desperdício primeiro: eficiência costuma custar menos do que gerar energia para consumo desnecessário.
- Publicar dados: potência, geração mensal, economia, custo e disponibilidade permitem medir resultados.
- Usar resíduos locais: aterros, esgoto e agroindústria podem gerar biogás quando há escala e controle ambiental.
- Planejar rede e licenças: conexão elétrica, uso do solo, água e tráfego precisam entrar antes da obra.
- Formar mão de obra: instalação, operação, manutenção e segurança geram valor local quando há capacitação.
Como conferir se um projeto é real
Procure ao menos dois sinais materiais: licença ou contrato, fornecedor, potência definida, obra visível, autorização regulatória, conexão ou produção medida. Uma cerimônia, protocolo ou apresentação pode iniciar o processo, mas não prova execução.
Também confira o vocabulário. MWp mede potência de pico solar; MWh mede energia gerada. Biogás bruto não é automaticamente biometano. Hidrogênio só pode ser chamado de verde quando a rota e a eletricidade renovável são comprovadas. Caldeira de biomassa exige origem sustentável do combustível.
Perguntas frequentes
Qual cidade capixaba tem mais energia solar?
O ranking muda com novas conexões e deve ser calculado na base diária da Aneel, com data e critério. Esta página não fixa um líder sem consulta corrente.
Presidente Kennedy é uma cidade de energia limpa?
O município tem duas usinas solares, mas também produção de petróleo e projetos térmicos a gás. É mais preciso dizer que reúne projetos renováveis e fósseis.
Biometano é igual a gás natural?
As moléculas podem ter composição compatível para a rede, mas a origem é diferente. Biometano vem da purificação do biogás de resíduos; gás natural é fóssil.
Uma PPP anunciada já conta como obra?
Não. A estruturação prepara estudos e modelo. Obra exige contratação, licenças, ordem de serviço e execução comprovada.






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