Espírito Santo

As cidades capixabas que transformam sol, biomassa e lixo em energia

Presidente Kennedy, Aracruz, Cariacica, Linhares, Cachoeiro e Grande Vitória têm projetos em diferentes estágios. Veja o que realmente opera.

Por · 29 de julho de 2026 · 9 minutos

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As cidades com projetos de energia limpa no Espírito Santo estão em estágios diferentes: Presidente Kennedy já tem usinas solares, Aracruz usa biomassa na indústria e Cariacica prepara a injeção de biometano na rede. Outras aparecem em estudos que ainda não viraram operação.

Atualizado em 28 de julho de 2026
Operação confirmada Implantação ou comissionamento Estudo ou estruturação
Como a lista foi feita: só entram iniciativas com fonte institucional identificável. Uma cidade não é chamada de “sustentável” por ter um anúncio; o projeto recebe status conforme a evidência disponível.

Mapa das cidades com projetos de energia limpa

Cidade ou região Projeto Fonte energética Status em julho de 2026 O que está comprovado
Presidente Kennedy Apolo e Terra do Sol Nascente Solar fotovoltaica Operação confirmada Duas usinas que somam 9,8 MWp segundo anúncio estadual de setembro de 2025.
Aracruz Caldeira de biomassa da Suzano Biomassa industrial Entregue em 2025 Investimento informado de R$ 520 milhões e capacidade de até 120 t de vapor por hora.
Cariacica Usina de biometano da Marca Ambiental e conexão à ES Gás Biometano de resíduos Implantação Projeto e conexão divulgados; operação comercial ainda precisa de confirmação pública.
Linhares Usina solar industrial Brametal–EDP Solar fotovoltaica Operação confirmada Planta inaugurada em 2020 para atendimento industrial.
Cachoeiro de Itapemirim PPP de usina solar para prédios públicos Solar fotovoltaica Estruturação Estudo de parceria anunciado em 2024; entrega ou operação não confirmadas.
Grande Vitória Proposta de hub de hidrogênio de baixo carbono Hidrogênio verde e derivados Estratégia Mapeamento e agenda estadual; sem local, capacidade ou decisão final divulgados.
O que ficou fora da categoria: termelétricas a gás natural anunciadas para São Mateus e Presidente Kennedy são projetos energéticos, mas não são energia limpa. Gás é combustível fóssil. Elas aparecem no painel de investimentos em energia até 2030.

Presidente Kennedy: duas usinas solares em operação

Apolo e Terra do Sol Nascente

Em setembro de 2025, o Governo do Espírito Santo informou que o município já contava com duas usinas fotovoltaicas. Apolo tem 2,8 MWp e Terra do Sol Nascente, 7 MWp, totalizando 9,8 MWp. A estimativa oficial é de geração média equivalente ao consumo de cerca de 9 mil residências.

A comparação com casas é uma estimativa de comunicação e varia conforme consumo e geração. O dado técnico mais seguro é a potência. A fonte estadual sobre as usinas de Presidente Kennedy também registra apoio financeiro do Bandes por meio do Fundesul e cerca de 80 empregos gerados durante a implantação.

O município é associado ao petróleo e às termelétricas planejadas, mas esses projetos não mudam a natureza das duas usinas solares. Uma mesma cidade pode reunir fontes renováveis e fósseis; o correto é classificar cada empreendimento.

Aracruz: biomassa na indústria de celulose

Nova caldeira de biomassa da Suzano

Aracruz concentra um dos maiores complexos de celulose do país. Em novembro de 2025, a Suzano anunciou a entrega de uma nova fábrica de papel tissue e de uma caldeira de biomassa. O pacote total foi informado em R$ 1,17 bilhão, dos quais R$ 520 milhões correspondem à caldeira, com capacidade de gerar até 120 toneladas de vapor por hora.

A divulgação da Suzano sobre o investimento em Aracruz apresenta a biomassa como substituta de fontes fósseis no processo. Para avaliar o ganho ambiental, é necessário acompanhar origem do combustível, eficiência, emissões locais e redução efetivamente medida.

A indústria de celulose capixaba também gera eletricidade com licor negro, subproduto do processo. Em 2024, essa fonte respondeu por 944,9 mil MWh no estado. Ela é relevante para a matriz industrial, embora não apareça ao consumidor como um parque solar aberto à visitação.

Cariacica: lixo pode virar gás renovável

Biometano da Marca Ambiental

O aterro sanitário produz biogás pela decomposição de resíduos. Depois de purificado até os padrões regulatórios, esse gás pode se tornar biometano e substituir gás natural fóssil em parte dos usos. O projeto da Marca Ambiental foi apresentado como a primeira usina capixaba voltada ao uso industrial e residencial por meio da rede.

O investimento divulgado foi de aproximadamente R$ 70 milhões na planta, além de R$ 5 milhões da ES Gás na conexão. Em 2025, a Energisa descreveu a iniciativa como uma nova etapa de chegada do biometano à rede, mas também indicou implantação. Sem anúncio regulatório ou operacional posterior localizado, o status prudente é “implantação ou comissionamento”, não produção comercial consolidada.

A atualização da Energisa sobre o projeto de biometano explica a conexão planejada. Os próximos indicadores devem ser data de início, volume diário, percentual injetado na rede e certificação de origem.

Iluminação solar em Piranema

Em 2025, a EDP informou ter instalado 50 postes solares feitos com material reciclado na comunidade de Piranema. É uma intervenção local de iluminação e inclusão, não uma usina que abastece o município. Entrou neste guia como exemplo de aplicação distribuída, sem ser somada à potência de grandes projetos.

Linhares: geração solar para uma indústria

Planta fotovoltaica Brametal–EDP

Em 2020, uma usina solar foi inaugurada para atender a unidade industrial da Brametal em Linhares. Por ser uma entrega antiga, o dado não deve aparecer como “novidade de 2026”; sua relevância está em mostrar uma aplicação operacional de geração para consumo empresarial.

A notícia oficial da inauguração em Linhares confirma o marco. A geração atual e eventuais ampliações devem ser verificadas com a empresa ou na base da Aneel antes de publicar um volume corrente.

Cachoeiro: PPP solar ainda precisa mostrar execução

Projeto para unidades públicas

Em janeiro de 2024, o governo estadual informou que Cachoeiro de Itapemirim avançava na estruturação de uma parceria público-privada para usina solar. A proposta buscava atender instalações municipais e reduzir gastos com eletricidade.

A fonte oficial chama a iniciativa de estruturação de PPP. Até a data desta revisão, não foi localizada uma atualização institucional que comprovasse usina entregue. Para mudar o status, seria necessário encontrar edital, contrato, licença, obra ou conexão.

Grande Vitória: proposta de hub, não usina pronta

Hidrogênio de baixo carbono

A região metropolitana reúne portos, ferrovia, siderurgia, pelotização e consumidores industriais. Em junho de 2026, a estratégia estadual de neoindustrialização verde citou a implantação de um grande hub de hidrogênio de baixo carbono na Grande Vitória.

O anúncio não informa local definitivo, potência de eletrólise, fonte de água, energia contratada, cliente âncora ou decisão final. Por isso, o projeto permanece como estratégia. Veja a análise completa sobre hidrogênio verde no Espírito Santo.

Outras cidades também têm geração distribuída

A tabela destaca projetos públicos ou empresariais identificáveis, mas a energia solar distribuída está espalhada por todos os tipos de município. Casas, lojas, fazendas, escolas e indústrias conectam sistemas continuamente. De acordo com o balanço energético estadual, o Espírito Santo tinha 69.388 unidades solares de micro e minigeração e 922 MWp em dezembro de 2024.

Para saber quantas unidades existem hoje em Vitória, Serra, Vila Velha, Colatina, São Mateus ou qualquer outro município, consulte a base diária de geração distribuída da Aneel. Filtre a UF ES e o município e registre a data da consulta. Um ranking sem data envelhece a cada nova conexão.

O guia de energia solar no Espírito Santo explica modalidades, compensação e como avaliar uma instalação.

Como uma cidade pode acelerar energia limpa

  • Mapear consumo público: escolas, postos, iluminação, bombeamento e prédios com maior gasto.
  • Reduzir desperdício primeiro: eficiência costuma custar menos do que gerar energia para consumo desnecessário.
  • Publicar dados: potência, geração mensal, economia, custo e disponibilidade permitem medir resultados.
  • Usar resíduos locais: aterros, esgoto e agroindústria podem gerar biogás quando há escala e controle ambiental.
  • Planejar rede e licenças: conexão elétrica, uso do solo, água e tráfego precisam entrar antes da obra.
  • Formar mão de obra: instalação, operação, manutenção e segurança geram valor local quando há capacitação.

Como conferir se um projeto é real

Procure ao menos dois sinais materiais: licença ou contrato, fornecedor, potência definida, obra visível, autorização regulatória, conexão ou produção medida. Uma cerimônia, protocolo ou apresentação pode iniciar o processo, mas não prova execução.

Também confira o vocabulário. MWp mede potência de pico solar; MWh mede energia gerada. Biogás bruto não é automaticamente biometano. Hidrogênio só pode ser chamado de verde quando a rota e a eletricidade renovável são comprovadas. Caldeira de biomassa exige origem sustentável do combustível.

Perguntas frequentes

Qual cidade capixaba tem mais energia solar?

O ranking muda com novas conexões e deve ser calculado na base diária da Aneel, com data e critério. Esta página não fixa um líder sem consulta corrente.

Presidente Kennedy é uma cidade de energia limpa?

O município tem duas usinas solares, mas também produção de petróleo e projetos térmicos a gás. É mais preciso dizer que reúne projetos renováveis e fósseis.

Biometano é igual a gás natural?

As moléculas podem ter composição compatível para a rede, mas a origem é diferente. Biometano vem da purificação do biogás de resíduos; gás natural é fóssil.

Uma PPP anunciada já conta como obra?

Não. A estruturação prepara estudos e modelo. Obra exige contratação, licenças, ordem de serviço e execução comprovada.

Política de atualização: o status só sobe de estudo para implantação ou operação quando há nova evidência oficial. Rankings municipais de geração distribuída devem sempre trazer data de extração da Aneel. Projetos fósseis não são incluídos como energia limpa apenas por serem novos ou mais eficientes.
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