Júlio Barreto morreu após participar da SP City Marathon, realizada neste domingo, 26 de julho, em São Paulo. O corredor perdeu a consciência depois de concluir a prova, recebeu atendimento médico e foi levado ao hospital, mas não resistiu.
A equipe médica iniciou as manobras de reanimação ainda no local, no Jockey Club de São Paulo. Júlio foi levado a um hospital e recebeu atendimento avançado, mas não resistiu.
Corredor passou mal depois de cruzar a linha de chegada
A 10ª edição da SP City Marathon reuniu provas de maratona e meia-maratona. Os participantes largaram na Praça Charles Miller, na região do Pacaembu, e terminaram o percurso no Jockey Club, na zona sul de São Paulo.
Na nota de pesar, a organização afirmou que Júlio recebeu atendimento imediato. Também manifestou solidariedade à família, aos amigos e aos atletas que participaram da prova.
O comunicado não detalhou o quadro clínico nem a causa do falecimento. Por isso, não é possível afirmar que o corredor sofreu infarto, arritmia, exaustão pelo calor ou qualquer outra condição específica.
Casos registrados no Espírito Santo também geraram alerta
Episódios envolvendo atletas e praticantes de atividade física também já foram registrados no Espírito Santo. Os casos ocorreram em circunstâncias diferentes e não devem ser tratados como uma única estatística.
Um deles envolveu um mal súbito durante um treino. Outro mostrou como o socorro rápido pode aumentar as chances de sobrevivência. Há ainda o registro de um acidente relacionado à estrutura de uma competição.
O corredor e triatleta Leonardo Dias, de 44 anos, sofreu uma parada cardiorrespiratória enquanto treinava na região da Praia da Costa, próximo ao Exército e ao Morro do Moreno. Ele foi socorrido e levado ao hospital, mas morreu cinco dias depois.
Cintia Schiavini, então com 47 anos, sofreu uma parada cardíaca enquanto estava sentada na academia onde trabalhava. Médicos que treinavam no local iniciaram a reanimação. Ela sobreviveu, recebeu um cardiodesfibrilador implantável e teve alta sem sequelas neurológicas relatadas.
Wagner Carneiro Leão, de 39 anos, morreu depois de ser atingido por um coqueiro que sustentava parte de um obstáculo na King’s Race. O caso não foi uma emergência cardíaca, mas reforçou a responsabilidade dos organizadores com a segurança estrutural do percurso.
Quem deve procurar avaliação antes de correr?
A avaliação médica não deve funcionar como um pacote igual para todas as pessoas. A análise precisa considerar idade, histórico de saúde, sintomas, intensidade pretendida e características do treinamento.
Ela se torna especialmente importante para quem pretende sair do sedentarismo e iniciar exercícios intensos, disputar longas distâncias ou voltar a treinar depois de um período prolongado de inatividade.
Pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo, doenças cardíacas ou histórico familiar de morte súbita também precisam conversar com um profissional de saúde antes de aumentar o esforço.
| Situação | Conduta mais segura |
|---|---|
| Início da corrida após sedentarismo | Começar com caminhada e trotes leves, aumentando volume e intensidade gradualmente. |
| Doença crônica ou uso contínuo de medicamentos | Buscar orientação médica e informar o treinador sobre as limitações existentes. |
| Histórico familiar de morte súbita ou doença cardíaca precoce | Relatar detalhadamente o histórico durante a avaliação médica. |
| Preparação para meia-maratona ou maratona | Seguir uma progressão compatível com o condicionamento e evitar saltos bruscos de distância. |
| Retorno após doença ou infecção | Retomar de forma gradual e procurar atendimento quando houver sintomas cardíacos, respiratórios ou cansaço fora do comum. |
O profissional pode solicitar eletrocardiograma, teste ergométrico, ecocardiograma ou outros exames quando houver indicação. Fazer todos os testes indiscriminadamente não substitui uma boa entrevista clínica nem garante risco zero.
Sinais que o corredor não deve ignorar
Desconfortos leves podem ocorrer durante um treino difícil. No entanto, alguns sintomas exigem interrupção imediata do esforço e avaliação profissional.
- Dor, pressão ou aperto no peito durante ou depois do exercício.
- Desmaio ou sensação de que vai perder a consciência.
- Palpitações acompanhadas de tontura, fraqueza ou falta de ar.
- Dificuldade para respirar muito acima do esperado para o esforço.
- Queda repentina e inexplicada de desempenho.
- Confusão, desorientação ou incapacidade de continuar o percurso.
O corredor não deve tentar “vencer a dor” ou chegar ao fim da prova a qualquer custo. Parar pode significar perder uma meta, mas insistir diante de sinais graves pode ampliar o risco.
Cuidados antes e durante uma corrida de rua
Não aumente a distância de uma vez
Passar rapidamente de treinos curtos para uma meia-maratona ou maratona aumenta a sobrecarga. A adaptação cardiovascular, muscular e articular precisa de tempo.
Não corra doente
Febre, infecção, cansaço intenso, dor no peito ou falta de ar não combinam com treino forte. O retorno deve ser progressivo, principalmente depois de doenças que tenham provocado sintomas respiratórios ou cardíacos.
Planeje a hidratação
A quantidade de líquido necessária varia conforme duração, temperatura, umidade e taxa de suor. O corredor deve chegar hidratado e usar os pontos de apoio sem esperar um quadro intenso de sede ou mal-estar.
Não teste tudo no dia da prova
Tênis, suplementos, géis, bebidas e estratégias alimentares devem ser testados durante a preparação. Produtos novos podem provocar desconfortos e prejudicar o desempenho.
Respeite o ritmo planejado
A empolgação da largada leva muitos participantes a começar acima do ritmo treinado. O esforço excessivo no início pode cobrar um preço alto nos quilômetros finais.
Corra identificado
Uma pulseira, etiqueta ou cartão com nome, telefone de emergência, alergias e condições médicas ajuda as equipes de atendimento caso o atleta não consiga se comunicar.
Organização também tem responsabilidade
A segurança não depende apenas do participante. Corridas precisam de plano médico, profissionais treinados, comunicação eficiente e acesso rápido ao percurso.
- Ambulâncias distribuídas de acordo com o tamanho e a dificuldade do trajeto.
- Desfibriladores externos automáticos em pontos estratégicos.
- Profissionais capacitados em ressuscitação cardiopulmonar.
- Comunicação rápida entre fiscais, postos médicos e ambulâncias.
- Pontos de água e apoio compatíveis com o clima e a distância.
- Acesso livre para a retirada de atletas que precisem de atendimento.
A linha de chegada merece atenção especial. É nesse trecho que muitos participantes fazem o esforço final, reduzem o ritmo abruptamente ou apresentam exaustão acumulada.
Em 2026, um protocolo discutido pelo Ministério Público Federal e por entidades médicas na Paraíba sugeriu a chamada “meta dos três minutos”, com desfibriladores distribuídos ao longo do trajeto e atendimento rápido após um colapso. A proposta não é uma regra nacional, mas apresenta medidas que podem orientar organizadores.
O que fazer quando alguém desmaia durante a corrida?
Não ofereça água, alimentos ou medicamentos a uma pessoa inconsciente. Também não deixe a vítima sozinha enquanto aguarda o socorro.
Quando houver um Desfibrilador Externo Automático, o equipamento deve ser ligado e suas instruções de voz precisam ser seguidas. O aparelho analisa o ritmo cardíaco e só recomenda o choque quando ele é indicado.
O caso de Cintia Schiavini, em Cachoeiro de Itapemirim, mostra a importância dessa resposta. Médicos que estavam próximos iniciaram a reanimação antes da chegada da equipe de remoção, mantendo o atendimento durante os minutos decisivos.
Corrida deve continuar sendo associada à saúde
Notícias como a morte de Júlio Barreto provocam preocupação, especialmente entre atletas amadores. No entanto, o exercício não deve ser tratado como inimigo.
A corrida melhora o condicionamento, contribui para o controle da pressão, ajuda na saúde mental e reduz o risco de doenças crônicas quando praticada de forma regular e compatível com a condição de cada pessoa.
A mensagem principal não é abandonar o esporte. É treinar com progressão, realizar avaliações quando indicadas, não ignorar sintomas e escolher eventos que apresentem uma estrutura clara de atendimento.
A prevenção não elimina todos os riscos. Porém, a combinação de informação, acompanhamento adequado e socorro rápido pode transformar o desfecho de uma emergência.






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