Espírito Santo

Os trilhos que cortam o Espírito Santo e o que ainda funciona

Entenda onde passam os trilhos capixabas, quais linhas estão ativas, o que transportam e quais projetos ainda dependem de concessão e obras.

Por · 31 de julho de 2026 · 7 minutos

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Resumo rápido: o Espírito Santo tem dois corredores ferroviários principais. A Estrada de Ferro Vitória a Minas está ativa, transporta cargas e mantém trem diário de passageiros entre Cariacica e Belo Horizonte. Já o antigo eixo da Leopoldina, ligado à Ferrovia Centro-Atlântica, possui muitos trechos desativados no sul capixaba. A EF-118 é o principal projeto de expansão em estudo.

As ferrovias do Espírito Santo têm funções muito diferentes. No norte e na região metropolitana, a Estrada de Ferro Vitória a Minas conecta minas, cidades e portos. No sul, a antiga linha da Leopoldina conserva valor histórico, mas não oferece transporte regular de passageiros.

Este guia mostra onde passam os trilhos, quais cargas circulam, como funciona o trem de passageiros e o que realmente está confirmado sobre os projetos futuros.

Trem da Estrada de Ferro Vitória a Minas percorrendo uma curva entre montanhas
A Estrada de Ferro Vitória a Minas é o principal corredor ferroviário ativo do Estado.
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Mapa das ferrovias do Espírito Santo

Principais corredores ferroviários do Espírito Santo
Corredor Trajeto resumido no Estado Situação Uso principal
Estrada de Ferro Vitória a Minas Cariacica, Fundão, Ibiraçu, João Neiva, Colatina e Baixo Guandu, seguindo para Minas Gerais. Ativa. Cargas e passageiros.
Acessos portuários da EFVM Complexo de Tubarão, Terminal de Vila Velha, Cais de Paul e ligação com Barra do Riacho. Ativos conforme a operação logística. Minério e carga geral.
Antiga Leopoldina / FCA Vila Velha, Cariacica, Viana, Domingos Martins, Marechal Floriano, Alfredo Chaves, Vargem Alta, Cachoeiro, Atílio Vivácqua, Muqui e Mimoso do Sul. Muitos trechos desativados ou deteriorados. Patrimônio ferroviário e projetos de reaproveitamento.
EF-118 Projeto de ligação ferroviária entre o Espírito Santo e o Rio de Janeiro. Em estruturação para concessão. Transporte de cargas e integração portuária.

O quadro é um resumo, não um mapa cartográfico. Para o trajeto detalhado do trem de passageiros, consulte a imagem abaixo.

Mapa do trem de passageiros Vitória a Minas com estações no Espírito Santo e em Minas Gerais
Mapa do serviço de passageiros da Estrada de Ferro Vitória a Minas.

Estrada de Ferro Vitória a Minas

A EFVM é operada pela Vale e possui cerca de 905 quilômetros de linha férrea entre Espírito Santo e Minas Gerais. O corredor liga áreas de produção mineral e industrial aos terminais portuários capixabas.

Ela não é apenas uma ferrovia de minério. A ANTT informa que também circulam carvão, aço, calcário, granito, contêineres, ferro-gusa, produtos agrícolas, madeira, celulose, combustíveis e outras cargas.

Quais cargas passam pelas ferrovias capixabas?

Grupo de carga Exemplos Destino ou conexão
Mineração Minério de ferro, calcário, granito e ferro-gusa. Complexos portuários e unidades industriais.
Indústria Aço, carvão, coque, combustíveis e contêineres. Tubarão, Vila Velha, Paul e conexões da malha.
Agronegócio e florestal Produtos agrícolas, madeira e celulose. Terminais ferroviários e portuários do Espírito Santo.

A carga que circula em cada trecho varia conforme contratos, terminais e demanda. Por isso, a lista representa os produtos oficialmente associados à EFVM, não uma programação fixa de todos os trens.

Como funciona o trem de passageiros Vitória a Minas

O único serviço ferroviário regular de passageiros do Estado parte diariamente da Estação Pedro Nolasco, em Cariacica, às 7h, com chegada prevista a Belo Horizonte por volta das 20h30. No sentido contrário, o trem também sai às 7h.

O trajeto de passageiros tem aproximadamente 664 quilômetros. Há classes econômica e executiva, lanchonete, restaurante, ar-condicionado e espaço acessível para pessoas com mobilidade reduzida.

Estações com embarque no Espírito Santo

  • Pedro Nolasco, em Cariacica;
  • Flexal, em Cariacica;
  • Fundão;
  • Aricanga, em Ibiraçu;
  • Piraqueaçu, em João Neiva;
  • Colatina;
  • Itapina, em Colatina;
  • Mascarenhas, em Baixo Guandu;
  • Baixo Guandu.
Valores de referência em julho de 2026: no trajeto completo, a Vale informou R$ 87 na classe econômica e R$ 125 na executiva. Confira o preço atualizado antes da compra.

Além do trem diurno, a Vale passou a operar o Trem de Férias em janeiro, julho e dezembro, com viagens noturnas em períodos definidos. Para horários e compra, use o canal oficial do trem de passageiros.

Para detalhes da viagem, consulte também nosso guia do Trem Vitória-Minas e as orientações sobre como escolher a poltrona.

FCA e antiga Estrada de Ferro Leopoldina

O segundo eixo ferroviário capixaba é a antiga linha da Leopoldina, integrada à concessão da Ferrovia Centro-Atlântica. No Espírito Santo, o corredor histórico possui cerca de 257 quilômetros e atravessa 11 municípios entre a Grande Vitória e o sul do Estado.

Atualmente, muitos trechos estão desativados, deteriorados ou sem uso ferroviário regular. Não existe trem público de passageiros ligando Vitória a Cachoeiro de Itapemirim.

Prédio histórico da Estação Leopoldina em Vila Velha
A Estação Leopoldina, em Vila Velha, preserva parte da memória ferroviária do sul capixaba.

O antigo Trem das Montanhas Capixabas também não opera regularmente. A discussão atual envolve a devolução dos trechos inativos, a recuperação do patrimônio e possíveis usos turísticos. Veja o conteúdo sobre a reativação do Trem das Montanhas Capixabas e a história da Estação Leopoldina em Vila Velha.

Principais projetos ferroviários

Em estruturação EF-118

A ANTT apresenta um corredor de 575 quilômetros entre Espírito Santo e Rio de Janeiro, com investimento estimado em R$ 4,2 bilhões. O modelo atual prioriza a ligação entre Santa Leopoldina e São João da Barra e inclui o trecho entre Anchieta e Santa Leopoldina.

Processo contratual Renovação da FCA

A renovação da concessão avançou em 2026, mas as fontes oficiais ainda tratavam o processo como anterior à formalização. A proposta prevê investimentos e devolução de trechos inativos ao Governo Federal.

Proposta regional Reaproveitamento da Leopoldina

Municípios defendem a cessão dos trechos desativados para projetos turísticos e culturais, como ciclovias, trilhas e recuperação de estações. Isso não significa retorno confirmado de trens.

Projeto não é obra pronta: cronogramas, traçados e investimentos ferroviários podem mudar durante estudos, licenciamento, concessão e contratação.

Perguntas frequentes

Existe trem de passageiros dentro do Espírito Santo?

Sim. O Trem Vitória-Minas faz embarques em cidades capixabas e segue até Belo Horizonte. Não existe, porém, serviço ferroviário urbano ou regional regular entre as cidades do sul do Estado.

O trem parte de Vitória?

A estação inicial fica em Cariacica, na Estação Pedro Nolasco, e não na Ilha de Vitória.

A ferrovia Vitória a Minas transporta apenas minério?

Não. A ANTT lista também aço, carvão, calcário, granito, contêineres, produtos agrícolas, madeira, celulose, combustíveis e outras cargas.

O Trem das Montanhas Capixabas está funcionando?

Não há operação turística regular confirmada. A recuperação do corredor da antiga Leopoldina continua sendo discutida.

A EF-118 já está em construção?

Não. A ferrovia está em processo de estruturação e concessão. O projeto ainda depende das etapas regulatórias, ambientais e contratuais.

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