As inundações no Rio Grande do Sul deixaram mais de mil pessoas fora de casa e provocaram alagamentos, bloqueios em estradas, retirada preventiva de famílias e danos em pontes.

Na manhã desta quinta-feira, 23 de julho, o nível do Rio Taquari começou a baixar no Vale do Taquari. A redução permitiu o início da limpeza de ruas em Lajeado e Arroio do Meio.

A melhora, porém, ainda é localizada. Os rios Jacuí, dos Sinos e Gravataí continuavam em elevação, enquanto o avanço das águas também era acompanhado no Guaíba e nas ilhas de Porto Alegre.

Inundações no Rio Grande do Sul após fortes chuvas
Chuvas elevaram rios e provocaram inundações em diferentes regiões do Rio Grande do Sul.

Situação atual

  • Mais de mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas;
  • o Vale do Taquari concentra a maior parte dos desabrigados;
  • o Rio Taquari começou a baixar em Lajeado e Arroio do Meio;
  • rios de outras bacias ainda seguem em elevação;
  • estradas apresentam bloqueios totais ou parciais;
  • a população deve continuar evitando áreas inundadas.

Inundações no Rio Grande do Sul: o que está acontecendo?

Uma sequência de temporais provocou acumulados elevados de chuva, principalmente nas regiões Norte, Nordeste, Noroeste, Serra e Vale do Taquari.

O Instituto Nacional de Meteorologia já havia indicado que algumas áreas do estado poderiam acumular até 200 milímetros de chuva entre os dias 20 e 27 de julho.

Com o solo encharcado, a água chegou rapidamente aos arroios e rios menores. Depois, o volume avançou para cursos maiores, como Taquari, Caí, Jacuí, Sinos e Gravataí.

No Vale do Taquari, várias famílias foram retiradas de áreas consideradas vulneráveis antes que a água atingisse as residências.

Arroio do Meio, Lajeado, Encantado, Santa Tereza, Cruzeiro do Sul, Roca Sales, Muçum e Estrela receberam mapas oficiais com as áreas que poderiam ser cobertas pela inundação.

Alertas também foram emitidos para municípios localizados na parte mais baixa do Rio Taquari, como Bom Retiro do Sul e Taquari.

Mais de mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas

O balanço divulgado pelo governo estadual na noite de quarta-feira apontava 668 pessoas desabrigadas e aproximadamente 400 desalojadas no Vale do Taquari.

Desabrigados são moradores que precisam permanecer em abrigos públicos. Desalojados são aqueles que deixaram suas residências, mas conseguiram ficar na casa de parentes, amigos ou em outro local.

Os números podem mudar ao longo do dia, conforme as prefeituras registram novas retiradas e o retorno de famílias às áreas liberadas.

Os balanços são atualizados pelas autoridades conforme os municípios enviam novas informações.

Rio Taquari começa a baixar em Lajeado

O nível do Rio Taquari atingiu 24,76 metros em Lajeado durante a madrugada desta quinta-feira.

Às 9h30, a medição havia recuado para 23,71 metros. A redução permitiu que equipes municipais começassem a retirar lama e resíduos das ruas atingidas.

Trechos das ruas Borges de Medeiros, Irmão Emílio Conrado e São Sebastião começaram a ser liberados. A Ponte de Ferro, na Avenida Senador Alberto Pasqualini, também entrou no processo de liberação.

Apesar da queda do rio, 540 pessoas continuavam acolhidas no abrigo montado no Parque do Imigrante durante a manhã.

O retorno às residências deve ocorrer de forma gradual e apenas depois da avaliação das condições de segurança.

Taquari baixa, mas outros rios ainda preocupam

A redução do Taquari não significa que o risco terminou em todo o estado. A água continua se deslocando pelas bacias e pode provocar elevações longe dos locais onde ocorreu a chuva mais intensa.

Rio Jacuí

O Jacuí continuava subindo em municípios como Triunfo, Cachoeira do Sul e Rio Pardo. Em Triunfo, o rio chegou ao nível de alerta para inundação.

Rio dos Sinos

Em São Leopoldo, o Rio dos Sinos também apresentava elevação. O nível ainda estava abaixo da cota de inundação durante a manhã, mas a tendência era de continuidade da subida.

Rio Gravataí

O Gravataí subia de forma gradual e se aproximava da cota de inundação no ponto de medição do Passo das Canoas.

Guaíba

Em Porto Alegre, o Guaíba estava em 1,89 metro às 8h30, abaixo da cota de transbordamento de três metros no Cais Mauá.

A principal atenção se concentrava nas ilhas, que possuem áreas mais baixas e podem ser atingidas antes de outras regiões da capital.

Rio Caí

O Rio Caí começou a apresentar redução em São Sebastião do Caí. Mesmo assim, o acompanhamento continua porque áreas próximas ainda podem permanecer alagadas.

A chuva diminuiu, mas o risco hidrológico continua

Mesmo sem previsão de novos acumulados expressivos nas próximas horas, a água que desce das regiões mais altas continua elevando rios em outras cidades.

Pontes e estradas foram atingidas pela força da água

Além das casas alagadas, as chuvas voltaram a danificar pontes, estradas municipais e rodovias estaduais e federais.

Em Feliz, a Ponte da FelizCidade, construída com participação da comunidade após uma enchente anterior, foi novamente destruída pela correnteza.

Os bloqueios também afetam o transporte de passageiros. Empresas de ônibus intermunicipais foram autorizadas a modificar temporariamente horários e itinerários quando não houver condições seguras de circulação.

Passageiros impedidos de viajar por causa dos bloqueios podem solicitar remarcação ou ressarcimento integral da passagem, conforme a orientação divulgada pelo governo estadual.

Publicações nas redes cobram medidas contra novas enchentes

A repetição de inundações provocou críticas e questionamentos nas redes sociais sobre dragagem de rios, reconstrução de pontes e obras de prevenção.

O post abaixo apresenta uma opinião política. As afirmações específicas sobre dragagem e quantidade de pontes não foram confirmadas pelas fontes oficiais consultadas para esta reportagem.

O que moradores das áreas de risco devem fazer?

  • Não atravesse ruas, pontes ou estradas cobertas pela água;
  • acompanhe os avisos da Defesa Civil estadual e da prefeitura;
  • deixe a residência imediatamente quando houver ordem de retirada;
  • não retorne a imóveis alagados antes da liberação das autoridades;
  • confirme as condições das estradas antes de iniciar uma viagem;
  • em caso de emergência, acione a Brigada Militar pelo 190 ou os Bombeiros pelo 193.

Perguntas frequentes

A chuva já parou no Rio Grande do Sul?

Os maiores volumes perderam força. A previsão para esta quinta-feira indicava apenas chuva fraca em parte do estado, sem novos acumulados significativos nas 24 horas seguintes.

Por que os rios continuam subindo?

A água acumulada nas regiões mais altas leva horas ou dias para chegar às partes mais baixas das bacias. Por isso, um rio pode continuar subindo mesmo depois que a chuva termina.

Porto Alegre está inundada?

O Guaíba permanecia abaixo da cota de transbordamento no Cais Mauá durante a manhã de quinta-feira. As ilhas e áreas mais baixas, no entanto, continuavam sob atenção.

Qual região concentra mais desabrigados?

O Vale do Taquari concentra a maior parte das pessoas levadas para abrigos, principalmente no município de Lajeado.

Os números ainda podem mudar?

Sim. Os balanços são atualizados conforme os municípios registram novas ocorrências, retiradas preventivas e o retorno das famílias.

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Fontes consultadas