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Vídeo raro mostra orcas despedaçando peixe-lua com técnica surpreendente

Vídeos gravados no Golfo da Califórnia mostram uma orca segurando a presa enquanto outra avança em alta velocidade. Cientistas investigam se a estratégia facilita a alimentação dos filhotes ou também funciona como brincadeira.

Por · 24 de julho de 2026 · 4 minutos

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Pesquisadores registraram uma técnica coordenada e até então não descrita entre orcas no Golfo da Califórnia, no México. Nas imagens, um animal segura um peixe-lua-de-cauda-afiada pela extremidade do corpo, enquanto outro ganha velocidade e colide contra a presa. O impacto espalha fragmentos de tecido pela água.

O comportamento chamou atenção pela precisão. No entanto, os cientistas destacam que os peixes já estavam mortos e com as vísceras removidas. Assim, a colisão não parece ter servido para abater a presa, mas para dividi-la em porções menores e facilitar o consumo.

O que o estudo mostrou Duas ocorrências, registradas em 2024 e 2025, revelaram adultos trabalhando em conjunto para fragmentar peixes-lua. Jovens presentes nos grupos aproveitaram partes menores desprendidas após o impacto.
Orcas usam técnica coordenada para fragmentar peixe-lua no Golfo da Califórnia
Sequência mostra orcas posicionando e atingindo um peixe-lua no Golfo da Califórnia.

Como funciona a técnica das orcas

O artigo científico descreve o comportamento como uma estratégia de “estabilizar e colidir”. Primeiro, uma orca adulta prende o peixe-lua pelo clavus, estrutura rígida localizada na parte traseira do animal. Em seguida, outra orca se aproxima em alta velocidade. Pouco antes da batida, a primeira solta a carcaça.

A colisão produz uma forte fragmentação. Depois disso, as orcas jovens conseguem alcançar pedaços menores, enquanto os adultos permanecem próximos à parte principal da presa. Portanto, a ação exige coordenação, tempo e controle do movimento.

Registros ocorreram em anos diferentes

O primeiro episódio foi filmado em 29 de julho de 2024, perto de San José del Cabo, na Baixa Califórnia Sul. O grupo reunia três fêmeas adultas, um macho adulto e um jovem. Uma fêmea segurou o peixe-lua, enquanto o macho executou a colisão.

Já o segundo registro ocorreu em 7 de setembro de 2025, no canal da Ilha Cerralvo. Na ocasião, três fêmeas adultas e um filhote foram observados. A sequência repetiu o mesmo padrão: uma orca estabilizou a presa e outra realizou o impacto.

Registro Local e grupo observado
Julho de 2024 Próximo a San José del Cabo, com quatro adultos e um jovem
Setembro de 2025 Canal da Ilha Cerralvo, com três adultas e um filhote

Os vídeos não permitiram identificar com segurança se os dois episódios envolveram os mesmos indivíduos. Por isso, os autores defendem novos registros com imagens nítidas das nadadeiras dorsais e das manchas ao redor dos olhos, características usadas para reconhecer cada orca.

Alimentação, aprendizagem ou brincadeira?

A principal hipótese é que os adultos estejam preparando alimento para os mais jovens. O peixe-lua pode ultrapassar três metros e chegar a cerca de duas toneladas. Além disso, apresenta uma camada espessa e gelatinosa, o que torna o processamento da carcaça mais difícil.

Entretanto, os pesquisadores não descartam outras funções. A técnica pode envolver aprendizagem social, interação entre membros do grupo e até brincadeira. Orcas exibem repertórios de caça complexos, e algumas estratégias podem circular como conhecimento aprendido dentro de determinados grupos.

O formato do peixe-lua-de-cauda-afiada também pode favorecer a manobra. Seu clavus é mais pronunciado do que o de outras espécies, oferecendo um ponto de apoio eficiente para a orca que segura a presa antes da colisão.

Conclusão ainda é provisória Como o estudo analisou apenas duas ocorrências, os cientistas ainda não podem afirmar se a técnica é comum, restrita a poucos grupos ou usada também contra outras espécies de peixe-lua.

Descoberta amplia o conhecimento sobre as orcas

O estudo foi publicado em 23 de julho de 2026 na revista Frontiers in Ethology. Segundo os autores, observações feitas por pesquisadores, operadores de turismo e cinegrafistas podem revelar comportamentos raros que dificilmente apareceriam em levantamentos de curta duração.

A descoberta reforça a capacidade de adaptação desses cetáceos. Assim como ocorre na comunicação das baleias-jubarte, muitas condutas dependem de aprendizado e interação social. No Brasil, o interesse por esses animais também cresce durante a temporada de baleias-jubarte no Espírito Santo.

Por enquanto, a técnica observada no México permanece como um exemplo raro de cooperação. Ainda assim, ela mostra que as orcas conseguem transformar força, precisão e coordenação em uma ferramenta eficiente para lidar com uma presa de grandes dimensões.

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