A capital capixaba acaba de ganhar um novo título que vai muito além da panela de barro. Se a Moqueca é a rainha, o Arroz de Polvo foi oficialmente coroado como o príncipe da gastronomia local. Em setembro de 2025, a Lei 11.021 declarou o prato como Patrimônio Cultural Imaterial da Gastronomia de Vitória, reconhecendo uma tradição que há décadas conquista moradores e turistas à beira-mar.
A História: Uma Tradição de “Pé na Areia”
Ao contrário da moqueca, que tem raízes indígenas e centenárias, o Arroz de Polvo de Vitória tem uma história urbana e boêmia, nascida há cerca de 45 anos. A origem desse reconhecimento aponta para os quiosques da Curva da Jurema, especificamente para a família Lauret.
A lenda local — agora documentada — conta que o prato ganhou fama com Olinto Lauret, o famoso “Alemão”, e sua filha Sônia. No início, os quiosques serviam apenas bebidas, e os clientes levavam a própria comida. Para atender à demanda, a família começou a criar receitas, e o arroz de polvo, feito com insumos frescos trazidos pelos pescadores da região, tornou-se o carro-chefe imbatível.
Como é o “Arroz de Polvo Capixaba”?
Diferente da versão portuguesa (o “Arroz de Polvo Malandrinho”), a versão de Vitória tem personalidade própria. Ele geralmente é preparado com o polvo cozido à perfeição (macio, nunca borrachudo), refogado com tomate, cebola, alho, coentro fresco e, frequentemente, leva brócolis para dar cor e textura. O segredo está no caldo do cozimento do polvo, que é usado para cozinhar o arroz, garantindo uma cor acastanhada e sabor intenso de mar.
Roteiro: Onde Comer os Clássicos
Se você quer provar o novo patrimônio, aqui estão as paradas obrigatórias:
1. O Berço Histórico: Quiosque do Alemão (Curva da Jurema) É o local mais emblemático para a experiência. O prato aqui é servido de forma farta, com o arroz soltinho e pedaços generosos de polvo. A localização, de frente para o mar e com vista para a Ilha do Frade, completa a experiência cultural.
Dica: Vá no almoço de fim de semana, mas chegue cedo, pois as filas são comuns.
2. A Tradição Ribeirinha: Ilha das Caieiras Embora famosa pela Torta Capixaba, a Ilha das Caieiras também abraçou o arroz de polvo. Restaurantes tradicionais como o Restaurante Caieiras e a Moquecaria Teresão oferecem versões que competem em sabor, muitas vezes servidas nas tradicionais panelas de barro, o que mantém a temperatura do prato por mais tempo.
Localização: Região da Grande São Pedro, com vista para o manguezal.
3. O Toque Moderno: Ilha do Caranguejo Para quem busca uma versão mais contemporânea, o restaurante (tanto em Vitória quanto em Vila Velha) serve um arroz de polvo famoso pelo custo-benefício e pelo toque crocante de “crispy” de batata-doce, que adiciona uma textura extra ao prato.
Serviço
O quê: Arroz de Polvo (Patrimônio Cultural Imaterial de Vitória).
Preço Médio: Entre R$ 120,00 e R$ 160,00 (porções que geralmente servem de 2 a 3 pessoas).
Melhor época: O ano todo, mas especialmente no verão, acompanhado de uma cerveja gelada à beira-mar.
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