Antes de o Aquaviário voltar à Baía de Vitória, antigas lanchas e estações já ligavam Vitória, Vila Velha e Cariacica. As fotos guardam a memória de um sistema que viveu seu auge, entrou em declínio e ficou mais de duas décadas desativado.
As imagens dos antigos terminais aquaviários ajudam a contar uma parte importante da mobilidade capixaba. Durante anos, as embarcações cruzaram a baía e fizeram parte da rotina de trabalhadores e moradores dos três municípios.
O cenário era bem diferente do atual. As lanchas, os atracadouros e a movimentação nos pontos de embarque compunham uma paisagem cotidiana no Centro de Vitória e nas margens de Vila Velha e Cariacica.
Como funcionavam os antigos terminais aquaviários
O antigo sistema transportava passageiros por lanchas entre pontos de Vitória, Vila Velha e Cariacica. O deslocamento pela água evitava parte do trânsito terrestre e conectava áreas urbanas separadas pela Baía de Vitória.
Registros de imprensa preservados pela Biblioteca do Instituto Jones dos Santos Neves indicam que, em 1978, o serviço alcançou cerca de 5 milhões de passageiros no ano.
Esse volume ajuda a dimensionar a importância do modal naquele período. A travessia não era apenas um passeio: fazia parte do transporte diário de quem trabalhava, estudava ou precisava circular entre os municípios.
Ao longo do tempo, a demanda caiu. Quando o antigo sistema encerrou as atividades, em 2000, o movimento anual havia recuado para aproximadamente 300 mil passageiros, segundo o mesmo registro histórico.
Não confunda: o Terminal Dom Bosco de ônibus, desativado em 2009, e a antiga estação aquaviária Dom Bosco eram estruturas distintas, embora estivessem associadas à mesma região da Avenida Beira-Mar.
O terminal rodoviário recebia linhas de ônibus. Já a estação aquaviária atendia as embarcações de passageiros que cruzavam a baía.
Antigos terminais aquaviários na memória da baía
Entre os nomes associados à rede antiga estão Dom Bosco e o Centro, em Vitória; Paul, em Vila Velha; e Porto de Santana, em Cariacica. A configuração das linhas mudou durante os anos de operação.
Por isso, não é correto tratar todos os pontos como se tivessem funcionado ao mesmo tempo, com as mesmas rotas e a mesma estrutura.
Vitória
O Centro e Dom Bosco aparecem entre as referências históricas do sistema. A posição da capital fazia dela um eixo natural das travessias pela baía.
Vila Velha
Paul esteve ligado às antigas travessias. Hoje, o sistema atende o município pela estação da Prainha, próxima ao Convento da Penha.
Cariacica
Porto de Santana voltou a receber passageiros em 2023 e mantém viva, em outro projeto e outra estrutura, a ligação aquaviária com a baía.
Por que o antigo Aquaviário acabou?
Não existe uma única explicação isolada. O encerramento veio depois de uma longa perda de demanda, mudanças na gestão e dificuldade para sustentar economicamente a operação.
A expansão das ligações rodoviárias e do sistema de ônibus também alterou os hábitos de deslocamento. Ao mesmo tempo, manter embarcações, terminais e equipes exige investimento constante e uma quantidade de passageiros capaz de sustentar o serviço.
O dado mais revelador é a queda de cerca de 5 milhões de passageiros em 1978 para 300 mil no ano do encerramento. A comparação mostra que o sistema de 2000 já tinha uma escala muito menor do que em seu auge.
Isso não significa que o transporte pela baía tenha perdido valor. Significa que uma retomada precisaria de novas embarcações, integração tarifária, localização adequada das estações e conexão com ônibus e ciclovias.
O Aquaviário voltou em 2023
Mais de 20 anos depois, o Governo do Espírito Santo retomou o serviço em agosto de 2023. A nova operação começou com estações na Praça do Papa, em Vitória; Prainha, em Vila Velha; e Porto de Santana, em Cariacica.
O projeto atual não é uma simples continuação das antigas lanchas. Ele foi implantado com novas estruturas, acessibilidade, embarcações climatizadas e integração ao Transcol pelo CartãoGV.
As linhas oficiais conectam Porto de Santana à Praça do Papa, Praça do Papa à Prainha e Porto de Santana à Prainha. Horários e eventuais mudanças devem ser consultados diretamente na Ceturb.
Em abril de 2026, a Estação Élcio Álvares foi inaugurada junto à Rodoviária de Vitória. A página oficial da Ceturb já inclui o endereço entre as estações do sistema.
Até dezembro de 2025, o novo Aquaviário havia transportado mais de 1,2 milhão de passageiros. O número é relevante, mas ainda não deve ser comparado diretamente com 1978 sem considerar população, rotas e metodologias diferentes.
Novas estações recuperam lugares do passado
Em março de 2026, o Estado anunciou três novas estações em Vitória: São Pedro, Centro e Dom Bosco. Também foi autorizada a reforma da estação da Praça do Papa.
O pacote foi divulgado com investimento total de R$ 61,8 milhões. Desse valor, R$ 45 milhões foram destinados às estações do Centro e de Dom Bosco, R$ 15 milhões a São Pedro e R$ 1,8 milhão à Praça do Papa.
Os prazos oficiais dependem da obtenção das licenças necessárias. Portanto, o anúncio de obra não deve ser tratado como estação já entregue.
A volta de Dom Bosco e do Centro ao mapa aquaviário cria uma ligação direta entre memória e mobilidade atual. São áreas que aparecem na história do antigo sistema e voltam a ser consideradas na expansão da rede.
O sistema chegou a cerca de 5 milhões de passageiros naquele ano.
O serviço foi encerrado depois de cair para aproximadamente 300 mil passageiros anuais.
Prainha, Praça do Papa e Porto de Santana iniciaram a nova fase do Aquaviário.
São Pedro, Centro e Dom Bosco foram incluídos no novo pacote de estações em Vitória.
A Estação Élcio Álvares passou a integrar o sistema junto à Rodoviária de Vitória.
Antigo e novo sistema: o que mudou
| Aspecto | Antigo sistema | Sistema atual |
|---|---|---|
| Período | Operação metropolitana encerrada em 2000 | Em operação desde agosto de 2023 |
| Pagamento | Tarifa própria conforme a fase da operação | Integração com o Transcol por CartãoGV |
| Estrutura | Lanchas e terminais com padrões da época | Embarcações climatizadas, acessibilidade, banheiro e bicicletário |
| Pontos | Rede e rotas modificadas ao longo dos anos | Estações e linhas divulgadas oficialmente pela Ceturb |
| Expansão | O sistema perdeu demanda até ser encerrado | Novas estações foram entregues ou anunciadas em 2026 |
Mais do que nostalgia
As fotos dos antigos terminais aquaviários despertam lembranças de quem atravessava a baía para trabalhar ou resolver tarefas do dia a dia. Elas também mostram como a água sempre foi uma via natural de ligação entre as cidades.
A retomada do Aquaviário não elimina os congestionamentos da Grande Vitória sozinha. Seu resultado depende de frequência, confiabilidade, integração e facilidade para chegar às estações.
Ao mesmo tempo, o trajeto oferece outra forma de observar a capital, o Penedo e as margens de Vila Velha e Cariacica.
Para entender melhor esse cenário, veja também por que Vitória é uma ilha e o registro do pôr do sol na Baía de Vitória.
Perguntas frequentes
Quando o antigo Aquaviário da Grande Vitória foi encerrado?
A antiga operação metropolitana terminou em 2000, depois de uma forte redução no número de passageiros.
Quando o Aquaviário voltou a funcionar?
O novo sistema começou a operar em agosto de 2023, inicialmente entre Praça do Papa, Prainha e Porto de Santana.
Quais cidades são atendidas?
O Aquaviário atende Vitória, Vila Velha e Cariacica. A rede atual está em expansão e os endereços oficiais devem ser conferidos na Ceturb.
Dom Bosco terá novamente uma estação aquaviária?
Sim. Uma nova estação em Dom Bosco foi anunciada em março de 2026. O prazo depende das licenças e da execução da obra.
O Terminal Dom Bosco de ônibus era a estação aquaviária?
Não. Eram estruturas diferentes. O terminal rodoviário recebia linhas de ônibus, enquanto a estação aquaviária atendia embarcações.
Fontes consultadas






















Comentários
Compartilhe sua experiência, dúvida ou dica. Os comentários são moderados para manter a conversa útil e segura.