Espírito Santo

Fotos mostram como eram os antigos terminais aquaviários da Grande Vitória

Fotografias guardam a memória das antigas lanchas que conectavam Vitória, Vila Velha e Cariacica. Conheça a história e veja o que mudou.

Por · 22 de julho de 2026 · 8 minutos

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Memória da Grande Vitória

Antes de o Aquaviário voltar à Baía de Vitória, antigas lanchas e estações já ligavam Vitória, Vila Velha e Cariacica. As fotos guardam a memória de um sistema que viveu seu auge, entrou em declínio e ficou mais de duas décadas desativado.

1978ano em que o sistema chegou a transportar 5 milhões de passageiros
2000encerramento da antiga operação metropolitana
2023retomada do transporte aquaviário na Grande Vitória
1,2 milhãopassageiros transportados entre a retomada e dezembro de 2025

As imagens dos antigos terminais aquaviários ajudam a contar uma parte importante da mobilidade capixaba. Durante anos, as embarcações cruzaram a baía e fizeram parte da rotina de trabalhadores e moradores dos três municípios.

O cenário era bem diferente do atual. As lanchas, os atracadouros e a movimentação nos pontos de embarque compunham uma paisagem cotidiana no Centro de Vitória e nas margens de Vila Velha e Cariacica.

Lancha de passageiros atracada no antigo sistema aquaviário no Centro de Vitória
Lancha de passageiros atracada diante do Centro de Vitória durante a antiga operação. Imagem: acervo digital do Capixaba da Gema; autoria não identificada.

Como funcionavam os antigos terminais aquaviários

O antigo sistema transportava passageiros por lanchas entre pontos de Vitória, Vila Velha e Cariacica. O deslocamento pela água evitava parte do trânsito terrestre e conectava áreas urbanas separadas pela Baía de Vitória.

Registros de imprensa preservados pela Biblioteca do Instituto Jones dos Santos Neves indicam que, em 1978, o serviço alcançou cerca de 5 milhões de passageiros no ano.

Esse volume ajuda a dimensionar a importância do modal naquele período. A travessia não era apenas um passeio: fazia parte do transporte diário de quem trabalhava, estudava ou precisava circular entre os municípios.

Ao longo do tempo, a demanda caiu. Quando o antigo sistema encerrou as atividades, em 2000, o movimento anual havia recuado para aproximadamente 300 mil passageiros, segundo o mesmo registro histórico.

Não confunda: o Terminal Dom Bosco de ônibus, desativado em 2009, e a antiga estação aquaviária Dom Bosco eram estruturas distintas, embora estivessem associadas à mesma região da Avenida Beira-Mar.

O terminal rodoviário recebia linhas de ônibus. Já a estação aquaviária atendia as embarcações de passageiros que cruzavam a baía.

Antigos terminais aquaviários na memória da baía

Entre os nomes associados à rede antiga estão Dom Bosco e o Centro, em Vitória; Paul, em Vila Velha; e Porto de Santana, em Cariacica. A configuração das linhas mudou durante os anos de operação.

Por isso, não é correto tratar todos os pontos como se tivessem funcionado ao mesmo tempo, com as mesmas rotas e a mesma estrutura.

Vitória

O Centro e Dom Bosco aparecem entre as referências históricas do sistema. A posição da capital fazia dela um eixo natural das travessias pela baía.

Vila Velha

Paul esteve ligado às antigas travessias. Hoje, o sistema atende o município pela estação da Prainha, próxima ao Convento da Penha.

Cariacica

Porto de Santana voltou a receber passageiros em 2023 e mantém viva, em outro projeto e outra estrutura, a ligação aquaviária com a baía.

Passageiros embarcando em lancha do antigo sistema aquaviário da Grande Vitória
Passageiros durante embarque no antigo sistema. Imagem: acervo digital do Capixaba da Gema; autoria não identificada.
Antiga estrutura do Programa Hidroviário Urbano da Grande Vitória em 1980
Registro de uma estrutura do Programa Hidroviário Urbano, datado de 1980. Imagem: acervo digital do Capixaba da Gema; autoria não identificada.
Antiga lancha de transporte de passageiros navegando na Baía de Vitória
Embarcação do antigo transporte de passageiros na Baía de Vitória. Imagem: acervo digital do Capixaba da Gema; autoria não identificada.

Por que o antigo Aquaviário acabou?

Não existe uma única explicação isolada. O encerramento veio depois de uma longa perda de demanda, mudanças na gestão e dificuldade para sustentar economicamente a operação.

A expansão das ligações rodoviárias e do sistema de ônibus também alterou os hábitos de deslocamento. Ao mesmo tempo, manter embarcações, terminais e equipes exige investimento constante e uma quantidade de passageiros capaz de sustentar o serviço.

O dado mais revelador é a queda de cerca de 5 milhões de passageiros em 1978 para 300 mil no ano do encerramento. A comparação mostra que o sistema de 2000 já tinha uma escala muito menor do que em seu auge.

Isso não significa que o transporte pela baía tenha perdido valor. Significa que uma retomada precisaria de novas embarcações, integração tarifária, localização adequada das estações e conexão com ônibus e ciclovias.

O Aquaviário voltou em 2023

Mais de 20 anos depois, o Governo do Espírito Santo retomou o serviço em agosto de 2023. A nova operação começou com estações na Praça do Papa, em Vitória; Prainha, em Vila Velha; e Porto de Santana, em Cariacica.

O projeto atual não é uma simples continuação das antigas lanchas. Ele foi implantado com novas estruturas, acessibilidade, embarcações climatizadas e integração ao Transcol pelo CartãoGV.

As linhas oficiais conectam Porto de Santana à Praça do Papa, Praça do Papa à Prainha e Porto de Santana à Prainha. Horários e eventuais mudanças devem ser consultados diretamente na Ceturb.

Em abril de 2026, a Estação Élcio Álvares foi inaugurada junto à Rodoviária de Vitória. A página oficial da Ceturb já inclui o endereço entre as estações do sistema.

Até dezembro de 2025, o novo Aquaviário havia transportado mais de 1,2 milhão de passageiros. O número é relevante, mas ainda não deve ser comparado diretamente com 1978 sem considerar população, rotas e metodologias diferentes.

Novas estações recuperam lugares do passado

Em março de 2026, o Estado anunciou três novas estações em Vitória: São Pedro, Centro e Dom Bosco. Também foi autorizada a reforma da estação da Praça do Papa.

O pacote foi divulgado com investimento total de R$ 61,8 milhões. Desse valor, R$ 45 milhões foram destinados às estações do Centro e de Dom Bosco, R$ 15 milhões a São Pedro e R$ 1,8 milhão à Praça do Papa.

Os prazos oficiais dependem da obtenção das licenças necessárias. Portanto, o anúncio de obra não deve ser tratado como estação já entregue.

A volta de Dom Bosco e do Centro ao mapa aquaviário cria uma ligação direta entre memória e mobilidade atual. São áreas que aparecem na história do antigo sistema e voltam a ser consideradas na expansão da rede.

1978: auge registrado

O sistema chegou a cerca de 5 milhões de passageiros naquele ano.

2000: fim da antiga operação

O serviço foi encerrado depois de cair para aproximadamente 300 mil passageiros anuais.

Agosto de 2023: retomada

Prainha, Praça do Papa e Porto de Santana iniciaram a nova fase do Aquaviário.

Março de 2026: expansão anunciada

São Pedro, Centro e Dom Bosco foram incluídos no novo pacote de estações em Vitória.

Abril de 2026: Rodoviária

A Estação Élcio Álvares passou a integrar o sistema junto à Rodoviária de Vitória.

Antigo e novo sistema: o que mudou

AspectoAntigo sistemaSistema atual
PeríodoOperação metropolitana encerrada em 2000Em operação desde agosto de 2023
PagamentoTarifa própria conforme a fase da operaçãoIntegração com o Transcol por CartãoGV
EstruturaLanchas e terminais com padrões da épocaEmbarcações climatizadas, acessibilidade, banheiro e bicicletário
PontosRede e rotas modificadas ao longo dos anosEstações e linhas divulgadas oficialmente pela Ceturb
ExpansãoO sistema perdeu demanda até ser encerradoNovas estações foram entregues ou anunciadas em 2026

Mais do que nostalgia

As fotos dos antigos terminais aquaviários despertam lembranças de quem atravessava a baía para trabalhar ou resolver tarefas do dia a dia. Elas também mostram como a água sempre foi uma via natural de ligação entre as cidades.

A retomada do Aquaviário não elimina os congestionamentos da Grande Vitória sozinha. Seu resultado depende de frequência, confiabilidade, integração e facilidade para chegar às estações.

Ao mesmo tempo, o trajeto oferece outra forma de observar a capital, o Penedo e as margens de Vila Velha e Cariacica.

Para entender melhor esse cenário, veja também por que Vitória é uma ilha e o registro do pôr do sol na Baía de Vitória.

Perguntas frequentes

Quando o antigo Aquaviário da Grande Vitória foi encerrado?

A antiga operação metropolitana terminou em 2000, depois de uma forte redução no número de passageiros.

Quando o Aquaviário voltou a funcionar?

O novo sistema começou a operar em agosto de 2023, inicialmente entre Praça do Papa, Prainha e Porto de Santana.

Quais cidades são atendidas?

O Aquaviário atende Vitória, Vila Velha e Cariacica. A rede atual está em expansão e os endereços oficiais devem ser conferidos na Ceturb.

Dom Bosco terá novamente uma estação aquaviária?

Sim. Uma nova estação em Dom Bosco foi anunciada em março de 2026. O prazo depende das licenças e da execução da obra.

O Terminal Dom Bosco de ônibus era a estação aquaviária?

Não. Eram estruturas diferentes. O terminal rodoviário recebia linhas de ônibus, enquanto a estação aquaviária atendia embarcações.

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