Maior que um T-Rex: Conheça a Titanoboa, a cobra de 14 metros
Há 58 milhões de anos, as selvas úmidas da América do Sul abrigavam um predador sem igual. Fósseis encontrados na mina de Cerrejón, na Colômbia, revelaram a existência da Titanoboa, uma serpente colossal capaz de atingir 14 metros e pesar mais de uma tonelada. Neste artigo, exploramos a dieta, o habitat e o mistério por trás do ‘rei das serpentes’ do Paleoceno.
Embora a extinção dos dinossauros, há cerca de 65,5 milhões de anos, tenha marcado o início da Era Cenozoica — conhecida como a “Era dos Mamíferos” — a Terra ainda não havia terminado com os répteis gigantes. Estudos paleontológicos confirmam a existência da Titanoboa cerrejonensis, uma serpente colossal que faria as anacondas modernas parecerem pequenas e que reinou nos pântanos da atual Colômbia há cerca de 58 milhões de anos.
O Instituto Smithsonian, em colaboração com diversas entidades científicas, chegou a criar uma réplica em tamanho real e cientificamente precisa do animal, destacando o impacto desta descoberta para a compreensão da biodiversidade do período Paleoceno.
Um mundo perdido em Cerrejón
As evidências desse gigante pré-histórico foram encontradas em Cerrejón, uma vasta mina de carvão no norte da Colômbia. Trabalhando ao lado de mineradores, paleontólogos desenterraram milhares de fósseis que datam do início do Paleoceno.
O local revelou um ecossistema tropical e pantanoso, semelhante ao atual Delta do Rio Amazonas, habitado por tartarugas com cascos de 1,7 metros, peixes de rio e predadores crocodilianos. Foi neste ambiente quente e úmido que a Titanoboa prosperou.
As dimensões do monstro
A partir de fósseis de 28 espécimes, incluindo vértebras, costelas e material craniano raro, os cientistas conseguiram reconstruir as dimensões do animal. As estimativas indicam que a Titanoboa media entre 12,8 e 14,3 metros de comprimento e pesava cerca de 1,1 tonelada.
Para fins de comparação, a Titanoboa tinha um comprimento similar ao do Tyrannosaurus rex. Ela supera largamente a sucuri-verde (a cobra mais pesada da atualidade) e a píton-reticulada (a mais longa), consolidando-se como a maior cobra conhecida pela ciência, viva ou extinta.
Análises anatômicas classificam a Titanoboa como um boídeo (família das jiboias), parente distante da jiboia-vermelha moderna e da anaconda.
Dieta e comportamento
Embora exposições museológicas tenham retratado a Titanoboa devorando crocodilos, estudos da estrutura de sua cabeça sugerem uma dieta peculiar. A anatomia de seus dentes e mandíbula assemelha-se à de cobras modernas que se especializam em comer peixes. Se confirmado, isso faria da Titanoboa o único boídeo piscívoro registrado.
Assim como as anacondas atuais, acredita-se que ela passava grande parte do tempo na água, o que ajudava a sustentar seu peso massivo e a lidar com o calor equatorial.
O “Termômetro Gigante” e o debate climático
A descoberta da Titanoboa, liderada pelo paleontólogo Jason Head, levantou debates sobre o clima da Terra no passado. Head propôs que a serpente funcionava como um “termômetro gigante”: sendo um animal de sangue frio desse porte, ela precisaria de temperaturas médias anuais entre 30°C e 34°C para sobreviver.
No entanto, essa teoria é contestada por outros especialistas, como Kale Sniderman, da Universidade de Melbourne. Ele aponta que répteis gigantes, como o lagarto Varanus priscus (parente do Dragão de Komodo com 5,5 metros), viveram na Austrália durante o Pleistoceno, uma época significativamente mais fria que a atual. Isso sugere que o tamanho desses animais pode não depender exclusivamente de um clima opressivamente quente, mas sim da falta de competição com mamíferos.
Boato viral desmentido
Recentemente, a Titanoboa voltou às manchetes devido a um vídeo viral no TikTok que alegava mostrar um esqueleto gigante de cobra visível no Google Maps, na costa da França.
O caso, no entanto, foi desmentido. A imagem tratava-se de “Le Serpent d’Océan”, uma escultura metálica de alumínio criada pelo artista chinês Huang Yong Ping. A obra de arte, situada na costa, é revelada a cada maré baixa, simulando uma escavação arqueológica, mas não possui relação com o animal real.
O fim de um gigante
A extinção da Titanoboa ainda não é totalmente compreendida, mas as hipóteses principais apontam para mudanças climáticas que resfriaram o ambiente e o surgimento de grandes mamíferos que aumentaram a competição por recursos, tornando o mundo menos favorável para um réptil dessas proporções.
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