O Mapa do Tesouro: As 8 novas rotas turísticas do Espírito Santo para 2026
Muito além da moqueca e da praia. O turismo capixaba se reinventou com a oficialização de 8 novas rotas temáticas. Se você curte história, precisa conhecer a Rota do Queimado na Serra. Se prefere aventura, os Pontões de Mimoso do Sul esperam por você. Confira o guia exclusivo das novidades de 2026.
Enquanto a maioria dos turistas disputa um centímetro de areia nas praias de Guarapari ou na Curva da Jurema, o Espírito Santo “desbloqueou” silenciosamente um novo nível de exploração turística. Em um movimento estratégico para descentralizar o turismo e valorizar o interior, a Assembleia Legislativa e o Governo do Estado oficializaram, por meio de novas leis sancionadas entre 2024 e 2025, 8 novas rotas turísticas.
Esses caminhos não são apenas placas na estrada; são destinos que receberam investimento em sinalização, pavimentação e capacitação local. Se você quer fugir do óbvio neste verão de 2026 e ter histórias inéditas para contar, este é o seu guia exclusivo.
1. Aventura e Gigantes de Pedra
O Espírito Santo é um estado vertical. As novas rotas de aventura aproveitam a geografia acidentada para oferecer experiências que misturam adrenalina e contemplação.
Rota dos Pontões Capixabas (Mimoso do Sul e Muqui)
Apelidada carinhosamente de “Capadócia Capixaba” (só que verde), esta rota é um deslumbre visual. Localizada no sul do estado, a região é marcada por formações rochosas pontiagudas que emergem de vales profundos cobertos por cafezais.
O Que Fazer: O destaque absoluto é o Pontão da Muquileta. A rota oficializou trilhas que antes eram conhecidas apenas por moradores. Agora, é possível contratar guias locais para trekkings que levam à base das pedras. O cicloturismo também ganhou força, com trajetos demarcados que passam por fazendas históricas do ciclo do café.
Como Chegar: O acesso principal é pela BR-101 Sul. Entre no trevo de Mimoso do Sul e siga em direção ao distrito de Conceição de Muqui. A estrada é cênica, asfaltada na maior parte, mas com trechos de terra batida bem conservados.
Infraestrutura: A região conta com o charme do turismo rural. Não espere hotéis de luxo, mas sim pousadas de agroturismo (cama e café) onde você é recebido pelos donos com broa de milho e café moído na hora.
Rota do Itabira (Cachoeiro de Itapemirim)
O Pico do Itabira (“Pedra Empinada” em tupi) é o cartão-postal de Cachoeiro, mas a nova rota organizou o turismo no seu entorno.
O Que Fazer: A rota circunda o monólito de granito. Para os aventureiros, é um dos melhores pontos de escalada técnica do Brasil. Para quem prefere terra firme, as novas trilhas de Mountain Bike e caminhada ecológica oferecem ângulos inéditos da pedra, especialmente bonitos ao pôr do sol, quando a rocha ganha tons dourados.
Dica: Aproveite para visitar as propriedades de agroturismo no entorno que vendem cachaça artesanal e embutidos.
2. História Viva: O Resgate da Memória
A oficialização destas rotas é também um ato de preservação histórica, colocando luz sobre eventos cruciais do Brasil Império.
Rota da Insurreição do Queimado (Serra)
Esta é, talvez, a rota mais emocionante e culturalmente rica da lista. Localizada na Serra, na Grande Vitória, ela leva às Ruínas da Igreja de São José do Queimado, palco da maior revolta de escravizados do Espírito Santo, ocorrida em 1849.
O Que Fazer: O Sítio Histórico foi restaurado e entregue como um museu a céu aberto. A visita às ruínas da igreja, sem teto e com paredes de pedra imponentes, é impactante. A nova rota inclui paradas explicativas sobre a história de Chico Prego (líder da revolta) e mirantes com vista para a Mestre Álvaro. À noite, a iluminação cênica dá um tom místico ao local.
Como Chegar: O acesso melhorou muito para 2026. A partir de Serra-Sede, siga as placas para Queimado. A estrada foi pavimentada em grande parte do trajeto. Fica a cerca de 45 minutos de Vitória.
Infraestrutura: O local possui guarita e banheiros, mas não há venda de alimentos no sítio histórico. A dica é almoçar nos restaurantes de agroturismo da região da Serra (Circuito Guaranhuns ou Pitanga) antes ou depois da visita.
3. Gastronomia: Sabores do Norte e das Montanhas
Se o seu turismo é movido pelo estômago, o Norte do estado preparou duas rotas que são verdadeiras peregrinações culinárias.
Rota da Carne de Sol (Montanha, Mucurici e Ponto Belo)
No extremo norte, onde o sol brilha forte e o clima lembra o sertão nordestino, nasceu a melhor carne de sol do estado.
A Experiência: A rota conecta restaurantes familiares e produtores artesanais. O prato clássico aqui é a carne de sol servida com aipim (mandioca) derretendo na manteiga de garrafa, acompanhada de feijão verde. Diferente da carne de sol industrializada, aqui o processo de cura é uma arte passada de geração em geração.
Dica: Leve um cooler (isopor). É impossível sair de lá sem comprar alguns quilos de carne embalada a vácuo para levar para casa.
Rota das Especiarias (São Mateus e Jaguaré)
O Espírito Santo é o maior exportador de pimenta-do-reino do Brasil, e essa rota celebra o “ouro negro” capixaba.
O Que Fazer: Visitas guiadas a fazendas de pimenta, onde o turista aprende a diferença entre a pimenta verde, branca, preta e rosa. Além disso, a rota inclui produtores de macadâmia e café conilon. A degustação inclui azeites aromatizados, geleias picantes e licores exóticos.
4. Ecoturismo e Raízes Capixabas (O Detalhe que Faltava)
Estas quatro rotas completam o “mapa do tesouro” recém-oficializado, focando em nichos específicos: observação de pássaros, cultura tropeira, agronegócio de experiência e doçura tropical.
Rota do Vale do Empoçado (Afonso Cláudio)
Esta é, sem dúvida, a rota mais fotogênica do interior para quem ama natureza bruta. Localizada em Afonso Cláudio, a região é um vale cercado por paredões de granito gigantescos, criando uma “bacia” natural de biodiversidade única.
O Que Fazer: O cartão-postal é a Pedra dos Três Pontões (não confundir com a de Mimoso; esta é mais “maciça” e imponente). A rota se consolidou como o melhor destino de Birdwatching (observação de pássaros) do estado em 2026, atraindo fotógrafos do mundo todo em busca do “Colirinho”, uma ave rara. Além disso, as trilhas levam a cachoeiras escondidas no meio da mata preservada.
Como Chegar: Acesso pela BR-262 até a altura de Venda Nova do Imigrante, seguindo pela ES-165 em direção a Afonso Cláudio. A estrada é sinuosa e linda, cercada por hortênsias e mata.
Infraestrutura: A região possui pousadas de charme focadas no silêncio e na desconexão digital. O destaque é a culinária caseira servida em fogão a lenha nas propriedades rurais.

Rota dos Tropeiros (Ibatiba)
Enquanto o litoral olha para o mar, Ibatiba olha para a história das estradas. Esta rota resgata a memória dos tropeiros que, nos séculos passados, conectavam o Espírito Santo a Minas Gerais no lombo de mulas. É uma imersão cultural profunda.
O Que Fazer: É uma rota de “museu vivo” e gastronomia. Visite o Monumento ao Tropeiro e o Museu do Tropeiro para entender a história. Mas a atração principal é o paladar: aqui se come o Feijão Tropeiro Capixaba autêntico, que leva ingredientes locais e tem um tempero diferente da versão mineira. Em 2026, os festivais gastronômicos de rua na cidade ganharam força, onde se pode provar a culinária rústica feita em panelas de ferro.
Como Chegar: A cidade fica às margens da BR-262, na divisa com Minas Gerais. É uma parada estratégica e perfeita para quem está subindo para o Caparaó.
Infraestrutura: Cidade com boa estrutura de serviços, hotéis comerciais confortáveis e restaurantes familiares tradicionais.
Rota do Abacaxi (Marataízes e Itapemirim)
Muitos turistas vão a Marataízes apenas pela praia e desconhecem que, a poucos quilômetros da orla, existe um mar verde de bromélias. A região de Brejo dos Patos produz um dos abacaxis mais doces do Brasil devido ao solo e ao clima litorâneo.
O Que Fazer: A experiência aqui é o “colhe e pague” e a degustação. As fazendas abriram suas portas para que o turista entre na plantação (com proteção nas pernas, fornecida pelos locais) e colha a fruta. Comer o abacaxi fatiado na hora, ainda morno do sol, é uma experiência sensorial incrível – ele é tão doce que parece ter mel. Não deixe de provar as compotas, geleias e o famoso picolé de abacaxi da região.
Como Chegar: Acesso pela Rodovia do Sol (ES-060). Ao chegar em Marataízes, siga as placas para a localidade de Brejo dos Patos. As estradas vicinais são de terra, mas planas e transitáveis.
Infraestrutura: É um passeio de meio período (bate-volta da praia). A estrutura é de bancas de produtores e sítios familiares, simples e muito acolhedores.
Rota das Especiarias (São Mateus e Jaguaré)
O Espírito Santo é uma potência mundial na pimenta-do-reino (“Ouro Negro”), e esta rota transforma o agronegócio em atração turística de alto nível, similar ao que se faz com o vinho no sul.
O Que Fazer: O foco é o turismo de experiência sensorial. Você visitará fazendas tecnificadas onde aprenderá a diferença entre as pimentas (verde, preta, branca e rosa – que vêm da mesma planta, mudando apenas a maturação e secagem). As visitas incluem degustação de azeites aromatizados, molhos, chocolates com pimenta e até cervejas artesanais locais com especiarias. É uma aula de química e sabor.
Como Chegar: Via BR-101 Norte. A região de São Mateus e Jaguaré é plana e de fácil acesso. As fazendas costumam ficar próximas à rodovia principal.
Infraestrutura: Requer agendamento prévio em algumas fazendas (agroturismo). A cidade de São Mateus oferece excelente rede hoteleira e restaurantes que já incorporam as especiarias locais em pratos de frutos do mar.
Guia Prático de Infraestrutura e Dicas (2026)
Para explorar essas novidades com segurança e conforto, anote estas dicas atualizadas:
Conectividade: Embora o 5G tenha avançado no litoral, as rotas do interior (especialmente Queimado, Pontões e Vale do Empoçado) ainda possuem “zonas de sombra”. Baixe os mapas offline no Google Maps antes de sair do hotel.
Melhor Veículo: Para a Rota da Carne de Sol e Especiarias (Norte), qualquer carro de passeio atende bem, pois as estradas são planas. Para a Rota dos Pontões e Vale do Empoçado, um carro um pouco mais alto (SUV) oferece mais conforto nas estradas vicinais, embora não seja estritamente necessário 4×4 se não estiver chovendo.
Clima: O verão de 2026 está registrando temperaturas recordes. Nas rotas de trekking (Itabira e Queimado), inicie as atividades antes das 08h da manhã ou após as 16h. Hidratação é vital.
Hospedagem: Como são rotas novas, a rede hoteleira em cidades como Montanha e Ibatiba é modesta. A melhor estratégia é reservar com antecedência ou usar cidades-polo (como São Mateus ou Cachoeiro) como base para o “bate-volta”.
Veja também: Top 9 Destinos no Espírito Santo: Roteiro Completo do Mar às Montanhas
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