Super porcos gigantes de 300 kg invadem Canadá e miram EUA: o pesadelo que resiste ao gelo extremo!
Imagine um animal de 300 kg, extremamente inteligente, que constrói ‘iglus’ na neve para sobreviver a -50°C e se reproduz em velocidade recorde. Parece filme, mas é a realidade dos ‘super porcos’ que tomaram o Canadá. Saiba como um cruzamento genético acidental criou a espécie invasora mais perigosa do momento e por que ela está tirando o sono das autoridades na fronteira com os Estados Unidos.
A América do Norte enfrenta uma crise ecológica crescente que desafia as barreiras climáticas tradicionais. Uma população híbrida de suínos, apelidada cientificamente e pela mídia de “super porcos”, estabeleceu-se firmemente nas províncias canadenses e agora ameaça cruzar a fronteira para os estados do norte dos Estados Unidos.
Estes não são animais de fazenda comuns. Resultado de um cruzamento acidental e catastrófico entre o javali europeu (Sus scrofa) e suínos domésticos, estes animais combinam a taxa reprodutiva acelerada da biologia doméstica com a robustez e instintos de sobrevivência da espécie selvagem. Capazes de atingir pesos próximos a 300 kg (cerca de 660 libras) e dotados de uma inteligência que frustra caçadores experientes, eles representam o que especialistas da Universidade de Saskatchewan classificam como “o pior mamífero invasor do planeta”.
A Origem do Problema: Um Erro de Diversificação
A crise atual tem raízes em decisões econômicas tomadas no final dos anos 1980 e início dos anos 1990. Na tentativa de diversificar a agricultura canadense, produtores importaram javalis europeus para a produção de carne exótica e caça recreativa. No entanto, quando o mercado para essa carne colapsou no início dos anos 2000, muitos animais foram liberados intencionalmente ou escaparam de cercas inadequadas.
Na época, especialistas acreditavam que o inverno brutal das pradarias canadenses, com temperaturas atingindo -50°C, eliminaria naturalmente os animais soltos. Essa previsão provou-se tragicamente errada. A seleção natural, combinada com a genética híbrida, favoreceu os animais maiores e mais peludos, perfeitamente adaptados ao gelo.
Engenharia de Sobrevivência: O Fenômeno dos “Pigloos”
O fator mais surpreendente na expansão destes animais é a sua capacidade de adaptação ao frio extremo, desafiando a regra biológica que normalmente limita a fauna invasora a climas temperados.
Pesquisadores documentaram que estes super porcos utilizam uma estratégia de construção de abrigos conhecida como “pigloos” (uma junção de pig e igloo). Eles escavam túneis sob a neve profunda, cortando taboas (plantas típicas de áreas úmidas) com suas presas afiadas para forrar o chão, criando um isolamento térmico altamente eficiente.
O calor corporal gerado dentro destas estruturas é tão intenso que pesquisadores, ao sobrevoarem as áreas em manhãs gélidas, conseguem identificar as tocas apenas pelo vapor que sobe da neve.
Além disso, o tamanho massivo dos animais joga a seu favor. Seguindo a regra ecológica de Bergmann, corpos maiores retêm calor de forma mais eficiente, permitindo que sobrevivam onde espécies menores pereceriam.
Ameaça Iminente aos Estados Unidos
O território ocupado por estes animais expandiu-se drasticamente. Relatórios recentes de 2024 e análises contínuas indicam que a população de suínos selvagens já ocupa mais de 1 milhão de quilômetros quadrados no Canadá, com uma expansão territorial de 9% ao ano.
O foco de tensão atual reside na fronteira sul das províncias de Alberta, Saskatchewan e Manitoba. Estados americanos como Montana, Dakota do Norte e Minnesota estão em alerta máximo. Embora os EUA já lidem com porcos ferais no sul (como no Texas e Flórida), os estados do norte contavam com o “muro de gelo” do inverno como proteção natural. Os super porcos quebraram essa barreira.
O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima que os porcos selvagens já causam prejuízos anuais de US$ 2,5 bilhões à agricultura americana, valor que pode disparar caso a invasão do norte se concretize.
Impacto Devastador: Doença e Destruição
A preocupação das autoridades vai muito além de lavouras destruídas. O “super porco” atua como uma máquina de destruição ecológica e um vetor de doenças.
Risco Sanitário (Peste Suína Africana): A maior ameaça é biológica. Estes animais são reservatórios potenciais para a Peste Suína Africana (PSA). Embora a doença não esteja presente na América do Norte atualmente, a introdução do vírus em populações selvagens seria catastrófica para a indústria de suínos exportadora do Canadá e dos EUA, pois a erradicação seria quase impossível.
Predação Voraz: Sendo onívoros oportunistas, eles consomem desde plantações de milho e canola até pequenos mamíferos, ovos de aves que nidificam no solo, anfíbios e até cervos jovens. Eles alteram a química do solo ao revirar a terra em busca de raízes, destruindo habitats nativos e contaminando fontes de água.
Segurança Pública: A colisão de veículos com animais de quase 300 kg é frequentemente fatal para motoristas, além do risco de ataques diretos a humanos, embora mais raros.

O Fracasso da Caça Convencional e Novas Estratégias
Um dos paradoxos no controle desta praga é que a caça esportiva, muitas vezes vista como solução, na verdade agrava o problema. Pesquisas lideradas pelo Dr. Ryan Brook, da Universidade de Saskatchewan, mostram que a caça torna os super porcos ainda mais elusivos. Ao serem perseguidos, os bandos se dispersam, tornam-se estritamente noturnos e aprendem a evitar humanos, espalhando-se por novas áreas.
Diante disso, províncias canadenses e estados americanos formaram grupos de trabalho transfronteiriços (como o Transboundary Feral Swine Working Group) focados em erradicação total, não controle populacional. As táticas modernas incluem:
Rastreamento por GPS (“Porco Judas”): Capturar um animal, colocar um colar GPS e soltá-lo para que ele leve os controladores até o restante do bando, permitindo a eliminação do grupo inteiro.
Captura Aérea e Armadilhas Inteiras: Uso de helicópteros e currais móveis grandes que capturam o grupo familiar inteiro de uma vez, evitando a dispersão.
O consenso científico atual é sombrio: em certas regiões do Canadá, a erradicação total pode não ser mais viável devido à densidade populacional estabelecida. O foco agora mudou para a contenção agressiva, tentando impedir que essa “bomba biológica” detone na economia agrícola e nos ecossistemas dos Estados Unidos.
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