Dicionário Capixaba
Vai visitar o Espírito Santo? Aprenda as gírias essenciais como pocar, chapoca e entenda por que todo capixaba ‘salta’ do ônibus.
Quem visita o Espírito Santo logo percebe: o estado não é apenas uma mistura de Rio, Minas e Bahia. O capixaba tem identidade própria, e isso fica muito claro na língua. Com um sotaque cantado e um vocabulário exclusivo, o “capixabês” é cheio de charme e peculiaridades.
Você sabe o que significa quando alguém diz que a festa “pocou”? Ou quando te convidam para “ir pro rock”, mas não tem guitarra nenhuma envolvida? Se você quer entender a alma do Espírito Santo, precisa conhecer seu vocabulário.
Preparamos um Dicionário Básico de Capixabês para você não ficar perdido na terra da moqueca.
O Verbo Oficial do Estado: “Pocar”
Se houvesse um hino linguístico no ES, ele teria o verbo Pocar na letra. Em qualquer lugar do Brasil, um balão estoura. No Espírito Santo, ele “poca” (pronuncia-se com o “ó” bem aberto: póca).
Mas o verbo vai muito além de estourar. Ele é usado para indicar sucesso ou intensidade:
- “A festa pocou”: A festa foi um sucesso, estava lotada.
- “Ele tá pocando de rir”: Ele está rindo muito.
- “Eu vou pocar a mão na sua cara”: (Cuidado!) Alguém está ameaçando te bater.
Expressões Clássicas do Dia a Dia
O capixabês é rico em expressões que definem o cotidiano. Veja as mais comuns:
1. “Ir pro Rock”
Essa é a que mais confunde os turistas. Para o capixaba, “rock” não é um estilo musical, é sinônimo de saída ou evento social. Pode ser um churrasco, um pagode, uma balada eletrônica ou um jantar. Se alguém perguntar “Qual é o rock de hoje?”, apenas diga onde vai ser a festa.
2. “Chapoca”
Usado para definir algo muito grande ou exagerado. Exemplo: “Tinha uma chapoca de pedra no meio da estrada.” Existe também a variação “chapocura”, usada para enfatizar o tamanho.
3. “Bicho”
É a vírgula do capixaba. Serve para amigos, desconhecidos ou como interjeição de espanto. Exemplo: “Rapaz, que trânsito é esse na Terceira Ponte, bicho?!”
4. “Pegar” e “Saltar”
No transporte coletivo, a lógica é própria. O capixaba não “toma” o ônibus, ele pega. E, o mais importante: ele não “desce” no ponto final, ele salta. Exemplo: “Motorista, vou saltar no próximo ponto!”
Hábitos e Manias Capixabas
Além das palavras, o comportamento do morador do Espírito Santo tem traços únicos que você precisa conhecer.
A Polêmica Pizza de Frango com Catupiry
Enquanto em muitos lugares (especialmente no Rio e SP) essa combinação é olhada torto, no Espírito Santo ela é instituição sagrada. A pizza de frango com catupiry é uma das mais pedidas nas pizzarias locais. Criticar é quase uma ofensa pessoal.
O “Podrão” da Madrugada
Fim de festa no ES tem destino certo: o trailer de lanche. Chamado carinhosamente de “podrão” (pelo aspecto popular e gorduroso, mas delicioso), é onde a noite termina. É o lugar perfeito para comer um hambúrguer cheio de “tudo que tem direito” e paquerar.
Geolocalização por Referência
Tentar achar um endereço em Vitória pelo nome da rua pode ser difícil. O capixaba se guia por referências, mesmo que elas não existam mais. Exemplo: “Fica ali perto da antiga Dadalto, do lado da barraquinha de coco.”
“Ir na Cidade”
Mesmo morando em Vitória ou Vila Velha, cidades grandes e urbanizadas, os moradores mais antigos costumam dizer que vão “na Cidade” quando se referem especificamente ao Centro de Vitória.
O Labirinto de Jardim da Penha
O bairro de Jardim da Penha, em Vitória, é famoso por suas inúmeras pracinhas e ruas com nomes de canais. Para quem é de fora, é um labirinto. Se perder nas pracinhas é quase um rito de passagem para o turista.
Curiosidade: A Lenda da Mulher de Algodão
Toda cultura tem seus mitos, e o ES tem a aterrorizante “Mulher de Algodão”. A lenda urbana, muito forte nas escolas entre os anos 90 e 2000, conta a história do espírito de uma mulher que assombrava banheiros escolares. Até hoje, a história é lembrada com nostalgia (e algum medo) pelos locais.
Conclusão
O Espírito Santo é um estado que acolhe, mas que defende suas raízes com orgulho. Entender o dicionário capixaba é a melhor forma de quebrar o gelo e se enturmar, afinal, o capixaba pode parecer fechado no início (cumprimentando apenas conhecidos na mesa do bar), mas logo se solta.
Agora que você já sabe o que é pocar e qual é o rock de hoje, está pronto para explorar as belezas capixabas!
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