Atualizado em 17 de julho de 2026. A Prefeitura marcou a entrega do primeiro trecho da nova orla para 18 de julho, às 16h30. Quem ler depois dessa data deve confirmar a situação atual das obras e dos acessos.
Antes de ser chamado de Canal de Camburi ou Canal da Passagem, esse braço d’água aparecia em documentos como Rio Maruhype. A atual Praia de Camburi era conhecida como Praia do Rirahem, e Santa Luiza carregava o nome de Bairro Bomba.
A mudança dos nomes acompanha uma transformação maior. A área deixou de ser o limite norte da Vitória urbana, cercada por manguezais e ocupação rarefeita, para se tornar ligação entre bairros, corredor de mobilidade e novo espaço público às margens da água.
Em resumo: o primeiro trecho da nova Orla do Canal de Camburi fica entre a Ponte de Camburi e a Rua Moacir Strauch, na Praia do Canto. A estrutura inclui deque, atracadouros, flutuantes, bancos, jardineiras e guarda-corpo. O projeto completo prevê 3,3 quilômetros de passeio para pedestres e ciclistas.
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Nova Orla do Canal de Camburi: o que muda
A Prefeitura de Vitória marcou para 18 de julho de 2026 a entrega do primeiro trecho da requalificação, localizado entre a Ponte de Camburi e a Rua Moacir Strauch, na Praia do Canto. A inauguração foi anunciada para as 16h30, no final da Rua Aleixo Netto.
Esse trecho possui:
- deque de circulação e contemplação;
- atracadouros e estruturas flutuantes;
- bancos e jardineiras;
- guarda-corpo junto à água;
- área pública de convivência.
O empreendimento completo divulgado pelo município prevê aproximadamente 3,3 quilômetros de passeio público para pedestres e ciclistas, com cerca de 32 mil metros quadrados de área construída. O projeto abrange margens da Praia do Canto, Barro Vermelho, Santa Luiza e Pontal de Camburi.
A Prefeitura informa investimento de R$ 219,9 milhões no conjunto da urbanização do canal. O planejamento maior inclui marina, atracadouros, quiosques, restaurantes, passarelas e ligação entre as margens. Nem todos esses equipamentos fazem parte do trecho inicialmente aberto.
Não confunda a primeira entrega com a conclusão de todo o projeto. Em julho de 2026, outras etapas continuavam em execução. A abertura de um trecho não significa que os 3,3 quilômetros e todos os equipamentos estejam prontos.
Quando o Canal de Camburi era o Rio Maruhype
Uma planta de situação de 1929 registra nomes que desapareceram do uso cotidiano. O canal era indicado como Rio Maruhype. A Praia de Camburi aparecia como Praia do Rirahem. Já a área de Santa Luiza era chamada Bairro Bomba, referência a um posto de abastecimento existente na região.
Naquele período, a paisagem era dominada por manguezais, terrenos alagáveis e vegetação costeira. O canal funcionava como uma barreira natural entre a ilha de Vitória e a parte continental do município.
Esses nomes antigos não significam que o lugar fosse vazio. A área possuía circulação de pessoas, pequenas ocupações, atividades ligadas à água e caminhos em direção ao norte do Espírito Santo. O que ainda não existia era a urbanização contínua vista hoje.
O Novo Arrabalde e a expansão para o norte
Em 1896, o engenheiro sanitarista Francisco Saturnino Rodrigues de Brito apresentou o projeto do Novo Arrabalde. Contratado no governo de Muniz Freire, ele propôs ampliar Vitória para áreas além do núcleo histórico.
O plano combinava saneamento, abertura de vias, drenagem e reserva de áreas para crescimento urbano. O Canal de Camburi aparecia como limite dessa expansão.
A crise econômica do fim do século XIX impediu a execução integral do projeto. Mesmo assim, suas diretrizes influenciaram o crescimento posterior, principalmente na Praia do Canto, Barro Vermelho, Santa Lúcia e regiões próximas.
Nas décadas de 1920 e 1930, aterros e novas avenidas aceleraram a ocupação. Em 1946, um plano supervisionado pelo urbanista francês Alfred Agache manteve a expansão para o norte e indicou novos aterros e áreas urbanizáveis.
Da Fazenda Mata da Praia a Jardim da Penha
A margem continental do canal fazia parte da Fazenda Mata da Praia, também conhecida como Sítio Queiroz. A propriedade foi registrada em 1891 em nome do capitão Justiniano Azambuja Meyrelles.
Onde hoje estão Jardim da Penha e parte da Universidade Federal do Espírito Santo havia restinga e Mata Atlântica, com cajueiros, goiabeiras, palmeiras, bromélias e orquídeas.
A primeira tentativa de loteamento ocorreu em 1928, durante a construção da Ponte da Passagem. A ocupação ganhou mais força na década de 1950, quando a Prefeitura aprovou um loteamento com cerca de 1.400 lotes e avenidas diagonais.
O crescimento foi gradual. Na década de 1960, Jardim da Penha ainda tinha poucas casas e infraestrutura limitada. A consolidação veio com aterros, novas pontes e grandes empreendimentos instalados na parte continental de Vitória.
As pontes que transformaram o Canal da Passagem
A primeira ligação conhecida entre a ilha e o continente foi uma ponte simples de madeira, construída no fim do século XVIII. Pessoas e animais de carga utilizavam a travessia.
A antiga estrutura foi substituída pela Ponte da Passagem, construída entre 1927 e 1930. Ela permaneceu como principal ligação viária da região até a abertura da Ponte de Camburi, em 1966.
A primeira Ponte de Camburi desabou no ano seguinte e foi reconstruída em 1969. Mais tarde, recebeu o nome de Ponte Ceciliano Abel de Almeida. Na década de 1980, a Ponte Petrônio Portela foi construída em paralelo para ampliar a capacidade de tráfego.
A Ponte Ayrton Senna surgiu em 1996. Em 2009, a antiga Ponte da Passagem foi substituída pela Ponte Governador Carlos Fernando Monteiro Lindenberg, estrutura estaiada com 270 metros de extensão.
Linha do tempo do Canal de Camburi
| Ano ou período | Acontecimento |
|---|---|
| Fim do século XVIII | Construção de uma ponte simples de madeira ligando a ilha ao continente. |
| 1896 | O projeto do Novo Arrabalde define o canal como limite da expansão urbana planejada. |
| 1927 a 1930 | Construção da Ponte da Passagem. |
| 1929 | Documento registra Rio Maruhype, Praia do Rirahem e Bairro Bomba. |
| Década de 1950 | Aprovação do loteamento que impulsionou Jardim da Penha. |
| 1966 a 1969 | Construção, queda e reconstrução da primeira Ponte de Camburi. |
| Década de 1980 | Construção da Ponte Petrônio Portela. |
| 1996 | Inauguração da Ponte Ayrton Senna. |
| 2009 | Entrega da atual ponte estaiada da Passagem. |
| 2026 | Abertura programada do primeiro trecho da nova Orla do Canal de Camburi. |
Como conhecer a nova Orla do Canal de Camburi
O ponto divulgado para a entrega inicial fica no final da Rua Aleixo Netto, na Praia do Canto. O trecho aberto segue em direção à Ponte de Camburi e à Rua Moacir Strauch.
A melhor forma de conhecer é a pé ou de bicicleta, respeitando a sinalização e a separação dos fluxos. Não foi divulgado estacionamento exclusivo para visitantes. Em períodos movimentados, transporte por aplicativo ou transporte coletivo pode evitar a procura por vagas nas ruas próximas.
Local de referência:
Final da Rua Aleixo Netto, Praia do Canto.
Entrada:
Espaço público e gratuito.
Melhor horário:
Manhã ou fim da tarde.
Atividades:
Caminhada, contemplação, fotografia e mobilidade de bicicleta.
A nova orla não foi divulgada como área de banho. Não pule do deque, não ultrapasse guarda-corpos e respeite as orientações sobre embarcações, atracadouros e trechos ainda em obra.
Combine o passeio com a Praia de Camburi, a Praça dos Namorados e outros pontos turísticos de Vitória. Para uma visão geral da capital, consulte o guia de Vitória.
Perguntas frequentes sobre o Canal de Camburi
Qual era o antigo nome do Canal de Camburi?
Uma planta de 1929 registra o canal como Rio Maruhype. O local também é conhecido como Canal da Passagem.
Qual era o antigo nome da Praia de Camburi?
O mesmo documento histórico indica o nome Praia do Rirahem.
Por que Santa Luiza era chamada Bairro Bomba?
Segundo o Arquivo Público Municipal, a denominação estava ligada à existência de um posto de abastecimento na região.
Quando abre a nova Orla do Canal de Camburi?
A Prefeitura marcou a entrega do primeiro trecho para 18 de julho de 2026, às 16h30. A situação deve ser confirmada por quem acessar este artigo depois da data.
O projeto inteiro já está pronto?
Não. A entrega anunciada corresponde a um trecho entre a Ponte de Camburi e a Rua Moacir Strauch. Outras partes e equipamentos integram etapas posteriores.
Qual é a extensão prevista da nova orla?
O projeto completo divulgado pela Prefeitura prevê aproximadamente 3,3 quilômetros de passeio público para pedestres e ciclistas.
Pode tomar banho no canal?
A nova estrutura foi divulgada para circulação, lazer, convivência e atividades náuticas. Não entre na água sem indicação oficial e respeite a sinalização do local.
Do limite da cidade a uma nova área de convivência
A história do Canal de Camburi mostra como Vitória avançou sobre manguezais, abriu avenidas, construiu pontes e integrou a ilha à parte continental. O processo trouxe mobilidade e novos bairros, mas também modificou profundamente a paisagem natural.
A nova orla acrescenta outro capítulo. O canal deixa de ser visto apenas como passagem viária ou fundo dos bairros e passa a receber áreas de permanência voltadas para a água.
O ponto central: conhecer a nova orla fica mais interessante quando se entende que, pouco mais de um século atrás, aquele espaço marcava o fim da cidade planejada e ainda era conhecido como Rio Maruhype.
Fontes consultadas
- Prefeitura de Vitória e Arquivo Público Municipal — Rio Maruhype, Praia do Rirahem e história urbana
- Prefeitura de Vitória — entrega e estrutura do primeiro trecho
- Prefeitura de Vitória — extensão, investimento e andamento do projeto
- Prefeitura de Vitória — equipamentos previstos e áreas abrangidas
- Revista Ágora, Ufes — Novo Arrabalde e planejamento urbano de Saturnino de Brito
As fotografias históricas utilizadas foram disponibilizadas pelo Arquivo Público Municipal de Vitória. Informações revisadas em 17 de julho de 2026.






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