São Mateus, no norte do Espírito Santo, é um destino que não cabe em uma visita apressada. A cidade reúne quase cinco séculos de história, um porto colonial às margens do Rio Cricaré, ruínas religiosas, memória afro-capixaba, comunidades quilombolas, praias extensas e uma gastronomia que vai da moqueca tradicional à cozinha autoral.
O melhor roteiro combina duas bases: a sede urbana, onde estão o Sítio Histórico do Porto, o Museu Municipal e a Igreja Velha; e a Ilha de Guriri, a cerca de 10 quilômetros, onde se concentram praia, hotéis, bares, restaurantes e a vida noturna do verão.
Neste guia, você verá como chegar, quanto reservar para transporte e hospedagem, quais atrações realmente merecem tempo, onde comer, o que os visitantes elogiam e quais cuidados evitam chegar a um museu fechado, uma comunidade sem agendamento ou uma praia isolada sem estrutura.
Não trate comunidades quilombolas como atração aberta. Visitas precisam ser conduzidas ou autorizadas pela própria comunidade, por associação local ou por programação pública. Não chegue sem contato, não fotografe moradores sem consentimento e não transforme tradições vivas em cenário.
Vale a pena conhecer São Mateus?
Sim, principalmente para quem deseja conhecer um Espírito Santo que vai além das praias mais famosas do sul. São Mateus combina patrimônio, cultura negra, rio, litoral e boa oferta de serviços urbanos.
O destino funciona melhor para quem reserva pelo menos uma noite. Um bate-volta saindo de Vitória consome cerca de oito a dez horas entre ida e volta, deixando pouco tempo para conhecer a sede histórica e Guriri com calma.
Combina com
- viajantes interessados em história;
- famílias que querem praia com estrutura;
- quem busca gastronomia regional;
- pessoas que desejam conhecer a cultura afro-capixaba;
- roteiros pelo norte do Espírito Santo.
Exige mais planejamento de
- quem viaja sem carro;
- visitantes de praias rurais e isoladas;
- grupos interessados em comunidades tradicionais;
- quem pretende visitar museus fora de eventos;
- viajantes durante Réveillon, janeiro e Carnaval.
Por que São Mateus é uma das cidades históricas mais importantes do ES?
A Prefeitura registra a chegada dos primeiros colonizadores portugueses por volta de 1544. A vila tornou-se município pelo Ato Provincial de 3 de abril de 1848, embora a principal celebração local aconteça em 21 de setembro, data relacionada à tradição sobre a visita do padre José de Anchieta e ao evangelista São Mateus.
Durante séculos, o Rio Cricaré funcionou como eixo econômico. O Porto de São Mateus conectava o litoral ao interior e escoava farinha de mandioca, café e cana-de-açúcar. Ao mesmo tempo, o porto foi um dos grandes mercados de pessoas escravizadas do país, dimensão que precisa ser abordada sem romantização.
A memória afro-brasileira permanece viva em comunidades quilombolas, manifestações religiosas, jongo, culinária, música, festas e conhecimentos transmitidos entre gerações. Dados estaduais estimam 21 localidades quilombolas em São Mateus, uma das maiores concentrações do Espírito Santo.
Para uma introdução rápida aos atrativos, veja também o artigo com pontos turísticos de São Mateus.
Como chegar a São Mateus
Saindo de Vitória de carro
O acesso principal é pela BR-101 Norte. A distância rodoviária fica em torno de 220 quilômetros. Em condições normais, reserve cerca de quatro horas, mas obras, trânsito na Grande Vitória, caminhões e paradas podem aumentar o tempo.
Para Guriri, atravesse a cidade e siga a sinalização para a ilha. A praia principal fica aproximadamente 10 quilômetros distante da sede municipal.
De ônibus
Há viagens diretas entre a Rodoviária de Vitória e São Mateus. Consultas realizadas para julho de 2026 mostraram duração entre 4h10 e 4h50 e passagens aproximadamente entre R$ 95 e R$ 175 por trecho, conforme data, horário e categoria.
Do terminal de São Mateus, use transporte urbano, táxi ou aplicativo para o hotel e para Guriri. Não conte com transporte frequente até todas as praias rurais.
Saindo do sul da Bahia
São Mateus também funciona como destino para viajantes de cidades como Mucuri, Nova Viçosa e Teixeira de Freitas. O acesso rodoviário utiliza a BR-101, seguindo para o sul.
Custo de combustível sem inventar preço:
Uma viagem de ida e volta entre Vitória e São Mateus soma aproximadamente 440 quilômetros. Um carro que faz 12 km/l consumirá cerca de 37 litros. Multiplique esse volume pelo preço do combustível no dia e acrescente deslocamentos entre Centro, Guriri e praias.
Quanto custa viajar para São Mateus?
As principais atrações históricas e praias têm acesso gratuito. O orçamento se concentra em transporte, hospedagem, alimentação e passeios privados.
| Item | Faixa observada em 2026 | Observação |
|---|---|---|
| Ônibus Vitória–São Mateus | R$ 95 a R$ 175 por trecho | Varia por data, horário, categoria e disponibilidade. |
| Hotel na sede | R$ 249 a R$ 435 por diária para 2 adultos | Faixas observadas em plataformas de reserva; confirme taxas e café. |
| Hospedagem em Guriri | R$ 350 a R$ 500 por diária para 2 adultos | Valores sobem em Réveillon, janeiro, shows e Carnaval. |
| Porto, Igreja Velha e praias | Gratuitos | Estacionamento e serviços contratados podem ser cobrados. |
| Almoço ou jantar | Preço variável | Peça o cardápio. Não existe média oficial única e atual. |
| Eventos gastronômicos | Exemplo: pratos a R$ 40 | Valor divulgado em edição específica de festival; não vale o ano inteiro. |
Alta temporada muda tudo: Guriri recebe grande movimento no verão e Carnaval. Reserve hospedagem antes, pergunte sobre estacionamento e confirme se o valor inclui café da manhã, roupa de cama e taxas.
1. Sítio Histórico do Porto de São Mateus
O Porto Histórico é o ponto que melhor explica a cidade. O casario colorido fica às margens do Rio Cricaré e preserva a memória do comércio fluvial, da produção agrícola, da escravidão e das relações entre o litoral e o interior.
Em julho de 2025, o Governo do Estado entregou uma requalificação urbana de R$ 10,9 milhões, com melhorias voltadas à mobilidade, acessibilidade e preservação da ambiência histórica. Em julho de 2026, a Prefeitura apresentou novas etapas para elaborar projetos arquitetônicos de restauro dos casarões.
Como visitar
O espaço público pode ser percorrido gratuitamente. Prefira manhã ou fim da tarde, use calçado confortável e observe quais casarões estão abertos. O fato de uma fachada estar restaurada não significa que o interior receba visitação.
Relatos antigos reclamavam de iluminação e pouca estrutura noturna. Mesmo após a requalificação urbana, a visita diurna continua sendo a escolha mais simples para fotografar e entender o conjunto.
2. Museu Municipal de São Mateus
O Museu da História do Município ocupa um casarão histórico e reúne mobiliário colonial, peças arqueológicas, documentos e objetos ligados à trajetória mateense.
Uma visita guiada realizada em abril de 2026 confirma que o museu continua recebendo atividades educativas. No entanto, não foi localizado um horário público estável e atualizado para visita individual.
Antes de ir:
Confirme funcionamento com a Secretaria Municipal de Cultura ou Turismo. O contato turístico divulgado é turismo@saomateus.es.gov.br e os telefones gerais incluem (27) 3195-0100 e (27) 3763-1008.
3. Igreja Velha e igrejas históricas
A Igreja Velha é uma ruína de estilo colonial português cuja construção foi paralisada em 1853. O projeto pretendia erguer uma das maiores igrejas do município, mas ficou inacabado e se transformou em um dos símbolos locais.
O roteiro pode incluir a Igreja Matriz e a Igreja de São Benedito. Como são espaços religiosos, visite com respeito, evite interromper celebrações e confirme se o interior está aberto.
A Igreja Velha aparece com avaliação pública em torno de 4,2, baseada em dezenas de opiniões. Os visitantes costumam destacar a singularidade da ruína e sua importância para compreender a história da cidade.
4. Comunidades quilombolas e cultura afro-capixaba
São Mateus integra o território cultural do Sapê do Norte e possui forte presença quilombola. As comunidades preservam práticas agrícolas, culinária, religiosidade, jongo, festas, memórias familiares e formas próprias de organização.
Essa experiência só deve entrar no roteiro por meio de feiras, festivais, atividades públicas ou visitas conduzidas por associações e lideranças comunitárias. A prioridade é a autonomia da comunidade, não a conveniência do visitante.
- Procure programação oficial da Prefeitura e do Mapa Cultural do ES.
- Compre diretamente de produtores e artesãos quando houver feira autorizada.
- Peça consentimento antes de fotografar pessoas, casas ou cerimônias.
- Não entre em áreas comunitárias sem convite ou contato.
- Evite narrativas que reduzam comunidades vivas apenas ao passado escravista.
Turismo responsável: a melhor experiência é aquela organizada e remunerada pelos próprios moradores. Quando não houver atividade pública confirmada, conheça a história pelos museus, eventos e materiais culturais disponíveis na cidade.
5. Ilha de Guriri: praia, restaurantes e movimento de verão
Guriri é a base litorânea mais estruturada de São Mateus. A ilha possui mais de 40 quilômetros de praias, orla, quiosques, restaurantes, hospedagens, comércio e programação de verão.
A praia principal tem acesso gratuito. Visitantes elogiam a água morna e a infraestrutura, mas também relatam ondas fortes em alguns dias e lixo deixado por frequentadores. Observe o mar, procure os postos de guarda-vidas e não confunda água morna com mar sempre calmo.
O Centro Tamar Guriri possui perfil ativo e promove aberturas especiais, trilhas e atividades em datas específicas. Não o trate como museu aberto diariamente: consulte @centrotamarguriri antes de incluir no roteiro.
Use o guia completo da Ilha de Guriri em São Mateus para ver praias, preços, hospedagens e atrações da ilha.
Famílias que querem estrutura, grupos interessados em vida noturna, viajantes sem disposição para praias isoladas e pessoas que desejam usar uma única base para conhecer Barra Nova e outras áreas costeiras.
6. Barra Nova e Urussuquara
Barra Nova
Barra Nova fica na extremidade sul da Ilha de Guriri, onde o Rio Mariricu encontra o mar. O lugar tem vila, pousadas, bares, pesca e passeios de barco, mas oferece menos estrutura que Guriri.
Saindo da ilha, siga pela ES-010. A praia é gratuita. Correnteza, maré e chuva mudam o banho, especialmente perto da foz.
Veja o guia de Barra Nova em São Mateus.
Urussuquara
Urussuquara fica mais afastada, próxima à divisa com Linhares, e reúne dunas, restinga, rio e mar aberto. É indicada para quem busca paisagem rústica, fotografia e sossego, não para quem depende de comércio e mar sempre tranquilo.
A viagem funciona melhor de carro, durante o dia e com água, lanche e mapa salvo. Consulte o guia da Praia de Urussuquara.
Onde comer em São Mateus e Guriri
São Mateus oferece dois perfis gastronômicos: restaurantes urbanos na sede e casas de praia em Guriri. Os preços variam e poucos estabelecimentos mantêm cardápios públicos estáveis; confirme menu, reserva e horário diretamente.
Tatá Cozinha de Origem
@tatacozinhadeorigemCozinha autoral conduzida pelo fogo, na sede de São Mateus. É a melhor escolha da lista para um jantar mais elaborado.
Cozinha contemporâneaJantarReservaHorário divulgado: terça a sábado, das 19h às 23h. Aparece com nota 5,0 no Tripadvisor, mas baseada em uma amostra pequena de 13 avaliações.
Tucanos Gastronomia
@tucanosgastronomiaRestaurante tradicional de Guriri, em atividade desde 1997, com buffet, pratos à la carte, carnes, frutos do mar e caranguejo.
FamíliasFrutos do marGuririPercepção pública: nota 4,3 em mais de 130 avaliações, com elogios ao atendimento rápido e à variedade.
Mirante Pizza Bier
@mirantepizzabierPizzaria e bar em Guriri, em frente ao Posto 5, lado norte. É uma opção para jantar depois da praia.
PizzaDrinksNoiteHorário divulgado: de quarta a domingo, a partir das 19h. Aparece com nota 5,0 em cerca de 38 avaliações públicas.
Restaurante Recanto do Sol
@restauranterecantodosolFica a cerca de 50 metros da Praia do Bosque, em Guriri, com moquecas, porções, drinks e ambiente familiar.
MoquecaPraia do BosqueFamíliasPlanejamento: confirme o funcionamento e peça o cardápio no WhatsApp divulgado pelo estabelecimento antes de sair.
Sobre valores: não há tabela pública única e atual para comparar moquecas, buffets e pratos autorais. Peça o cardápio e confirme se o preço é individual, por quilo ou para compartilhar.
Onde se hospedar
Na sede de São Mateus
Melhor para Porto Histórico, museus, comércio, hospitais, viagens de trabalho e acesso rápido à BR-101.
Listagens consultadas mostravam hotéis entre R$ 249 e R$ 435 para duas pessoas, com avaliações geralmente entre 8,0 e 8,9.
Na Ilha de Guriri
Melhor para praia, restaurantes, eventos de verão e roteiro com Barra Nova.
As diárias observadas ficaram aproximadamente entre R$ 350 e R$ 500 para duas pessoas, aumentando bastante em datas concorridas.
Antes de reservar, confirme distância real da praia, estacionamento, café da manhã, ar-condicionado e política de cancelamento. Consulte também o guia de hospedagens em São Mateus.
O que os visitantes dizem sobre São Mateus?
As avaliações mais consistentes concentram-se em Guriri, Barra Nova, hotéis e restaurantes. Os atrativos históricos têm menos comentários recentes, por isso notas antigas não devem ser tratadas como retrato completo da experiência atual.
Pontos positivos recorrentes
- água morna e ampla faixa de areia em Guriri;
- casario e história do Porto;
- gastronomia variada;
- boa oferta de hotéis na sede;
- paisagem tranquila em Barra Nova;
- identidade cultural diferente do litoral sul.
Pontos de atenção
- ondas fortes em Guriri em alguns dias;
- lixo na praia em períodos movimentados;
- horários culturais pouco claros;
- estrutura reduzida em praias afastadas;
- necessidade de carro para roteiro amplo;
- lotação e preços maiores no verão.
São Mateus entrega mais valor quando o visitante combina história e litoral. Ir apenas a Guriri reduz a cidade a um balneário; ficar somente no Centro ignora praias, manguezais e gastronomia. O roteiro completo precisa das duas experiências.
Roteiro de dois dias em São Mateus
Dia 1: história e gastronomia
Manhã: Igreja Velha, Igreja Matriz e Museu Municipal, se o funcionamento estiver confirmado.
Almoço: restaurante na sede.
Tarde: Porto Histórico, Rio Cricaré e Praça do Mirante.
Noite: jantar no Tatá ou em outro estabelecimento reservado.
Dia 2: Ilha de Guriri
Manhã: Praia de Guriri ou Praia do Bosque.
Almoço: Tucanos ou Recanto do Sol.
Tarde: Capelinha, caminhada pela orla e atividade do Centro Tamar, somente se houver programação confirmada.
Noite: Mirante Pizza Bier ou retorno à sede.
Com um terceiro dia, escolha Barra Nova ou Urussuquara. Não tente encaixar as duas praias afastadas no mesmo dia sem planejamento.
Melhor época para visitar
São Mateus pode ser visitada o ano inteiro. A escolha depende do perfil:
- Janeiro e Carnaval: Guriri recebe shows, comércio ampliado e grande lotação.
- Outono e primavera: clima mais tranquilo para combinar patrimônio e praia.
- Inverno: menos movimento no litoral; confirme restaurantes e atrações sazonais.
- 21 de setembro: período ligado à festa da cidade e ao padroeiro.
- Eventos quilombolas e culturais: acompanhe apenas programações oficiais e comunitárias.
Perguntas frequentes sobre São Mateus
Quantos dias ficar em São Mateus?
Dois dias permitem conhecer o Centro Histórico e Guriri. Três dias são melhores para incluir Barra Nova ou Urussuquara.
São Mateus fica longe de Vitória?
A cidade fica a aproximadamente 220 quilômetros pela BR-101. Reserve cerca de quatro horas de carro, dependendo do trânsito.
Vale a pena ficar em Guriri ou no Centro?
Guriri é melhor para praia e vida noturna. O Centro é mais prático para patrimônio, serviços urbanos e viagem de negócios.
As atrações históricas cobram entrada?
Porto, Igreja Velha, igrejas e áreas públicas têm acesso gratuito. Confirme funcionamento de museus e interiores.
Posso visitar uma comunidade quilombola?
Somente com programação pública, convite, associação ou visita organizada pela própria comunidade. Não apareça sem contato prévio.
Guriri tem mar calmo?
Não permanentemente. A água costuma ser morna, mas ondas e correnteza variam. Observe guarda-vidas e condições do dia.
Precisa de carro?
Não para um roteiro restrito à sede ou a Guriri, mas o carro facilita muito o acesso a Barra Nova, Urussuquara e pontos rurais.
O Centro Tamar Guriri abre todos os dias?
Não foi confirmado funcionamento diário. O perfil oficial divulga atividades e aberturas especiais. Consulte antes de ir.
Quanto custa a hospedagem?
Listagens de 2026 mostravam diárias aproximadas entre R$ 249 e R$ 435 na sede e R$ 350 a R$ 500 em Guriri para duas pessoas, sujeitas a mudança.
São Mateus merece entrar no roteiro?
São Mateus é um dos destinos mais completos do norte capixaba porque não depende de uma única atração. O Porto Histórico explica a formação econômica e social da região; a cultura quilombola mantém saberes vivos; Guriri oferece estrutura de praia; e Barra Nova e Urussuquara revelam um litoral mais rústico.
O erro é chegar sem escolher uma base e sem confirmar horários. Com dois dias organizados, a cidade entrega história, comida, mar e identidade em uma viagem que foge do roteiro capixaba mais previsível.
Para continuar pelo norte, veja também Itaúnas, o guia do norte do Espírito Santo e a seleção de lugares para uma viagem pelo estado.







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