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Cientistas marcam 42 cachalotes e descobrem truque para dormir

Estudo com sensores na costa da Noruega mostra que cachalotes liberam bolhas para controlar a flutuação durante o descanso vertical.

Por · 24 de julho de 2026 · 4 minutos

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Um estudo publicado no Journal of Experimental Biology revelou como os cachalotes conseguem permanecer quase imóveis, em posição vertical, poucos metros abaixo da superfície. Durante o descanso, esses gigantes marinhos liberam bolhas para reduzir a flutuação e evitar uma subida involuntária.

A conclusão veio da análise de dados obtidos na costa da Noruega. Os pesquisadores colocaram sensores com ventosas em 42 cachalotes. Esses equipamentos registraram profundidade, movimentos tridimensionais e sons produzidos pelos animais. Depois, a equipe comparou os registros com uma simulação física baseada na densidade dos tecidos, no arrasto da água e no volume de gás carregado pelo corpo.

Descoberta principal Os cachalotes ajustam a própria flutuação enquanto descansam. Ao soltar bolhas, eles reduzem o volume de gás e conseguem permanecer submersos com menor esforço.
Cachalote nadando no oceano, espécie estudada por pesquisadores na Noruega
O cachalote é o maior cetáceo com dentes do planeta e realiza mergulhos profundos em busca de alimento.

Por que os cachalotes descansam na vertical?

Durante os períodos de repouso, os cachalotes costumam ficar com a cabeça voltada para cima. Essa posição mantém o animal perto do ar, mas abaixo da parte mais agitada do mar. Assim, ele evita o impacto constante das ondas e não precisa gastar energia descendo para águas muito profundas.

O problema é que o corpo tende a subir. Como o cachalote prende a respiração durante o mergulho, o gás presente nos pulmões se expande à medida que a pressão diminui. Esse processo aumenta a flutuação, como acontece com um objeto cheio de ar que se aproxima da superfície.

Por isso, liberar bolhas funciona como um ajuste fino. O animal elimina parte do gás, reduz a força que o empurra para cima e alcança uma condição próxima da flutuação neutra. Em outras palavras, ele consegue permanecer na mesma faixa de profundidade sem nadar continuamente.

Dos 42 animais marcados, dez entraram na análise detalhada

Embora a equipe tenha colocado sensores em 42 cachalotes, a simulação foi comparada aos perfis de profundidade de dez indivíduos que apresentaram o tipo de descanso analisado. Todos eles liberaram bolhas nesses períodos.

Esse recorte é importante porque evita uma interpretação exagerada. O estudo apresenta evidências fortes de controle ativo da flutuação, mas não significa que cada cachalote observado tenha exibido exatamente o mesmo padrão. Ainda assim, os resultados sustentam a hipótese de que as bolhas ajudam os animais a permanecer submersos durante o repouso.

Dado do estudo O que significa
42 cachalotes marcados Os sensores coletaram sons, profundidade e movimentos na costa da Noruega.
10 perfis usados na simulação Esses indivíduos apresentaram o padrão de descanso analisado em detalhe.
Liberação de bolhas O comportamento reduziu a flutuação positiva durante o repouso.
Menor volume inicial de gás Os animais parecem iniciar o descanso com menos ar do que nos mergulhos de alimentação.

Os cachalotes realmente dormem nesse momento?

Os cientistas adotam cautela. Como ainda não foi possível medir a atividade cerebral de cachalotes selvagens em repouso com um eletroencefalograma, o artigo científico usa principalmente o termo “descanso”. A postura vertical e a baixa atividade indicam um estado associado ao sono, porém a confirmação fisiológica continua limitada.

Mesmo assim, a descoberta mostra um nível elevado de controle corporal. Caso os animais estejam de fato dormindo, eles conseguem ajustar a posição na coluna d’água durante esse período. Isso é especialmente relevante para um mamífero que precisa subir para respirar.

Outra hipótese em análise A liberação de bolhas também pode ajudar a eliminar gases, como dióxido de carbono ou nitrogênio, acumulados nos tecidos e transferidos para os pulmões. Os autores afirmam que essa função metabólica ainda não pode ser descartada.

Estudo amplia o conhecimento sobre os gigantes do oceano

A pesquisa foi conduzida por Noémie Freymond, da Universidade de Neuchâtel, e por Alec Burslem e Patrick Miller, da Universidade de St Andrews. O trabalho foi publicado em 23 de julho de 2026 e pode ser consultado no Journal of Experimental Biology.

Além de explicar uma estratégia física pouco conhecida, o estudo reforça como os cetáceos adaptam respiração, movimento e comportamento às exigências do ambiente marinho. Esse tipo de investigação também ajuda a compreender outras espécies, como as baleias-jubarte que visitam o Espírito Santo e seus complexos padrões de comunicação.

O vídeo apresenta informações gerais sobre cachalotes e não registra o comportamento de liberação de bolhas analisado no estudo.

Por enquanto, os dados indicam que as bolhas funcionam como uma ferramenta natural de equilíbrio. Dessa forma, o cachalote consegue descansar perto da superfície sem subir rapidamente e sem gastar energia nadando para baixo. A descoberta transforma um gesto aparentemente simples em uma demonstração precisa de adaptação ao oceano.

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