Espírito Santo

Quase 70% da área de conilon do Brasil está no Espírito Santo

Estudo mostra a dimensão econômica da cafeicultura capixaba, da liderança do conilon aos empregos, exportações, cafés especiais e turismo rural.

Por · 22 de julho de 2026 · 15 minutos

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Economia capixaba | dados de 2024 e 2025

O Espírito Santo concentra 69,1% da área brasileira destinada ao conilon e responde por cerca de 65% da produção nacional da espécie.

Um estudo divulgado em 2026 mostra que a força do grão não termina na lavoura: ela alcança famílias produtoras, empregos sazonais, transportadoras, armazéns, torrefações, cafeterias, exportadores e o turismo rural.

Grãos maduros de café conilon em propriedade rural do Espírito Santo
A produção de conilon está concentrada principalmente nas regiões mais quentes do território capixaba. Foto: acervo Capixaba da Gema.

O café no Espírito Santo está presente em todos os municípios, com exceção de Vitória. A atividade ocupa o segundo maior espaço cultivado com café do país e sustenta uma rede econômica que atravessa quase todo o território capixaba.

Essa dimensão do café no Espírito Santo aparece no relatório Especial Café – Retrato da Economia, elaborado pelo Connect Fecomércio-ES e divulgado em 2026. O documento combina dados de produção, área, emprego, exportações e consumo.

A informação de maior impacto é conhecida, mas ganha escala nos números: o café no Espírito Santo lidera o conilon no Brasil. Dos 415,2 mil hectares destinados à espécie no país em 2025, 286,7 mil estavam em território capixaba.

Isso representa 69,1% da área nacional de conilon. Na produção, a participação estadual ficou em torno de 65,4%, segundo o levantamento.

O que há de novo nesta pauta?

Mais do que reafirmar a liderança capixaba, o estudo mostra a conexão entre a lavoura e o restante da economia. Também revela um recorde de vagas formais no período mais intenso da colheita e aponta onde o estado ainda pode agregar valor.

Os números do café no Espírito Santo

Os indicadores do café no Espírito Santo não pertencem todos ao mesmo ano-base. A produção e a área são referentes à safra de 2025, enquanto o número de propriedades e famílias utiliza dados consolidados de 2024.

Já as vagas formais correspondem ao saldo do cultivo de café apenas nos meses de abril e maio de 2025. Essa separação é essencial para não apresentar grandezas diferentes como se medissem a mesma coisa.

65,4% participação estimada do Espírito Santo na produção brasileira de conilon em 2025
286,7 mil ha área estadual cultivada com conilon, equivalente a 69,1% da área nacional da espécie
131 mil famílias envolvidas com a produção cafeeira capixaba, segundo os dados citados no relatório
60 mil propriedades produtoras, aproximadamente dois terços dos estabelecimentos agrícolas do estado
8.065 saldo de empregos formais no cultivo de café em abril e maio de 2025
+29% crescimento das vagas do cultivo no bimestre, em comparação com o mesmo período de 2024
Atenção ao interpretar os dados

As 8.065 vagas não representam o total de pessoas ocupadas permanentemente pela cafeicultura. O número é o saldo formal de admissões menos desligamentos no cultivo de café durante abril e maio, período marcado pela colheita.

Por que o café no Espírito Santo é liderado pelo conilon?

A liderança não depende apenas da extensão plantada. O café no Espírito Santo encontrou, nas regiões quentes, condições adequadas de temperatura, tecnologia, irrigação e organização produtiva para a expansão do conilon.

O trabalho de pesquisa e assistência técnica também teve papel decisivo. O Incaper desenvolveu e difundiu materiais clonais, práticas de manejo e conhecimento adaptado às diferentes regiões capixabas.

Esse processo elevou a produtividade e ajudou a transformar uma cultura antes associada principalmente a volume em um setor capaz de disputar também mercados de qualidade.

O conilon possui características distintas do arábica. É mais adaptado a temperaturas elevadas, apresenta maior regularidade produtiva e costuma alcançar produtividade superior por hectare.

Na safra brasileira de 2025, a produção de conilon chegou a 20,8 milhões de sacas, alta de 42,1% sobre o ciclo anterior, segundo o quarto levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento.

O avanço ocorreu em um ano no qual o arábica teve retração. Isso reforçou a importância do conilon para equilibrar a oferta brasileira e atender segmentos como café solúvel, misturas comerciais e produtos de maior escala.

Área cultivada não é o mesmo que produção

O estado concentra 69,1% da área brasileira de conilon, mas responde por aproximadamente 65,4% da produção. Os percentuais medem coisas diferentes e não devem ser usados como sinônimos.

No território capixaba, municípios como Linhares, Jaguaré e Nova Venécia aparecem entre os polos de conilon. A atividade também se espalha por outras áreas do Norte e Noroeste, sustentando transportes, oficinas, comércio de insumos e serviços especializados.

Para quem deseja conhecer essa produção fora das estatísticas, a Rota do Café Conilon conecta propriedades, experiências e histórias ligadas ao grão no Espírito Santo.

Conilon domina a área, mas o arábica também importa

O café no Espírito Santo não se resume ao conilon. Dos 424,8 mil hectares cultivados com café no estado em 2025, 138,1 mil eram destinados ao arábica.

Conilon
67,5%
Arábica
32,5%

O arábica ocupa 32,5% da área cafeeira capixaba e está concentrado sobretudo em zonas de maior altitude. Caparaó, Região Serrana e partes do Noroeste reúnem lavouras voltadas a perfis sensoriais diferenciados e cafés especiais.

Municípios como Iúna, Brejetuba e Domingos Martins são citados no estudo. Nessas áreas, temperaturas mais amenas favorecem o arábica e criam condições para estratégias de qualidade, origem e valorização territorial.

Colheita de café nas montanhas do Caparaó capixaba
Nas montanhas capixabas, o arábica se conecta à produção de cafés especiais e ao turismo rural. Foto: acervo Capixaba da Gema.

A convivência das duas espécies reduz a dependência de um único mercado. No café no Espírito Santo, o conilon dá escala e regularidade; o arábica amplia o alcance em nichos ligados à qualidade e à diferenciação.

Essa complementaridade também distribui o calendário da colheita. O conilon concentra maior necessidade de mão de obra entre março e junho, enquanto o arábica começa a ser colhido em abril, atinge pico mais tarde e pode avançar até outubro.

No Caparaó capixaba, a colheita virou parte da experiência turística. Visitas a propriedades permitem acompanhar processos, conhecer produtores e entender por que altitude, secagem e pós-colheita alteram a bebida.

Uma cadeia espalhada por 60 mil propriedades

O peso social do café no Espírito Santo aparece na quantidade de propriedades e famílias envolvidas. O relatório aponta cerca de 60 mil estabelecimentos produtores e 131 mil famílias ligadas à atividade.

Em um estado com aproximadamente 90 mil propriedades agrícolas, isso significa que duas em cada três produzem café. A escala revela por que mudanças de preço, clima ou produtividade repercutem rapidamente no comércio de pequenas cidades.

A agricultura familiar representa aproximadamente 73% dos produtores citados no estudo. O tamanho médio das propriedades é de oito hectares, uma configuração muito diferente das grandes fazendas presentes em outras cadeias agrícolas.

Em propriedades pequenas, o resultado depende menos de expansão territorial e mais de produtividade, qualidade, controle de custos e capacidade de vender melhor.

Esse é um dos motivos pelos quais cafés especiais, marcas próprias e venda direta ganham importância. Quando o produtor deixa de comercializar apenas a saca e participa da torra, da embalagem ou da experiência turística, uma parcela maior do valor pode permanecer no território.

O agroturismo no Espírito Santo é uma dessas alternativas. Ele não substitui a produção em escala, mas diversifica a receita e aproxima consumidor, origem e família produtora.

Colheita gerou recorde de vagas formais em 2025

O dado mais noticiável do mercado de trabalho está no bimestre abril-maio de 2025. Nesse período, o café no Espírito Santo registrou saldo de 8.065 empregos formais somente no cultivo.

Foram 3.480 vagas em abril e 4.585 em maio. O resultado ficou aproximadamente 29% acima das 6.234 vagas observadas nos mesmos meses de 2024.

Segundo o relatório, foi o maior saldo para esse bimestre desde o início da série do Novo Caged, em 2020.

Indicador Resultado Leitura correta
Saldo em abril de 2025 3.480 vagas Admissões menos desligamentos formais no cultivo de café
Saldo em maio de 2025 4.585 vagas Movimento ligado à intensificação da colheita
Total do bimestre 8.065 vagas Recorde para abril e maio na série iniciada em 2020
Comparação com 2024 Alta de cerca de 29% O bimestre de 2024 havia registrado 6.234 vagas

A agropecuária como um todo criou 11,5 mil vagas no estado nesses dois meses. O cultivo de café respondeu por cerca de sete em cada dez postos do setor no período.

O movimento, contudo, é sazonal. A partir de junho, o encerramento da fase mais intensa do conilon aumenta os desligamentos. O ajuste continua conforme terminam a colheita do arábica e os contratos temporários.

Por isso, o recorde não deve ser apresentado como expansão permanente do emprego. Ele comprova a capacidade de mobilização da safra, mas também expõe a dependência de trabalho temporário e a oscilação da renda ao longo do ano.

Os números foram obtidos a partir do Novo Caged de maio de 2025, sistema oficial de estatísticas do emprego formal.

O café movimenta uma economia que vai além da porteira

Uma saca não passa diretamente da lavoura para a xícara. O café no Espírito Santo movimenta beneficiamento, classificação, armazenagem, corretagem, transporte, exportação, indústria, torrefação, distribuição e preparo.

1. ProduçãoMudas, insumos, manejo, irrigação, colheita e pós-colheita.
2. CirculaçãoBeneficiamento, armazenagem, classificação, corretagem e transporte.
3. TransformaçãoIndústria de solúvel, torrefações, moagem, embalagens e marcas.
4. ConsumoComércio, supermercados, cafeterias, baristas, restaurantes e turismo.

Cada etapa adiciona custos, conhecimento e valor ao produto. Também cria ocupações que não aparecem quando a análise considera apenas quem trabalha diretamente na lavoura.

Essa é a principal contribuição do estudo da Fecomércio-ES. Ele desloca o debate da quantidade de sacas para a capacidade de o café ativar outros setores da economia.

Uma propriedade que recebe visitantes, por exemplo, pode movimentar hospedagem, restaurantes, guias, artesanato e comércio local. Uma torrefação gera demanda por embalagem, design, logística, venda digital e profissionais especializados.

Em Santa Teresa, Venda Nova do Imigrante e no Caparaó, essa integração já é visível. Roteiros rurais, cafés especiais e experiências de degustação ajudam a transformar origem em diferencial.

Quem planeja conhecer essa face do estado pode combinar a Rota do Caparaó e seus cafés especiais com o roteiro por Venda Nova do Imigrante.

Exportar muito não significa capturar todo o valor

O Brasil exportou US$ 15,6 bilhões em café em 2025, segundo a consolidação apresentada pelo relatório com base no Comex Stat. O produto ocupou a quinta posição entre os grupos da pauta exportadora nacional.

A receita elevada foi favorecida pelos preços internacionais. Mas a estrutura das exportações brasileiras continua concentrada no café verde, que entra em muitos mercados sem tarifa.

Produtos industrializados, como o café solúvel, enfrentam barreiras maiores em alguns destinos. Isso atinge diretamente o Espírito Santo, cuja produção de conilon abastece esse segmento.

Há uma contradição econômica importante: o estado domina a matéria-prima, mas pode capturar uma parcela menor do valor quando industrialização, marca e experiência de consumo acontecem fora de seu território.

Os dados oficiais de comércio exterior podem ser consultados no Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Onde estão as oportunidades para o café capixaba?

Para o café no Espírito Santo, o relatório aponta uma direção coerente: produzir mais continua importante, mas a próxima fronteira é capturar mais valor em cada saca.

Isso exige estratégia. Nem toda propriedade precisa criar uma marca própria, abrir cafeteria ou receber turistas. A verticalização mal planejada pode aumentar custos e desviar o produtor de sua competência principal.

Cooperativas, associações e parcerias são caminhos mais eficientes quando reduzem custos de equipamentos, classificação, torra, comercialização e promoção.

  1. Qualidade e diferenciação: melhorar colheita e pós-colheita para alcançar mercados que pagam por atributos verificáveis.
  2. Industrialização local: ampliar torrefação, moagem, solúvel e produtos prontos, mantendo parte maior da renda no estado.
  3. Origem e rastreabilidade: provar de onde vem o grão, como foi produzido e quais práticas foram adotadas.
  4. Turismo de experiência: estruturar visitas com segurança, reserva, narrativa, degustação e venda direta.
  5. Formação profissional: qualificar produtores, classificadores, torrefadores, baristas e equipes comerciais.

O potencial turístico é relevante porque o Espírito Santo reúne dois mundos em um território pequeno. No Norte, o visitante encontra a escala do conilon. Nas montanhas, conhece o arábica, os cafés especiais e diferentes métodos de pós-colheita.

Santa Teresa ilustra essa combinação. O município possui tradição em arábica, experiências rurais, torrefações e iniciativas que aproximam café, gastronomia e viagem.

Os riscos que o crescimento não elimina

A liderança produtiva não torna o setor imune a problemas. Oscilações climáticas, disponibilidade de água, custos de energia, mão de obra, crédito e preços internacionais continuam afetando a margem das propriedades.

A mecanização também não ocorre da mesma forma em todo o estado. Relevo, tamanho das áreas e modelo produtivo alteram a viabilidade de equipamentos e mantêm parte da colheita dependente de trabalho intensivo.

Outro risco é usar “sustentável” apenas como discurso de marketing. Certificações e rastreabilidade só agregam confiança quando as práticas podem ser verificadas e quando o custo de adequação não recai de maneira desproporcional sobre o pequeno produtor.

O turismo rural também exige limite. Receber visitantes envolve segurança, seguro, acesso, sanitários, atendimento e respeito à rotina da propriedade. Sem organização, a visita pode atrapalhar a produção em vez de complementá-la.

O ponto central

O Espírito Santo já provou que consegue produzir conilon em grande escala. O desafio de longo prazo é transformar liderança agrícola em mais renda local, empregos qualificados, marcas fortes e experiências ligadas ao território.

O que o estudo revela sobre o Espírito Santo

Vale publicar esta pauta porque ela explica uma parte estrutural da economia capixaba. O café no Espírito Santo não é apenas paisagem rural ou produto de exportação: ele organiza trabalho, renda e serviços em dezenas de municípios.

A liderança do conilon é a face mais visível do café no Espírito Santo. Por trás dela existem 286,7 mil hectares cultivados, 60 mil propriedades e uma safra capaz de criar milhares de vagas em poucas semanas.

O arábica acrescenta diversidade e conecta as montanhas a mercados de cafés especiais. Torrefações, cafeterias e propriedades abertas à visitação mostram como o valor do grão pode continuar crescendo depois da colheita.

A conclusão sobre o café no Espírito Santo, porém, não deve ser triunfalista. Produzir dois terços do conilon brasileiro é uma vantagem competitiva, não uma garantia automática de renda.

O resultado econômico depende de qualidade, produtividade, gestão, acesso a mercados, industrialização e capacidade de enfrentar riscos climáticos e comerciais.

Para o café no Espírito Santo avançar, o estado precisa proteger sua base produtiva e, ao mesmo tempo, ocupar mais etapas entre o grão e a xícara.

Perguntas frequentes

O Espírito Santo é o maior produtor de café do Brasil?

Não. O estado é o segundo maior produtor de café do país. A liderança capixaba ocorre especificamente no conilon, espécie na qual responde por cerca de 65% da produção brasileira.

Quanto do café conilon brasileiro é produzido no Espírito Santo?

O relatório da Fecomércio-ES aponta participação de aproximadamente 65,4% na produção nacional de conilon em 2025. O estado também concentrava 69,1% da área brasileira cultivada com a espécie.

Qual é a área plantada com café no Espírito Santo?

A área cultivada totalizava 424,8 mil hectares em 2025. Desse total, 286,7 mil hectares eram de conilon e 138,1 mil hectares de arábica.

Quantas famílias vivem da cafeicultura capixaba?

O estudo cita cerca de 131 mil famílias envolvidas com a produção de café no estado, distribuídas em aproximadamente 60 mil propriedades.

O café é produzido em todos os municípios capixabas?

Quase todos. Segundo o Incaper e o relatório econômico, a atividade está presente em todos os municípios do Espírito Santo, com exceção da capital Vitória.

As 8.065 vagas criadas em 2025 são empregos permanentes?

Não necessariamente. O número corresponde ao saldo formal do cultivo de café em abril e maio de 2025. Como a colheita demanda trabalhadores temporários, parte dos vínculos termina depois da safra.

Onde o conilon é mais produzido no Espírito Santo?

A produção se concentra principalmente nas regiões quentes do Norte e Noroeste. Linhares, Jaguaré e Nova Venécia estão entre os municípios destacados no estudo.

Onde o café arábica é produzido no estado?

O arábica está ligado às regiões de maior altitude, especialmente Caparaó, Região Serrana e partes do Noroeste. Iúna, Brejetuba e Domingos Martins aparecem entre os polos citados.

Qual é a diferença entre conilon e arábica?

O conilon se adapta melhor a temperaturas elevadas e costuma apresentar maior produtividade e regularidade. O arábica prefere altitudes maiores e clima mais ameno, com forte presença no mercado de cafés especiais.

Como o turismo pode gerar renda com o café?

Propriedades podem oferecer visitas, degustações, acompanhamento da torra e venda direta. Para funcionar, a experiência precisa ter agendamento, segurança, estrutura e integração com hospedagem e gastronomia local.

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