Economia capixaba | dados de 2024 e 2025
O Espírito Santo concentra 69,1% da área brasileira destinada ao conilon e responde por cerca de 65% da produção nacional da espécie.
Um estudo divulgado em 2026 mostra que a força do grão não termina na lavoura: ela alcança famílias produtoras, empregos sazonais, transportadoras, armazéns, torrefações, cafeterias, exportadores e o turismo rural.
O café no Espírito Santo está presente em todos os municípios, com exceção de Vitória. A atividade ocupa o segundo maior espaço cultivado com café do país e sustenta uma rede econômica que atravessa quase todo o território capixaba.
Essa dimensão do café no Espírito Santo aparece no relatório Especial Café – Retrato da Economia, elaborado pelo Connect Fecomércio-ES e divulgado em 2026. O documento combina dados de produção, área, emprego, exportações e consumo.
A informação de maior impacto é conhecida, mas ganha escala nos números: o café no Espírito Santo lidera o conilon no Brasil. Dos 415,2 mil hectares destinados à espécie no país em 2025, 286,7 mil estavam em território capixaba.
Isso representa 69,1% da área nacional de conilon. Na produção, a participação estadual ficou em torno de 65,4%, segundo o levantamento.
Mais do que reafirmar a liderança capixaba, o estudo mostra a conexão entre a lavoura e o restante da economia. Também revela um recorde de vagas formais no período mais intenso da colheita e aponta onde o estado ainda pode agregar valor.
Os números do café no Espírito Santo
Os indicadores do café no Espírito Santo não pertencem todos ao mesmo ano-base. A produção e a área são referentes à safra de 2025, enquanto o número de propriedades e famílias utiliza dados consolidados de 2024.
Já as vagas formais correspondem ao saldo do cultivo de café apenas nos meses de abril e maio de 2025. Essa separação é essencial para não apresentar grandezas diferentes como se medissem a mesma coisa.
As 8.065 vagas não representam o total de pessoas ocupadas permanentemente pela cafeicultura. O número é o saldo formal de admissões menos desligamentos no cultivo de café durante abril e maio, período marcado pela colheita.
Por que o café no Espírito Santo é liderado pelo conilon?
A liderança não depende apenas da extensão plantada. O café no Espírito Santo encontrou, nas regiões quentes, condições adequadas de temperatura, tecnologia, irrigação e organização produtiva para a expansão do conilon.
O trabalho de pesquisa e assistência técnica também teve papel decisivo. O Incaper desenvolveu e difundiu materiais clonais, práticas de manejo e conhecimento adaptado às diferentes regiões capixabas.
Esse processo elevou a produtividade e ajudou a transformar uma cultura antes associada principalmente a volume em um setor capaz de disputar também mercados de qualidade.
O conilon possui características distintas do arábica. É mais adaptado a temperaturas elevadas, apresenta maior regularidade produtiva e costuma alcançar produtividade superior por hectare.
Na safra brasileira de 2025, a produção de conilon chegou a 20,8 milhões de sacas, alta de 42,1% sobre o ciclo anterior, segundo o quarto levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento.
O avanço ocorreu em um ano no qual o arábica teve retração. Isso reforçou a importância do conilon para equilibrar a oferta brasileira e atender segmentos como café solúvel, misturas comerciais e produtos de maior escala.
O estado concentra 69,1% da área brasileira de conilon, mas responde por aproximadamente 65,4% da produção. Os percentuais medem coisas diferentes e não devem ser usados como sinônimos.
No território capixaba, municípios como Linhares, Jaguaré e Nova Venécia aparecem entre os polos de conilon. A atividade também se espalha por outras áreas do Norte e Noroeste, sustentando transportes, oficinas, comércio de insumos e serviços especializados.
Para quem deseja conhecer essa produção fora das estatísticas, a Rota do Café Conilon conecta propriedades, experiências e histórias ligadas ao grão no Espírito Santo.
Conilon domina a área, mas o arábica também importa
O café no Espírito Santo não se resume ao conilon. Dos 424,8 mil hectares cultivados com café no estado em 2025, 138,1 mil eram destinados ao arábica.
O arábica ocupa 32,5% da área cafeeira capixaba e está concentrado sobretudo em zonas de maior altitude. Caparaó, Região Serrana e partes do Noroeste reúnem lavouras voltadas a perfis sensoriais diferenciados e cafés especiais.
Municípios como Iúna, Brejetuba e Domingos Martins são citados no estudo. Nessas áreas, temperaturas mais amenas favorecem o arábica e criam condições para estratégias de qualidade, origem e valorização territorial.
A convivência das duas espécies reduz a dependência de um único mercado. No café no Espírito Santo, o conilon dá escala e regularidade; o arábica amplia o alcance em nichos ligados à qualidade e à diferenciação.
Essa complementaridade também distribui o calendário da colheita. O conilon concentra maior necessidade de mão de obra entre março e junho, enquanto o arábica começa a ser colhido em abril, atinge pico mais tarde e pode avançar até outubro.
No Caparaó capixaba, a colheita virou parte da experiência turística. Visitas a propriedades permitem acompanhar processos, conhecer produtores e entender por que altitude, secagem e pós-colheita alteram a bebida.
Uma cadeia espalhada por 60 mil propriedades
O peso social do café no Espírito Santo aparece na quantidade de propriedades e famílias envolvidas. O relatório aponta cerca de 60 mil estabelecimentos produtores e 131 mil famílias ligadas à atividade.
Em um estado com aproximadamente 90 mil propriedades agrícolas, isso significa que duas em cada três produzem café. A escala revela por que mudanças de preço, clima ou produtividade repercutem rapidamente no comércio de pequenas cidades.
A agricultura familiar representa aproximadamente 73% dos produtores citados no estudo. O tamanho médio das propriedades é de oito hectares, uma configuração muito diferente das grandes fazendas presentes em outras cadeias agrícolas.
Em propriedades pequenas, o resultado depende menos de expansão territorial e mais de produtividade, qualidade, controle de custos e capacidade de vender melhor.
Esse é um dos motivos pelos quais cafés especiais, marcas próprias e venda direta ganham importância. Quando o produtor deixa de comercializar apenas a saca e participa da torra, da embalagem ou da experiência turística, uma parcela maior do valor pode permanecer no território.
O agroturismo no Espírito Santo é uma dessas alternativas. Ele não substitui a produção em escala, mas diversifica a receita e aproxima consumidor, origem e família produtora.
Colheita gerou recorde de vagas formais em 2025
O dado mais noticiável do mercado de trabalho está no bimestre abril-maio de 2025. Nesse período, o café no Espírito Santo registrou saldo de 8.065 empregos formais somente no cultivo.
Foram 3.480 vagas em abril e 4.585 em maio. O resultado ficou aproximadamente 29% acima das 6.234 vagas observadas nos mesmos meses de 2024.
Segundo o relatório, foi o maior saldo para esse bimestre desde o início da série do Novo Caged, em 2020.
| Indicador | Resultado | Leitura correta |
|---|---|---|
| Saldo em abril de 2025 | 3.480 vagas | Admissões menos desligamentos formais no cultivo de café |
| Saldo em maio de 2025 | 4.585 vagas | Movimento ligado à intensificação da colheita |
| Total do bimestre | 8.065 vagas | Recorde para abril e maio na série iniciada em 2020 |
| Comparação com 2024 | Alta de cerca de 29% | O bimestre de 2024 havia registrado 6.234 vagas |
A agropecuária como um todo criou 11,5 mil vagas no estado nesses dois meses. O cultivo de café respondeu por cerca de sete em cada dez postos do setor no período.
O movimento, contudo, é sazonal. A partir de junho, o encerramento da fase mais intensa do conilon aumenta os desligamentos. O ajuste continua conforme terminam a colheita do arábica e os contratos temporários.
Por isso, o recorde não deve ser apresentado como expansão permanente do emprego. Ele comprova a capacidade de mobilização da safra, mas também expõe a dependência de trabalho temporário e a oscilação da renda ao longo do ano.
Os números foram obtidos a partir do Novo Caged de maio de 2025, sistema oficial de estatísticas do emprego formal.
O café movimenta uma economia que vai além da porteira
Uma saca não passa diretamente da lavoura para a xícara. O café no Espírito Santo movimenta beneficiamento, classificação, armazenagem, corretagem, transporte, exportação, indústria, torrefação, distribuição e preparo.
Cada etapa adiciona custos, conhecimento e valor ao produto. Também cria ocupações que não aparecem quando a análise considera apenas quem trabalha diretamente na lavoura.
Essa é a principal contribuição do estudo da Fecomércio-ES. Ele desloca o debate da quantidade de sacas para a capacidade de o café ativar outros setores da economia.
Uma propriedade que recebe visitantes, por exemplo, pode movimentar hospedagem, restaurantes, guias, artesanato e comércio local. Uma torrefação gera demanda por embalagem, design, logística, venda digital e profissionais especializados.
Em Santa Teresa, Venda Nova do Imigrante e no Caparaó, essa integração já é visível. Roteiros rurais, cafés especiais e experiências de degustação ajudam a transformar origem em diferencial.
Quem planeja conhecer essa face do estado pode combinar a Rota do Caparaó e seus cafés especiais com o roteiro por Venda Nova do Imigrante.
Exportar muito não significa capturar todo o valor
O Brasil exportou US$ 15,6 bilhões em café em 2025, segundo a consolidação apresentada pelo relatório com base no Comex Stat. O produto ocupou a quinta posição entre os grupos da pauta exportadora nacional.
A receita elevada foi favorecida pelos preços internacionais. Mas a estrutura das exportações brasileiras continua concentrada no café verde, que entra em muitos mercados sem tarifa.
Produtos industrializados, como o café solúvel, enfrentam barreiras maiores em alguns destinos. Isso atinge diretamente o Espírito Santo, cuja produção de conilon abastece esse segmento.
Há uma contradição econômica importante: o estado domina a matéria-prima, mas pode capturar uma parcela menor do valor quando industrialização, marca e experiência de consumo acontecem fora de seu território.
Os dados oficiais de comércio exterior podem ser consultados no Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Onde estão as oportunidades para o café capixaba?
Para o café no Espírito Santo, o relatório aponta uma direção coerente: produzir mais continua importante, mas a próxima fronteira é capturar mais valor em cada saca.
Isso exige estratégia. Nem toda propriedade precisa criar uma marca própria, abrir cafeteria ou receber turistas. A verticalização mal planejada pode aumentar custos e desviar o produtor de sua competência principal.
Cooperativas, associações e parcerias são caminhos mais eficientes quando reduzem custos de equipamentos, classificação, torra, comercialização e promoção.
- Qualidade e diferenciação: melhorar colheita e pós-colheita para alcançar mercados que pagam por atributos verificáveis.
- Industrialização local: ampliar torrefação, moagem, solúvel e produtos prontos, mantendo parte maior da renda no estado.
- Origem e rastreabilidade: provar de onde vem o grão, como foi produzido e quais práticas foram adotadas.
- Turismo de experiência: estruturar visitas com segurança, reserva, narrativa, degustação e venda direta.
- Formação profissional: qualificar produtores, classificadores, torrefadores, baristas e equipes comerciais.
O potencial turístico é relevante porque o Espírito Santo reúne dois mundos em um território pequeno. No Norte, o visitante encontra a escala do conilon. Nas montanhas, conhece o arábica, os cafés especiais e diferentes métodos de pós-colheita.
Santa Teresa ilustra essa combinação. O município possui tradição em arábica, experiências rurais, torrefações e iniciativas que aproximam café, gastronomia e viagem.
Os riscos que o crescimento não elimina
A liderança produtiva não torna o setor imune a problemas. Oscilações climáticas, disponibilidade de água, custos de energia, mão de obra, crédito e preços internacionais continuam afetando a margem das propriedades.
A mecanização também não ocorre da mesma forma em todo o estado. Relevo, tamanho das áreas e modelo produtivo alteram a viabilidade de equipamentos e mantêm parte da colheita dependente de trabalho intensivo.
Outro risco é usar “sustentável” apenas como discurso de marketing. Certificações e rastreabilidade só agregam confiança quando as práticas podem ser verificadas e quando o custo de adequação não recai de maneira desproporcional sobre o pequeno produtor.
O turismo rural também exige limite. Receber visitantes envolve segurança, seguro, acesso, sanitários, atendimento e respeito à rotina da propriedade. Sem organização, a visita pode atrapalhar a produção em vez de complementá-la.
O Espírito Santo já provou que consegue produzir conilon em grande escala. O desafio de longo prazo é transformar liderança agrícola em mais renda local, empregos qualificados, marcas fortes e experiências ligadas ao território.
O que o estudo revela sobre o Espírito Santo
Vale publicar esta pauta porque ela explica uma parte estrutural da economia capixaba. O café no Espírito Santo não é apenas paisagem rural ou produto de exportação: ele organiza trabalho, renda e serviços em dezenas de municípios.
A liderança do conilon é a face mais visível do café no Espírito Santo. Por trás dela existem 286,7 mil hectares cultivados, 60 mil propriedades e uma safra capaz de criar milhares de vagas em poucas semanas.
O arábica acrescenta diversidade e conecta as montanhas a mercados de cafés especiais. Torrefações, cafeterias e propriedades abertas à visitação mostram como o valor do grão pode continuar crescendo depois da colheita.
A conclusão sobre o café no Espírito Santo, porém, não deve ser triunfalista. Produzir dois terços do conilon brasileiro é uma vantagem competitiva, não uma garantia automática de renda.
O resultado econômico depende de qualidade, produtividade, gestão, acesso a mercados, industrialização e capacidade de enfrentar riscos climáticos e comerciais.
Para o café no Espírito Santo avançar, o estado precisa proteger sua base produtiva e, ao mesmo tempo, ocupar mais etapas entre o grão e a xícara.
Perguntas frequentes
O Espírito Santo é o maior produtor de café do Brasil?
Não. O estado é o segundo maior produtor de café do país. A liderança capixaba ocorre especificamente no conilon, espécie na qual responde por cerca de 65% da produção brasileira.
Quanto do café conilon brasileiro é produzido no Espírito Santo?
O relatório da Fecomércio-ES aponta participação de aproximadamente 65,4% na produção nacional de conilon em 2025. O estado também concentrava 69,1% da área brasileira cultivada com a espécie.
Qual é a área plantada com café no Espírito Santo?
A área cultivada totalizava 424,8 mil hectares em 2025. Desse total, 286,7 mil hectares eram de conilon e 138,1 mil hectares de arábica.
Quantas famílias vivem da cafeicultura capixaba?
O estudo cita cerca de 131 mil famílias envolvidas com a produção de café no estado, distribuídas em aproximadamente 60 mil propriedades.
O café é produzido em todos os municípios capixabas?
Quase todos. Segundo o Incaper e o relatório econômico, a atividade está presente em todos os municípios do Espírito Santo, com exceção da capital Vitória.
As 8.065 vagas criadas em 2025 são empregos permanentes?
Não necessariamente. O número corresponde ao saldo formal do cultivo de café em abril e maio de 2025. Como a colheita demanda trabalhadores temporários, parte dos vínculos termina depois da safra.
Onde o conilon é mais produzido no Espírito Santo?
A produção se concentra principalmente nas regiões quentes do Norte e Noroeste. Linhares, Jaguaré e Nova Venécia estão entre os municípios destacados no estudo.
Onde o café arábica é produzido no estado?
O arábica está ligado às regiões de maior altitude, especialmente Caparaó, Região Serrana e partes do Noroeste. Iúna, Brejetuba e Domingos Martins aparecem entre os polos citados.
Qual é a diferença entre conilon e arábica?
O conilon se adapta melhor a temperaturas elevadas e costuma apresentar maior produtividade e regularidade. O arábica prefere altitudes maiores e clima mais ameno, com forte presença no mercado de cafés especiais.
Como o turismo pode gerar renda com o café?
Propriedades podem oferecer visitas, degustações, acompanhamento da torra e venda direta. Para funcionar, a experiência precisa ter agendamento, segurança, estrutura e integração com hospedagem e gastronomia local.
Fontes consultadas
- Especial Café – Retrato da Economia, Connect Fecomércio-ES, edição 2026, elaborado por André Spalenza e Eduarda Gripp.
- Incaper – Cafeicultura no Espírito Santo.
- Conab – 4º Levantamento da Safra de Café de 2025.
- Ministério do Trabalho e Emprego – Novo Caged de maio de 2025.
- MDIC – Comex Stat.






Comentários
Compartilhe sua experiência, dúvida ou dica. Os comentários são moderados para manter a conversa útil e segura.