Espírito Santo

O manguezal que ajuda a proteger a Grande Vitória

Explicação sobre como o manguezal da Baía de Vitória ajuda a reduzir erosão e impactos de enchentes, protege biodiversidade, armazena carbono e sustenta atividades tradicionais.

Por · 14 de agosto de 2026 · 8 minutos

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O manguezal da Baía de Vitória funciona como uma infraestrutura natural para a Grande Vitória. Suas raízes ajudam a estabilizar margens e reter sedimentos, enquanto a vegetação reduz a exposição da costa à erosão e participa da adaptação a enchentes e eventos extremos.

Isso não significa que o manguezal impeça sozinho uma enchente. O papel dele é reduzir parte dos impactos, armazenar carbono, filtrar materiais transportados pela água e manter áreas fundamentais para peixes, crustáceos, aves e comunidades que dependem da pesca.

Ilha das Caieiras diante do manguezal da Baía de Vitória
Na região noroeste de Vitória, Ilha das Caieiras está diretamente ligada à paisagem, à pesca e à cultura do manguezal da Baía de Vitória. Imagem da biblioteca Capixaba da Gema.
Entenda como o manguezal protege a Grande Vitória

Onde fica o manguezal da Baía de Vitória?

O manguezal ocupa áreas do sistema estuarino da Baía de Vitória, onde rios, canais e marés se encontram. Em Vitória, ele aparece principalmente na região noroeste, na Ilha do Lameirão, Ilha das Caieiras, Santo André, Resistência e em outros remanescentes próximos ao Canal da Passagem e à Ufes.

A Prefeitura informa que Vitória possui aproximadamente 11 km² de manguezal. A maior área protegida da capital é a Estação Ecológica Municipal Ilha do Lameirão.

O sistema, porém, não deve ser entendido apenas pelos limites de Vitória. A Baía e seus manguezais formam uma paisagem contínua na Região Metropolitana, com áreas naturais e unidades de conservação também em municípios vizinhos.

Como o manguezal ajuda a proteger a Grande Vitória?

A proteção acontece principalmente porque o manguezal ocupa a faixa de transição entre terra e água. As raízes diminuem a movimentação dos sedimentos e ajudam a estabilizar margens sujeitas às marés.

Em 2025, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente apontou os manguezais como ecossistemas fundamentais para adaptação climática, proteção contra enchentes e contenção da erosão costeira. A restauração desse ambiente passou inclusive a integrar projetos estaduais de investimento ambiental.

Pesquisadores da Ufes também destacam o papel dos manguezais na proteção costeira contra tempestades, além da filtragem de água e do armazenamento de carbono.

Ilha do Lameirão: quase 900 hectares protegidos

A Estação Ecológica Municipal Ilha do Lameirão ocupa 891,83 hectares, segundo a Prefeitura. Desse total, 92,66% são recobertos por manguezal.

A unidade foi criada em 1986 para preservar permanentemente os ecossistemas e os recursos naturais da região. Ali aparecem três espécies principais de mangue: mangue-vermelho, mangue-branco e mangue-preto, também chamado de siriúba.

A Estação fica próxima à foz do Rio Santa Maria da Vitória, uma posição estratégica porque o rio leva água doce e sedimentos para o sistema estuarino da baía.

Registro histórico do manguezal próximo ao Canal da Passagem e à atual área da Ufes em Vitória
Registro histórico mostra como o manguezal ocupava áreas hoje cercadas pela expansão urbana de Vitória. Imagem da biblioteca Capixaba da Gema.

Por que o manguezal é chamado de berçário do mar?

A mistura de água doce e salgada, a lama rica em matéria orgânica e a proteção oferecida pelas raízes criam condições para várias espécies encontrarem alimento e abrigo.

A Prefeitura registra no Lameirão peixes, crustáceos, moluscos, répteis, aves e pequenos mamíferos. Caranguejos, siris e peixes também sustentam atividades tradicionais da região.

É por isso que destruir o manguezal não afeta apenas as árvores. O impacto se espalha pela cadeia alimentar, pela pesca e pela biodiversidade costeira.

O manguezal também ajuda no clima

Outro serviço importante é o armazenamento de carbono. Manguezais conseguem acumular carbono tanto na vegetação quanto no solo encharcado, onde a matéria orgânica pode permanecer armazenada por longos períodos.

Pesquisa divulgada pela Ufes sobre manguezais capixabas mostra que eventos climáticos extremos podem reduzir esses estoques quando a vegetação é danificada. O estudo reforça que conservar florestas de mangue significa proteger ao mesmo tempo biodiversidade, carbono e comunidades costeiras.

Vídeo: o manguezal de Vitória entre a cidade e a Baía

O vídeo mostra a presença do manguezal em meio à área urbana de Vitória e ajuda a visualizar o contraste entre a Estação Ecológica Ilha do Lameirão e a expansão da cidade.

O que acontece quando o manguezal é degradado?

Quando áreas de mangue são aterradas, desmatadas ou isoladas das marés, vários serviços ambientais diminuem ao mesmo tempo.

Manguezal conservado Manguezal degradado
Raízes e vegetação ajudam a estabilizar margens. A costa fica mais exposta à erosão e à perda de sedimentos.
Há espaço para movimentação natural da maré. Aterros e barreiras podem alterar drenagem e circulação da água.
Solo e vegetação mantêm carbono armazenado. Degradação pode liberar parte desse carbono e reduzir a capacidade futura de armazenamento.
Peixes, crustáceos e aves encontram abrigo e alimento. A perda de habitat reduz áreas de reprodução e alimentação.
Pesca e atividades tradicionais encontram suporte ecológico. A degradação afeta diretamente recursos usados por comunidades locais.

Em julho de 2026, Vitória realizou ações simultâneas de limpeza, educação ambiental, ciência e fiscalização no Lameirão, Ilha das Caieiras e Santo André. A programação reuniu pescadores, catadores de caranguejo, universidades, órgãos ambientais e comunidades tradicionais.

É possível conhecer o manguezal da Ilha do Lameirão?

A Estação Ecológica não funciona como parque aberto para caminhada. A Prefeitura informa que o uso público terrestre é proibido para preservar a unidade.

É permitido observar a área a bordo de embarcações pelos canais, sem desembarque no manguezal. Instituições de ensino e grupos organizados podem participar de atividades técnicas quando autorizadas.

Para quem quer apenas observar a paisagem sem entrar na unidade, a Ilha das Caieiras é um dos pontos mais simples: dali é possível ver o manguezal, barcos de pesca e a região noroeste da Baía de Vitória.

Vista panorâmica da Baía de Vitória e das áreas costeiras da Grande Vitória
A Baía de Vitória conecta ambientes urbanos, canais, rios e áreas de manguezal na Região Metropolitana. Imagem da biblioteca Capixaba da Gema.

Perguntas frequentes

Qual manguezal ajuda a proteger a Grande Vitória?

O sistema de manguezais da Baía de Vitória exerce esse papel. A Estação Ecológica Ilha do Lameirão, em Vitória, é uma das principais áreas protegidas desse conjunto.

Como o manguezal ajuda contra enchentes?

Áreas de manguezal ocupam zonas baixas sujeitas às marés e ajudam a reter sedimentos, estabilizar margens e dissipar parte da energia da água. Elas não impedem sozinhas uma enchente e precisam funcionar junto com drenagem, saneamento e planejamento urbano.

Qual é o tamanho do manguezal de Vitória?

A Prefeitura informa aproximadamente 11 km² de manguezal no município. A Estação Ecológica Ilha do Lameirão possui 891,83 hectares, dos quais 92,66% são manguezal.

É possível entrar na Ilha do Lameirão?

A unidade é uma Estação Ecológica e não funciona como parque aberto para circulação terrestre. A Prefeitura permite visita a bordo de embarcações, respeitando as regras de proteção da unidade.

Por que há tantos caranguejos no manguezal?

O ambiente de lama, raízes, matéria orgânica e influência das marés oferece alimento, abrigo e condições de reprodução para o caranguejo-uçá e outros crustáceos.

O manguezal ajuda a combater as mudanças climáticas?

Sim. Manguezais armazenam carbono na vegetação e principalmente no solo. A conservação evita a perda dessa capacidade e preserva outros serviços ambientais ao mesmo tempo.

Para entender melhor o sistema estuarino, veja também o que existe no fundo da Baía de Vitória e como as ilhas de Vitória se formaram.

Fontes consultadas: Prefeitura de Vitória — Ilha do Lameirão e proteção dos manguezais, Prefeitura de Vitória — conservação do manguezal em 2026, Seama — manguezais, adaptação climática, enchentes e erosão costeira, Ufes — carbono, biodiversidade e proteção costeira dos manguezais e Iema — áreas protegidas do manguezal da Baía de Vitória. Consulta realizada em agosto de 2026.

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