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Por que Barcelona está tirando asfalto das ruas — e o que isso ensina ao Espírito Santo

Barcelona mostra como ruas podem absorver chuva, produzir sombra e servir às pessoas — e o Espírito Santo já possui planos para iniciar soluções semelhantes.

Por · 15 de julho de 2026 · 18 minutos

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Atualizado em 15 de julho de 2026. O texto utiliza planos públicos, legislação e documentos técnicos disponíveis até esta data. Projetos urbanos precisam de estudos locais de drenagem, mobilidade, acessibilidade, solo, redes subterrâneas e manutenção.

Cidades-esponja no Espírito Santo não são uma ideia distante nem uma cópia automática de Barcelona. O conceito descreve cidades que deixam de tratar toda chuva como água a ser expulsa rapidamente por tubos e canais e passam a retardar, espalhar, armazenar e infiltrar parte desse volume em áreas verdes, jardins de chuva, pisos permeáveis e espaços públicos preparados para alagar com segurança.

Barcelona ganhou projeção internacional ao transformar trechos viários em eixos verdes, ampliar superfícies permeáveis e instalar sistemas sustentáveis de drenagem. O exemplo pode inspirar municípios capixabas, mas o debate precisa ir além do slogan “retirar asfalto”. A pergunta correta é: onde a impermeabilização deixou de cumprir uma função necessária e pode ser substituída por solo vivo, sombra e infraestrutura para reter água?

Resposta rápida: o Espírito Santo já possui diretrizes técnicas compatíveis com cidades-esponja. O Plano Diretor de Águas Urbanas da Grande Vitória recomenda “retardar, espalhar e infiltrar” a chuva; Alegre aprovou uma lei municipal sobre o tema; Vila Velha informou estar implantando seu Plano Diretor de Arborização Urbana; e o Estado mantém um plano de adaptação climática. O desafio é transformar esses instrumentos em projetos-piloto mensuráveis e integrados ao cotidiano dos bairros.

Índice
  1. O que Barcelona está fazendo
  2. Não é apenas retirar asfalto
  3. Como funciona uma cidade-esponja
  4. Por que isso importa no Espírito Santo
  5. O que já existe no estado
  6. Sete projetos-piloto possíveis
  7. Relação com turismo e comércio
  8. Erros que as cidades devem evitar
  9. Como medir os resultados
  10. O que autoridades podem fazer
  11. Como moradores podem participar
  12. Perguntas frequentes
Rua urbana transformada com árvores, áreas permeáveis e espaço para pedestres
Projetos de renaturalização substituem apenas superfícies impermeáveis dispensáveis, preservando os acessos e funções urbanas necessárias.

O que Barcelona está fazendo de verdade

Barcelona não possui um único programa chamado “retirada de asfalto”, nem há base segura para afirmar que a cidade esteja gastando bilhões exclusivamente nessa atividade. O que existe é um conjunto de políticas de clima, biodiversidade, mobilidade, drenagem e requalificação do espaço público.

O Plano Natura Barcelona 2021–2030 é um instrumento municipal voltado à ampliação, conservação e conexão da infraestrutura verde. Um acordo oficial publicado em fevereiro de 2026 confirma que o plano continua em implantação. O documento descreve três eixos, 20 ações e 100 projetos previstos para o período de 2021 a 2030.

A visão de longo prazo é ter uma rede verde acessível, conectada ao tecido urbano e capaz de oferecer benefícios ambientais e sociais, especialmente para saúde e adaptação climática. Isso inclui mais biodiversidade, manejo ecológico, participação da população e integração entre pesquisa científica e gestão municipal.

Superquadras e eixos verdes

As superquadras de Barcelona ficaram conhecidas por reorganizar o trânsito dentro de grupos de quarteirões. Em vez de utilizar todas as ruas como corredores de passagem de automóveis, o modelo reduz velocidades e desloca parte do tráfego para vias principais, liberando áreas internas para pedestres, bicicletas, árvores, bancos e convivência.

A estratégia evoluiu para os chamados eixos verdes: ruas requalificadas para reduzir o domínio do carro e conectar praças, parques, equipamentos públicos e bairros. Nem todo trecho se torna exclusivamente para pedestres. A distribuição entre circulação, carga e descarga, acesso de moradores, transporte coletivo e permanência depende do projeto.

Cristóbal de Moura: a água como parte do desenho da rua

A transformação da rua Cristóbal de Moura é um exemplo mais próximo do conceito de cidade-esponja. O projeto incorporou áreas de biorretenção, pavimentos permeáveis, jardins de chuva e estruturas subterrâneas de armazenamento e infiltração.

Um relatório técnico do projeto europeu CONEXUS informa que o sistema permite tratar mais de 2.200 metros cúbicos de água da chuva na área. Em vez de encaminhar todo o escoamento imediatamente para a rede convencional, parte da água é capturada, desacelerada, filtrada e infiltrada.

Correção importante: Barcelona não está simplesmente destruindo ruas consideradas “erradas”. A cidade está reprogramando trechos específicos com base em planejamento urbano, drenagem, mobilidade e clima. Retirar pavimento sem projeto hidráulico e viário não produz automaticamente uma cidade mais resiliente.

Por que “tirar asfalto” é uma simplificação perigosa

Asfalto e concreto cumprem funções importantes. Ruas de tráfego intenso, corredores de ônibus, rotas de emergência, acessos hospitalares e áreas de carga precisam de superfícies resistentes e previsíveis. O problema surge quando a impermeabilização ocupa espaços que poderiam desempenhar funções ambientais sem comprometer a mobilidade.

Uma praça quase totalmente cimentada, um estacionamento público superdimensionado, o entorno de uma escola sem sombra ou um canteiro coberto por concreto podem receber intervenções. Já a remoção de uma faixa de trânsito exige estudo de fluxo, segurança, transporte coletivo, acessibilidade, comércio e rotas alternativas.

O objetivo não é declarar guerra ao pavimento. É abandonar a ideia de que toda área urbana precisa ser impermeável.

Como funciona uma cidade-esponja

Uma cidade-esponja combina pequenas e grandes estruturas distribuídas pela bacia urbana. Cada intervenção retém uma parte da chuva perto do lugar em que ela cai, reduzindo o pico que chega simultaneamente a galerias, canais e rios.

Soluções que podem compor a infraestrutura azul-verde
Solução Como funciona Onde pode ser usada Cuidado necessário
Jardim de chuva Recebe água de calçadas e coberturas, retendo e filtrando o escoamento Praças, escolas, estacionamentos e canteiros Solo, extravasor, vegetação e manutenção precisam ser dimensionados
Pavimento permeável Permite a passagem da água para camadas de armazenamento ou infiltração Estacionamentos, calçadas, pátios e vias de baixa velocidade Pode perder eficiência por entupimento sem limpeza adequada
Vala vegetada Desacelera e conduz a água por um canal raso com vegetação Bordas viárias, parques e áreas institucionais Não pode criar barreira de acessibilidade ou risco de queda
Canteiro de biorretenção Armazena temporariamente a chuva e remove parte dos sedimentos Calçadas largas, cruzamentos e áreas de estacionamento Exige entrada de água bem projetada e rota segura para excedentes
Parque inundável Funciona como lazer em períodos secos e reservação temporária durante chuvas fortes Várzeas, margens de rios e grandes áreas públicas Equipamentos e vegetação devem suportar alagamento controlado
Telhado verde e captação Retém parte da chuva e pode fornecer água para usos não potáveis Prédios públicos, terminais, escolas e empreendimentos privados Estrutura, impermeabilização e manutenção precisam de projeto especializado

O Plano Diretor de Águas Urbanas da Região Metropolitana da Grande Vitória resume a lógica em três verbos: retardar, espalhar e infiltrar. O documento contrasta esse modelo com a urbanização convencional, que impermeabiliza o solo e acelera a água.

Por que isso importa no Espírito Santo

O Espírito Santo enfrenta uma combinação de chuvas intensas, inundações, deslizamentos, estiagens, calor urbano e riscos costeiros. O Plano Estadual de Adaptação às Mudanças Climáticas aponta mudanças nos padrões de precipitação, aumento de temperatura e maior exposição a eventos extremos.

O Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil atualizado em dezembro de 2025 registra que o estado convive com desastres hidrológicos, meteorológicos, climatológicos e geológicos. A infraestrutura verde não substitui sistemas de alerta, contenção de encostas, macrodrenagem ou defesa civil, mas pode reduzir parte da pressão sobre a cidade quando integrada a essas medidas.

Em junho de 2026, o Governo do Estado informou que os investimentos do Fundo Cidades em obras de adaptação climática somaram mais de R$ 748 milhões entre 2022 e 2025. Os recursos contemplaram drenagem, macrodrenagem, bacias de contenção, barragens, desassoreamento, encostas e reservação hídrica.

Esse investimento mostra que adaptação já está na agenda pública. A oportunidade é ampliar a participação de soluções distribuídas e baseadas na natureza, ao lado das grandes obras de engenharia.

O Espírito Santo não parte do zero

Plano Diretor de Águas Urbanas da Grande Vitória

O PDAU da Região Metropolitana da Grande Vitória oferece uma base técnica direta. O plano afirma que soluções baseadas na natureza podem maximizar a infiltração, diminuir o escoamento superficial, recuperar paisagens fluviais e criar áreas públicas de lazer e contemplação preparadas para conviver com a água.

O documento abrange Cariacica, Fundão, Guarapari, Serra, Viana, Vila Velha e Vitória. Portanto, a discussão não precisa começar com um conceito importado: já existe planejamento metropolitano propondo uma lógica semelhante.

Alegre aprovou uma lei de cidade-esponja

A Lei Municipal nº 3.934, publicada em julho de 2025, instituiu o Programa Cidade-Esponja em Alegre. A norma prevê infraestrutura verde para absorção, armazenamento, infiltração e tratamento da água da chuva.

A existência da lei é um avanço institucional, mas não comprova, por si só, que obras tenham sido executadas. O acompanhamento precisa verificar regulamentação, orçamento, projetos, cronogramas e manutenção.

Vila Velha integra arborização ao planejamento urbano

Durante a revisão do Plano Diretor Municipal, a Prefeitura de Vila Velha informou, em novembro de 2025, que o Plano Diretor de Arborização Urbana estava em fase de implantação. Entre os objetivos divulgados estão integrar arborização, infraestrutura e mobilidade, adequar espécies às condições locais e estabelecer critérios de manejo e expansão.

Árvores não substituem drenagem, mas canteiros amplos, solo permeável e arborização bem projetada podem contribuir para sombra, conforto térmico e retenção de água.

Vitória reconhece a função permeável dos jardins

A Prefeitura de Vitória informa que os jardins urbanos reduzem a impermeabilização do solo, humanizam o ambiente e valorizam os espaços públicos. A capital também mantém parques, áreas verdes e políticas de arborização que podem ser conectadas a projetos de drenagem descentralizada.

Para visualizar como áreas verdes já contribuem para a experiência urbana da capital, veja o guia de parques de Vitória e o roteiro sobre o que fazer em Vitória. Esses espaços mostram que infraestrutura ambiental também pode ser infraestrutura de lazer e turismo.

Projeto de cidade-esponja com jardim de chuva, árvores e calçada acessível no Espírito Santo
Uma aplicação capixaba deve combinar drenagem, arborização, acessibilidade, mobilidade e manutenção, em vez de apenas abrir áreas de terra no pavimento.

Sete projetos-piloto que cidades capixabas poderiam testar

Os locais exatos devem ser definidos por mapas de risco, dados de drenagem e consulta pública. Ainda assim, existem tipos de intervenção que podem ser testados em pequena escala antes de uma expansão municipal.

1. Pátios escolares permeáveis e sombreados

Escolas com grandes áreas cimentadas podem receber árvores, jardins de chuva, brinquedos sombreados e pisos drenantes. O projeto melhora o conforto térmico e transforma a própria escola em laboratório de educação climática.

2. Praças que armazenam água temporariamente

Praças podem possuir depressões ajardinadas capazes de reter água durante chuvas fortes e permanecer secas para lazer na maior parte do tempo. Bancos, caminhos e equipamentos precisam ficar fora das áreas de maior profundidade.

3. Estacionamentos públicos drenantes

Vagas de baixa rotatividade podem usar pavimento permeável e arborização. Corredores de circulação e áreas submetidas a cargas pesadas podem permanecer impermeáveis quando tecnicamente necessário.

4. Jardins de chuva em prédios públicos

Prefeituras, unidades de saúde, bibliotecas e centros culturais podem captar água de telhados e direcioná-la para jardins dimensionados. Por serem imóveis públicos, esses locais facilitam monitoramento e demonstração.

5. Corredores de sombra para quem caminha

Rotas entre terminais, escolas, unidades de saúde, centros históricos e atrações turísticas podem receber arborização contínua, canteiros maiores e pontos de descanso. A prioridade deve ser a sobrevivência das árvores e a acessibilidade da calçada.

6. Parques lineares em áreas de inundação mapeada

Onde houver espaço e viabilidade fundiária, margens de cursos d’água podem ser recuperadas para combinar vegetação, caminhos elevados e áreas de retenção. Projetos desse tipo exigem cuidado especial com moradia, reassentamento, saneamento e justiça social.

7. Cruzamentos e canteiros de biorretenção

Esquinas com espaço excedente podem receber extensões de calçada e jardins que captam parte da água da rua. O desenho deve preservar visibilidade, travessia acessível, manobra de ônibus e entrada de serviços de emergência.

Uma boa estratégia seria selecionar um bairro-piloto, medir a situação antes da obra e acompanhar por pelo menos dois ciclos de chuva e de seca. Sem dados anteriores, qualquer resultado positivo ou negativo ficará sujeito apenas à percepção.

Cidades mais verdes também podem melhorar o turismo

O benefício turístico não está em criar um jardim decorativo para fotografias. Está em tornar o destino mais caminhável, confortável e preparado para chuva.

Mais sombra nos roteiros urbanos

Centros históricos, orlas, praças e circuitos gastronômicos ficam mais agradáveis quando o visitante encontra sombra, bancos e travessias seguras. Isso amplia o tempo de permanência e favorece o comércio local.

Menos interrupções após chuvas fortes

Alagamentos podem bloquear acessos, prejudicar eventos, fechar estabelecimentos e afetar a imagem do destino. Soluções distribuídas não eliminam tempestades extremas, mas ajudam a reduzir o volume que chega simultaneamente aos pontos críticos.

Valorização dos bairros, não apenas dos cartões-postais

Parques lineares, ruas sombreadas e praças permeáveis podem criar novos percursos de lazer fora das áreas mais conhecidas. Isso distribui visitantes e estimula negócios de bairro.

Em Vitória, Vila Velha e Guarapari, a melhoria do espaço público pode reforçar experiências já procuradas por turistas. Consulte os guias de Vitória, Vila Velha histórica e Guarapari para entender como praças, orlas, parques e centros urbanos fazem parte do produto turístico capixaba.

Erros que as cidades devem evitar

Plantar árvores em aberturas minúsculas

Uma árvore precisa de volume de solo, água, espécie adequada e espaço para raízes e copa. Uma muda cercada por concreto pode morrer, deformar a calçada ou produzir pouca sombra.

Usar piso permeável sem manutenção

Sedimentos podem obstruir os poros do pavimento. O contrato da obra deve prever inspeção, limpeza, reposição de material e avaliação de desempenho.

Ignorar a acessibilidade

Canteiros e valas não podem estreitar a faixa livre da calçada, criar degraus ou impedir o uso por cadeiras de rodas. Uma cidade verde que exclui pessoas não é uma cidade melhor.

Transferir o problema para outro bairro

Fechar uma rua ou acelerar a água por outro caminho pode deslocar congestionamentos e alagamentos. O planejamento precisa considerar a bacia hidrográfica e a rede de mobilidade, não apenas o quarteirão da obra.

Usar espécies inadequadas

Espécies precisam ser compatíveis com clima, salinidade, largura da via, fiação, fauna e manutenção. A escolha deve ser técnica e favorecer diversidade, não uma monocultura ornamental.

Executar uma obra sem orçamento de conservação

Jardins de chuva acumulam resíduos, plantas precisam de manejo e estruturas de entrada podem entupir. Sem equipe e recursos permanentes, a intervenção perde desempenho.

Como saber se um projeto funcionou

Indicadores que deveriam ser publicados antes e depois das obras
Indicador O que revela Prazo de avaliação
Área desimpermeabilizada Quanto pavimento deixou de bloquear a água Conclusão da obra
Volume de chuva retido Capacidade hidráulica real do sistema Projeto e eventos de chuva
Tempo de escoamento Se a água chega mais lentamente à rede Durante chuvas comparáveis
Temperatura da superfície e do ar Efeito de sombra, vegetação e evapotranspiração Antes e após crescimento da vegetação
Sobrevivência das árvores Qualidade do plantio e da manutenção 6, 12 e 24 meses
Qualidade da água e sedimentos Capacidade de filtrar poluentes Monitoramento periódico
Uso por pedestres Se o espaço se tornou mais útil e convidativo Contagens antes e depois
Custo de manutenção Viabilidade de replicar o projeto Anual
Percepção de moradores e comerciantes Benefícios, conflitos e ajustes necessários Antes, durante e após a obra

Não basta divulgar quantidade de mudas plantadas. A cidade deve informar quantas sobreviveram, quanto solo permeável foi criado, qual volume de água pode ser armazenado e como a obra se comportou em eventos reais.

O que autoridades capixabas poderiam fazer agora

  1. Selecionar áreas-piloto com base em dados: cruzar mapas de alagamento, calor, mobilidade, equipamentos públicos e vulnerabilidade social.
  2. Integrar secretarias: drenagem, meio ambiente, mobilidade, obras, saúde, educação, turismo e defesa civil devem participar do mesmo projeto.
  3. Reservar verba de manutenção: a licitação precisa incluir conservação e indicadores de desempenho.
  4. Publicar os projetos: plantas, cálculos, custos, cronogramas e resultados devem estar disponíveis em linguagem compreensível.
  5. Ouvir usuários do espaço: moradores, comerciantes, estudantes, pessoas com deficiência e trabalhadores conhecem problemas que mapas não revelam.
  6. Usar prédios públicos como demonstração: escolas, parques, terminais e centros administrativos podem receber os primeiros projetos.
  7. Criar padrões municipais: novos loteamentos, estacionamentos e reformas públicas podem cumprir metas de permeabilidade, sombra e retenção.

O Estado também pode vincular parte do financiamento climático a projetos que combinem engenharia convencional e infraestrutura verde, exigindo monitoramento público. A comparação com Barcelona deve servir para acelerar a aplicação de instrumentos que o próprio Espírito Santo já possui.

Como moradores podem participar sem cair em soluções simplistas

A população pode enviar propostas em revisões de planos diretores, acompanhar audiências públicas, pedir dados de drenagem pela Lei de Acesso à Informação e registrar pontos de alagamento, falta de sombra e calçadas impermeabilizadas.

Também é possível solicitar plantio e manutenção de árvores pelos canais municipais, mas o pedido deve respeitar orientação técnica. Plantar por conta própria em calçada pública pode atingir tubulações, fiação, acessibilidade e visibilidade de trânsito.

Uma cobrança útil não é apenas “plantem mais árvores”. Pergunte:

  • qual será o volume de solo disponível para cada árvore;
  • quem fará irrigação e manutenção nos dois primeiros anos;
  • quanto da área permanecerá permeável;
  • como pessoas com deficiência circularão pelo local;
  • qual chuva de projeto foi considerada;
  • onde a água excedente será descarregada;
  • quais indicadores serão publicados.

Veredito: Barcelona mostra que ruas podem desempenhar mais funções do que apenas transportar carros. O Espírito Santo já possui planos, legislação e investimentos de adaptação suficientes para iniciar experiências próprias. O próximo passo não é copiar uma avenida europeia, mas criar projetos capixabas que combinem água, sombra, acessibilidade, mobilidade, turismo e manutenção.

Perguntas frequentes sobre cidades-esponja no Espírito Santo

O que é uma cidade-esponja?

É uma cidade planejada para absorver, armazenar, filtrar e liberar lentamente parte da água da chuva. Ela combina solo permeável, vegetação, reservação e drenagem convencional.

Cidade-esponja significa retirar todo o asfalto?

Não. O pavimento permanece onde é necessário. A retirada ocorre apenas em superfícies que podem ser substituídas sem prejudicar transporte, emergência, acessibilidade e serviços urbanos.

Jardins de chuva evitam qualquer enchente?

Não. Eles reduzem e atrasam parte do escoamento. Tempestades extremas ainda podem superar sua capacidade. Por isso, devem integrar um sistema com galerias, canais, reservatórios, alertas e planejamento territorial.

Barcelona realmente está gastando bilhões para remover asfalto?

Não foi localizada uma fonte oficial que comprove um orçamento único de bilhões destinado exclusivamente à retirada de asfalto. A cidade mantém vários programas de clima, biodiversidade, drenagem e transformação urbana.

O Espírito Santo já possui projetos de cidade-esponja?

O estado possui diretrizes de soluções baseadas na natureza no Plano Diretor de Águas Urbanas da Grande Vitória. Alegre aprovou uma lei municipal de cidade-esponja em 2025. A existência de planos e leis, porém, deve ser diferenciada da execução física de obras.

Árvores ajudam a evitar alagamentos?

Ajudam a interceptar chuva, melhorar o solo e reduzir parte do escoamento, especialmente quando estão em canteiros amplos e permeáveis. Sozinhas, não substituem uma política de drenagem.

Pavimento permeável funciona em qualquer rua?

Não. Tráfego, tipo de solo, nível do lençol, contaminação, declividade e manutenção precisam ser avaliados. Ele é frequentemente mais adequado a calçadas, estacionamentos e vias de baixa velocidade.

Qual cidade capixaba deveria começar?

Não existe uma única resposta. Municípios com áreas mapeadas de alagamento e instrumentos técnicos podem iniciar projetos-piloto. A escolha deve considerar vulnerabilidade social, propriedade pública, viabilidade hidráulica e capacidade de manutenção.

Como esse modelo beneficia o turismo?

Ruas mais sombreadas, praças confortáveis, parques conectados e menor interrupção por alagamentos tornam destinos urbanos mais agradáveis para caminhar e permanecer.

Quanto custa implantar uma cidade-esponja?

Não existe preço único. O custo depende da área, solo, drenagem existente, desapropriações, redes subterrâneas, vegetação e manutenção. Projetos-piloto permitem calcular custos locais antes de ampliar a política.

Fontes consultadas

Comunidade

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