O marlim-azul é oficialmente o peixe-símbolo do Espírito Santo desde 2015. A escolha não aconteceu apenas porque a espécie ocorre no litoral capixaba. O motivo central foi a relação histórica do Estado com a pesca oceânica, especialmente o recorde mundial de 636 kg obtido em águas capixabas em 1992 e a projeção internacional que esse feito trouxe para Vitória e Guarapari.
A Lei Estadual nº 10.426/2015 declarou o Makaira nigricans peixe-símbolo do Estado e criou o Dia Estadual do Marlim-Azul, celebrado em 28 de fevereiro. Hoje, porém, a história precisa ser contada junto com a conservação: a espécie está classificada como ameaçada no Brasil e sua captura é proibida pelas regras federais vigentes.
Ver o conteúdo deste guia
Por que o marlim-azul virou peixe-símbolo do Espírito Santo?
A resposta passa por três fatores: presença da espécie na costa, tradição da pesca oceânica e um recorde mundial que colocou o Espírito Santo no mapa internacional.
Vitória já era conhecida por competições de pesca oceânica e por registros importantes de peixes de bico. Em 1979, um marlim-branco de 82,5 kg capturado em águas capixabas estabeleceu outro recorde internacional. Treze anos depois, o marlim-azul de Paulo Roberto Amorim tornou essa ligação ainda mais forte.
O Governo do Espírito Santo passou a usar essa história como ativo turístico. Em 2015, o então Projeto de Lei nº 247/2015, apresentado pelo deputado Amaro Neto, avançou na Assembleia Legislativa e resultou na Lei nº 10.426.
A lei não declara o marlim como símbolo geral do Estado em substituição à bandeira, ao brasão ou a outros elementos oficiais. O termo correto é peixe-símbolo do Espírito Santo.
O recorde mundial de marlim-azul de 1992
Em 29 de fevereiro de 1992, Paulo Roberto Amorim capturou um marlim-azul de 1.402 libras e 2 onças, aproximadamente 636 kg. O registro foi homologado pela International Game Fish Association na categoria All-Tackle do marlim-azul do Atlântico.
Fontes internacionais de pesca esportiva continuam listando essa marca como o recorde All-Tackle do Atlântico. O Iate Clube do Espírito Santo também mantém a captura como um dos principais marcos de sua história.
Há uma diferença de referência geográfica entre fontes. A IGFA registra a captura como “Vitória, Brasil”, enquanto documentos oficiais de Guarapari associam o feito às águas do município. Para evitar uma falsa precisão, o mais correto é dizer que o recorde foi obtido em águas capixabas, na região oceânica entre Vitória e Guarapari.
O tamanho do peixe virou memória pública. Guarapari inaugurou em 1998 uma grande escultura do marlim na Praia do Morro, reforçando a conexão do recorde com a identidade turística da cidade.
Como é o marlim-azul?
O marlim-azul é um peixe oceânico da família Istiophoridae. Tem corpo hidrodinâmico, dorso azul-escuro, ventre claro e um prolongamento rígido na parte frontal da cabeça, conhecido popularmente como bico.
É uma espécie pelágica e altamente migratória. Vive no oceano aberto e percorre grandes distâncias, em vez de permanecer ligada a uma única praia ou baía.
| Característica | Informação |
|---|---|
| Nome científico | Makaira nigricans |
| Família | Istiophoridae, grupo dos peixes de bico |
| Ambiente | Oceânico e pelágico |
| Distribuição | Águas tropicais e temperadas do Atlântico; espécie altamente migratória |
| Tamanho | Pode ultrapassar 4 metros; bases biológicas registram comprimentos máximos próximos de 5 metros |
| Alimentação | Principalmente peixes, além de lulas e outros cefalópodes |
| Dimorfismo | As fêmeas atingem tamanhos muito maiores que os machos |
| Status global | Vulnerável na Lista Vermelha da IUCN |
| Status no Brasil | Em Perigo na lista nacional atualizada em 2022 |
O tamanho não deve ser confundido com a ideia de que exemplares gigantes sejam comuns. O peixe de 636 kg de 1992 é justamente célebre porque representou uma ocorrência excepcional.
Por que o litoral do Espírito Santo ficou associado ao marlim?
O Espírito Santo está em uma área do Atlântico Sul por onde circulam grandes espécies pelágicas. Estudos de pesca e de ocorrência de peixes de bico apontam concentração sazonal no Sudeste brasileiro, inclusive na região de Vitória.
Historicamente, os registros aumentam no período mais quente do ano. Essa sazonalidade ajudou a formar a tradição de torneios oceânicos no Estado e atraiu pescadores de outras regiões e países.
Isso não significa que o marlim-azul seja “um peixe de Guarapari” ou “um peixe de Vitória”. Trata-se de uma espécie migratória do Atlântico. A ligação capixaba é cultural, histórica e esportiva, construída a partir da frequência de registros e dos recordes obtidos na costa.
Qual foi o papel da pesca esportiva nessa história?
A pesca esportiva foi decisiva para a transformação do marlim em ícone capixaba. O Iate Clube do Espírito Santo promove torneios oceânicos há décadas, e os recordes de marlim-branco e marlim-azul fizeram o Estado ganhar projeção nesse segmento.
Nos anos seguintes, a cultura dos torneios mudou. A prática de captura e soltura passou a ganhar espaço, e projetos científicos passaram a trabalhar com pescadores para estudar crescimento, mortalidade e migração dos peixes de bico.
Mas existe uma diferença importante entre memória histórica e regra atual: documentos antigos da Setur ainda descrevem a pesca do marlim como atração turística. Em 2026, o Ministério da Pesca e Aquicultura informa que a captura do marlim-azul está proibida no Brasil pelas normas de proteção de espécies ameaçadas.
Preservação: qual é a situação do marlim-azul hoje?
A situação exige cuidado porque existem duas classificações diferentes, ambas relevantes.
No cenário global, a Lista Vermelha da IUCN classifica o Makaira nigricans como Vulnerável. No Brasil, a Portaria MMA nº 148/2022 mantém a espécie na categoria Em Perigo.
O Panorama da Pesca Amadora e Esportiva publicado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura em 2026 é explícito ao informar que a captura do marlim-azul está proibida pelas Portarias MMA nº 445/2014 e nº 148/2022.
As principais pressões sobre grandes peixes oceânicos incluem mortalidade associada à pesca, inclusive captura incidental em frotas que buscam outras espécies. Por ser um animal altamente migratório, sua conservação depende de medidas que ultrapassam as fronteiras de um único estado ou país.
O monumento do marlim-azul na Praia do Morro
Quem conhece Guarapari provavelmente já viu a escultura do marlim-azul na Praia do Morro. A Prefeitura informa que o monumento foi criado em 1998 pelo artista plástico Giuliano Filippi para homenagear o recorde de Paulo Amorim.
A obra possui cerca de 8 metros e foi produzida em fibra de vidro. Em 2020, a estátua foi declarada patrimônio cultural material e afetivo de Guarapari pela Lei Municipal nº 4.407.
Assim, o marlim existe em dois níveis de memória pública: é peixe-símbolo do Espírito Santo por lei estadual e virou também um símbolo afetivo de Guarapari por meio da escultura na Praia do Morro.
Veja também o guia de Guarapari e os pontos turísticos de Guarapari.
Linha do tempo do marlim-azul no Espírito Santo
| Ano | Marco |
|---|---|
| 1979 | Um marlim-branco de 82,5 kg capturado na costa capixaba estabelece recorde internacional. |
| 1992 | Paulo Roberto Amorim obtém o recorde All-Tackle do marlim-azul do Atlântico, com 636 kg. |
| 1998 | Guarapari inaugura a escultura do marlim-azul na Praia do Morro. |
| 2015 | A Lei Estadual nº 10.426 declara o marlim-azul peixe-símbolo do Espírito Santo e cria o dia estadual. |
| 2020 | A escultura da Praia do Morro é declarada patrimônio cultural material e afetivo de Guarapari. |
| 2022 | A lista nacional atualizada mantém Makaira nigricans como espécie Em Perigo. |
| 2026 | O Ministério da Pesca reafirma a proibição de captura da espécie, enquanto o ICES mantém viva a memória do recorde de 1992. |
O marlim-azul é o mesmo que peixe-espada?
Não. Nomes populares podem causar confusão. O marlim-azul pertence à família Istiophoridae e tem nome científico Makaira nigricans. O peixe conhecido internacionalmente como swordfish ou espadarte verdadeiro é Xiphias gladius, de outra família.
A própria legislação estadual de 2015 registra “espadarte-azul” como um dos nomes populares do marlim. Em um texto de biologia, porém, é mais claro usar “marlim-azul” e evitar tratar espécies diferentes como se fossem o mesmo peixe.
Perguntas frequentes
O marlim-azul é símbolo oficial do Espírito Santo?
Sim. Desde 2015, ele é oficialmente o peixe-símbolo do Estado do Espírito Santo.
Por que o marlim-azul foi escolhido?
Pela forte ligação do Espírito Santo com a pesca oceânica e, principalmente, pelo recorde mundial de 636 kg registrado em águas capixabas em 1992.
Quem capturou o marlim recordista?
Paulo Roberto Amorim, em 29 de fevereiro de 1992. A IGFA homologou a marca na categoria All-Tackle do marlim-azul do Atlântico.
O recorde ainda existe?
Fontes atuais do Iate Clube do Espírito Santo e publicações ligadas à IGFA continuam registrando os 1.402 lb e 2 oz, cerca de 636 kg, como recorde All-Tackle do Atlântico.
Qual é o Dia Estadual do Marlim-Azul?
28 de fevereiro, data instituída pela legislação estadual.
O marlim-azul pode ser pescado atualmente?
O Ministério da Pesca informa em publicação de 2026 que a captura da espécie está proibida pelas normas federais de proteção à fauna ameaçada.
Onde fica a estátua do marlim em Guarapari?
Na Praia do Morro. O monumento foi criado em 1998 para homenagear o recorde de 1992.
Qual o tamanho de um marlim-azul?
A espécie pode ultrapassar 4 metros. Bases biológicas registram comprimentos máximos próximos de 5 metros, mas exemplares desse porte são excepcionais.
Fontes consultadas: Setur — declaração do marlim-azul como peixe-símbolo, Iate Clube do Espírito Santo — marlim-azul e recorde, Ministério da Pesca e Aquicultura — Panorama da Pesca Amadora e Esportiva 2026, Portaria MMA nº 148/2022, FishBase — biologia e status global, Prefeitura de Guarapari — escultura do Marlim Azul e Lei Municipal nº 4.407/2020. Consulta realizada em agosto de 2026.






Comentários
Compartilhe sua experiência, dúvida ou dica. Os comentários são moderados para manter a conversa útil e segura.