Espírito Santo

Por que o marlim-azul se tornou símbolo do Espírito Santo?

Entenda como um recorde mundial, a pesca oceânica e a relação de Vitória e Guarapari com o mar transformaram o marlim-azul em peixe-símbolo do Estado.

Por · 7 de agosto de 2026 · 9 minutos

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O marlim-azul é oficialmente o peixe-símbolo do Espírito Santo desde 2015. A escolha não aconteceu apenas porque a espécie ocorre no litoral capixaba. O motivo central foi a relação histórica do Estado com a pesca oceânica, especialmente o recorde mundial de 636 kg obtido em águas capixabas em 1992 e a projeção internacional que esse feito trouxe para Vitória e Guarapari.

A Lei Estadual nº 10.426/2015 declarou o Makaira nigricans peixe-símbolo do Estado e criou o Dia Estadual do Marlim-Azul, celebrado em 28 de fevereiro. Hoje, porém, a história precisa ser contada junto com a conservação: a espécie está classificada como ameaçada no Brasil e sua captura é proibida pelas regras federais vigentes.

Escultura do marlim-azul na Praia do Morro em Guarapari
A escultura do marlim-azul na Praia do Morro mantém viva em Guarapari a memória do recorde de 1992.
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Por que o marlim-azul virou peixe-símbolo do Espírito Santo?

A resposta passa por três fatores: presença da espécie na costa, tradição da pesca oceânica e um recorde mundial que colocou o Espírito Santo no mapa internacional.

Vitória já era conhecida por competições de pesca oceânica e por registros importantes de peixes de bico. Em 1979, um marlim-branco de 82,5 kg capturado em águas capixabas estabeleceu outro recorde internacional. Treze anos depois, o marlim-azul de Paulo Roberto Amorim tornou essa ligação ainda mais forte.

O Governo do Espírito Santo passou a usar essa história como ativo turístico. Em 2015, o então Projeto de Lei nº 247/2015, apresentado pelo deputado Amaro Neto, avançou na Assembleia Legislativa e resultou na Lei nº 10.426.

A lei não declara o marlim como símbolo geral do Estado em substituição à bandeira, ao brasão ou a outros elementos oficiais. O termo correto é peixe-símbolo do Espírito Santo.

O recorde mundial de marlim-azul de 1992

Em 29 de fevereiro de 1992, Paulo Roberto Amorim capturou um marlim-azul de 1.402 libras e 2 onças, aproximadamente 636 kg. O registro foi homologado pela International Game Fish Association na categoria All-Tackle do marlim-azul do Atlântico.

Fontes internacionais de pesca esportiva continuam listando essa marca como o recorde All-Tackle do Atlântico. O Iate Clube do Espírito Santo também mantém a captura como um dos principais marcos de sua história.

Há uma diferença de referência geográfica entre fontes. A IGFA registra a captura como “Vitória, Brasil”, enquanto documentos oficiais de Guarapari associam o feito às águas do município. Para evitar uma falsa precisão, o mais correto é dizer que o recorde foi obtido em águas capixabas, na região oceânica entre Vitória e Guarapari.

O tamanho do peixe virou memória pública. Guarapari inaugurou em 1998 uma grande escultura do marlim na Praia do Morro, reforçando a conexão do recorde com a identidade turística da cidade.

Como é o marlim-azul?

O marlim-azul é um peixe oceânico da família Istiophoridae. Tem corpo hidrodinâmico, dorso azul-escuro, ventre claro e um prolongamento rígido na parte frontal da cabeça, conhecido popularmente como bico.

É uma espécie pelágica e altamente migratória. Vive no oceano aberto e percorre grandes distâncias, em vez de permanecer ligada a uma única praia ou baía.

Característica Informação
Nome científico Makaira nigricans
Família Istiophoridae, grupo dos peixes de bico
Ambiente Oceânico e pelágico
Distribuição Águas tropicais e temperadas do Atlântico; espécie altamente migratória
Tamanho Pode ultrapassar 4 metros; bases biológicas registram comprimentos máximos próximos de 5 metros
Alimentação Principalmente peixes, além de lulas e outros cefalópodes
Dimorfismo As fêmeas atingem tamanhos muito maiores que os machos
Status global Vulnerável na Lista Vermelha da IUCN
Status no Brasil Em Perigo na lista nacional atualizada em 2022

O tamanho não deve ser confundido com a ideia de que exemplares gigantes sejam comuns. O peixe de 636 kg de 1992 é justamente célebre porque representou uma ocorrência excepcional.

Por que o litoral do Espírito Santo ficou associado ao marlim?

O Espírito Santo está em uma área do Atlântico Sul por onde circulam grandes espécies pelágicas. Estudos de pesca e de ocorrência de peixes de bico apontam concentração sazonal no Sudeste brasileiro, inclusive na região de Vitória.

Historicamente, os registros aumentam no período mais quente do ano. Essa sazonalidade ajudou a formar a tradição de torneios oceânicos no Estado e atraiu pescadores de outras regiões e países.

Isso não significa que o marlim-azul seja “um peixe de Guarapari” ou “um peixe de Vitória”. Trata-se de uma espécie migratória do Atlântico. A ligação capixaba é cultural, histórica e esportiva, construída a partir da frequência de registros e dos recordes obtidos na costa.

Qual foi o papel da pesca esportiva nessa história?

A pesca esportiva foi decisiva para a transformação do marlim em ícone capixaba. O Iate Clube do Espírito Santo promove torneios oceânicos há décadas, e os recordes de marlim-branco e marlim-azul fizeram o Estado ganhar projeção nesse segmento.

Nos anos seguintes, a cultura dos torneios mudou. A prática de captura e soltura passou a ganhar espaço, e projetos científicos passaram a trabalhar com pescadores para estudar crescimento, mortalidade e migração dos peixes de bico.

Mas existe uma diferença importante entre memória histórica e regra atual: documentos antigos da Setur ainda descrevem a pesca do marlim como atração turística. Em 2026, o Ministério da Pesca e Aquicultura informa que a captura do marlim-azul está proibida no Brasil pelas normas de proteção de espécies ameaçadas.

Preservação: qual é a situação do marlim-azul hoje?

A situação exige cuidado porque existem duas classificações diferentes, ambas relevantes.

No cenário global, a Lista Vermelha da IUCN classifica o Makaira nigricans como Vulnerável. No Brasil, a Portaria MMA nº 148/2022 mantém a espécie na categoria Em Perigo.

O Panorama da Pesca Amadora e Esportiva publicado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura em 2026 é explícito ao informar que a captura do marlim-azul está proibida pelas Portarias MMA nº 445/2014 e nº 148/2022.

As principais pressões sobre grandes peixes oceânicos incluem mortalidade associada à pesca, inclusive captura incidental em frotas que buscam outras espécies. Por ser um animal altamente migratório, sua conservação depende de medidas que ultrapassam as fronteiras de um único estado ou país.

O monumento do marlim-azul na Praia do Morro

Quem conhece Guarapari provavelmente já viu a escultura do marlim-azul na Praia do Morro. A Prefeitura informa que o monumento foi criado em 1998 pelo artista plástico Giuliano Filippi para homenagear o recorde de Paulo Amorim.

A obra possui cerca de 8 metros e foi produzida em fibra de vidro. Em 2020, a estátua foi declarada patrimônio cultural material e afetivo de Guarapari pela Lei Municipal nº 4.407.

Assim, o marlim existe em dois níveis de memória pública: é peixe-símbolo do Espírito Santo por lei estadual e virou também um símbolo afetivo de Guarapari por meio da escultura na Praia do Morro.

Veja também o guia de Guarapari e os pontos turísticos de Guarapari.

Linha do tempo do marlim-azul no Espírito Santo

Ano Marco
1979 Um marlim-branco de 82,5 kg capturado na costa capixaba estabelece recorde internacional.
1992 Paulo Roberto Amorim obtém o recorde All-Tackle do marlim-azul do Atlântico, com 636 kg.
1998 Guarapari inaugura a escultura do marlim-azul na Praia do Morro.
2015 A Lei Estadual nº 10.426 declara o marlim-azul peixe-símbolo do Espírito Santo e cria o dia estadual.
2020 A escultura da Praia do Morro é declarada patrimônio cultural material e afetivo de Guarapari.
2022 A lista nacional atualizada mantém Makaira nigricans como espécie Em Perigo.
2026 O Ministério da Pesca reafirma a proibição de captura da espécie, enquanto o ICES mantém viva a memória do recorde de 1992.

O marlim-azul é o mesmo que peixe-espada?

Não. Nomes populares podem causar confusão. O marlim-azul pertence à família Istiophoridae e tem nome científico Makaira nigricans. O peixe conhecido internacionalmente como swordfish ou espadarte verdadeiro é Xiphias gladius, de outra família.

A própria legislação estadual de 2015 registra “espadarte-azul” como um dos nomes populares do marlim. Em um texto de biologia, porém, é mais claro usar “marlim-azul” e evitar tratar espécies diferentes como se fossem o mesmo peixe.

Perguntas frequentes

O marlim-azul é símbolo oficial do Espírito Santo?

Sim. Desde 2015, ele é oficialmente o peixe-símbolo do Estado do Espírito Santo.

Por que o marlim-azul foi escolhido?

Pela forte ligação do Espírito Santo com a pesca oceânica e, principalmente, pelo recorde mundial de 636 kg registrado em águas capixabas em 1992.

Quem capturou o marlim recordista?

Paulo Roberto Amorim, em 29 de fevereiro de 1992. A IGFA homologou a marca na categoria All-Tackle do marlim-azul do Atlântico.

O recorde ainda existe?

Fontes atuais do Iate Clube do Espírito Santo e publicações ligadas à IGFA continuam registrando os 1.402 lb e 2 oz, cerca de 636 kg, como recorde All-Tackle do Atlântico.

Qual é o Dia Estadual do Marlim-Azul?

28 de fevereiro, data instituída pela legislação estadual.

O marlim-azul pode ser pescado atualmente?

O Ministério da Pesca informa em publicação de 2026 que a captura da espécie está proibida pelas normas federais de proteção à fauna ameaçada.

Onde fica a estátua do marlim em Guarapari?

Na Praia do Morro. O monumento foi criado em 1998 para homenagear o recorde de 1992.

Qual o tamanho de um marlim-azul?

A espécie pode ultrapassar 4 metros. Bases biológicas registram comprimentos máximos próximos de 5 metros, mas exemplares desse porte são excepcionais.

Fontes consultadas: Setur — declaração do marlim-azul como peixe-símbolo, Iate Clube do Espírito Santo — marlim-azul e recorde, Ministério da Pesca e Aquicultura — Panorama da Pesca Amadora e Esportiva 2026, Portaria MMA nº 148/2022, FishBase — biologia e status global, Prefeitura de Guarapari — escultura do Marlim Azul e Lei Municipal nº 4.407/2020. Consulta realizada em agosto de 2026.

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