Os temporais no RS em julho de 2026 já provocaram danos em 43 municípios, deixaram moradores fora de casa, alagaram uma unidade hospitalar e causaram destelhamentos, quedas de árvores, interrupções de energia e bloqueios em estradas.

O Rio Grande do Sul permanece em atenção porque novas áreas de chuva intensa devem avançar pelo estado. O Instituto Nacional de Meteorologia, o Inmet, publicou um alerta vermelho para acumulado de chuva, enquanto outros avisos indicam risco de tempestades, granizo e ventos próximos de 100 km/h.

As informações desta matéria consideram os boletins disponíveis até a tarde desta segunda-feira, 20 de julho. Como o evento continua em andamento, o número de cidades e pessoas afetadas pode mudar.

Situação dos temporais no Rio Grande do Sul

  • Municípios com danos: 43;
  • Pessoas desalojadas: 19;
  • Maior acumulado em dois dias: 159,8 mm em Quaraí;
  • Maior rajada registrada: 97,9 km/h em Santa Vitória do Palmar;
  • Principais riscos: alagamentos, cheias, queda de árvores, destelhamentos e falta de energia;
  • Previsão: chuva intensa e tempestades ainda podem ocorrer até terça-feira (21).

Temporais no RS em julho de 2026 deixam danos em 43 cidades

O balanço divulgado pela Defesa Civil aponta que 43 cidades gaúchas registraram algum tipo de prejuízo provocado pela chuva, pelo granizo ou pelas rajadas de vento.

Ao menos 19 pessoas precisaram deixar suas residências. Os desalojados estavam distribuídos entre Alegrete, Santa Maria, Dona Francisca, São Borja, Cerro Branco e Vale do Sol.

Os danos incluem casas destelhadas, quedas de árvores e postes, interrupções no fornecimento de energia elétrica, estragos em escolas e unidades de saúde e bloqueios temporários de rodovias.

Em Santa Maria, foram contabilizados danos em 22 residências e duas escolas. O Hospital São Francisco também registrou alagamento durante a passagem da chuva.

Em Venâncio Aires, uma unidade de saúde foi destelhada. Escolas também tiveram estruturas atingidas em municípios como Marques de Souza, Taquara e São Pedro do Sul.

Quais cidades registraram mais chuva?

Os maiores acumulados informados pela Defesa Civil ajudam a explicar a quantidade de ocorrências. Em alguns pontos, o volume registrado em cerca de dois dias superou a média esperada para períodos muito mais longos.

Maiores acumulados registrados

  1. Quaraí: 159,8 mm;
  2. Santa Vitória do Palmar: 133,5 mm;
  3. Rosário do Sul: 125,8 mm;
  4. São Sepé: 124,2 mm;
  5. Alegrete: 113,6 mm;
  6. Caçapava do Sul: 107,3 mm;
  7. Jaguari: 105,8 mm;
  8. Santana do Livramento: 104,4 mm;
  9. Formigueiro: 96,2 mm;
  10. Jaguarão: 96,1 mm.

Os dados não significam que a chuva caiu com a mesma intensidade em todo o estado. Tempestades severas podem atingir áreas relativamente pequenas, provocando grandes danos em um município enquanto localidades próximas registram volumes menores.

Ventania derrubou árvores e afetou o fornecimento de energia

Além do grande volume de chuva, as rajadas de vento provocaram transtornos em diferentes regiões do Rio Grande do Sul.

Santa Vitória do Palmar registrou rajada de 97,9 km/h. Santa Maria e São José dos Ausentes tiveram ventos de aproximadamente 90 km/h, enquanto Bom Princípio registrou 88,5 km/h.

Também foram observadas rajadas acima de 80 km/h em Aceguá e Jaguarão. Ventos dessa intensidade podem derrubar árvores, postes, placas e coberturas que não estejam devidamente fixadas.

Em Barra do Quaraí, a queda de um cabo de alta tensão interrompeu temporariamente os serviços de energia, água e internet. Em Uruguaiana, postes derrubados afetaram o fornecimento para aproximadamente mil moradores.

Em Jaguarão, cerca de 200 imóveis ficaram sem energia após o vendaval atingir a rede elétrica.

Rodovias e pontes também foram afetadas

Os temporais causaram problemas em rodovias estaduais, federais e vias municipais. Árvores derrubadas bloquearam trechos em cidades como Gramado, Bagé, Forquetinha e Santiago.

Em Alegrete, a ponte sobre o Rio Capivari ficou submersa, causando a interdição da ERS-507, na altura do quilômetro 8.

Em Itaara, fios da rede elétrica atingiram a vegetação próxima à BR-158 e provocaram um incêndio às margens da rodovia.

Atenção para quem precisa viajar

Antes de pegar a estrada, consulte as condições das rodovias e os alertas municipais. Não atravesse pontes, ruas ou estradas cobertas pela água, mesmo quando o trecho parecer raso.

O que significa o alerta vermelho do Inmet?

O alerta vermelho representa o nível de maior severidade usado pelo Inmet. No aviso de acumulado de chuva, há possibilidade de volumes superiores a 60 milímetros por hora ou acima de 100 milímetros em um dia.

Nessas condições, aumenta o risco de grandes alagamentos, transbordamentos de rios e deslizamentos de encostas, especialmente em cidades com áreas vulneráveis ou solo já encharcado.

O alerta vermelho publicado para o Rio Grande do Sul é válido durante a terça-feira, 21 de julho, e abrange áreas da Região Metropolitana de Porto Alegre e das regiões Central, Noroeste, Nordeste, Sudoeste e Sudeste.

O mapa atualizado e a lista completa de municípios devem ser consultados diretamente no painel oficial de avisos meteorológicos do Inmet .

Alerta vermelho e alerta laranja são contraditórios?

Não necessariamente. A Defesa Civil do Rio Grande do Sul informou no domingo (19) que havia reclassificado de vermelho para laranja uma área com 36 municípios.

Depois disso, o Inmet publicou um novo aviso vermelho para acumulado de chuva durante a terça-feira. Os dois comunicados usam mapas, critérios, períodos e áreas de abrangência diferentes.

A reclassificação estadual indicou redução do risco em relação à previsão inicial para algumas localidades. No entanto, isso não eliminou a possibilidade de chuva extrema em outros pontos e em horários posteriores.

Entenda a diferença

Defesa Civil estadual: avalia o risco de impacto para a população e pode usar mapas próprios de atenção, alerta e emergência.

Inmet: emite avisos meteorológicos com níveis amarelo, laranja e vermelho de acordo com a intensidade prevista do fenômeno.

Previsão indica mais de 120 mm em áreas isoladas

Segundo o Centro de Monitoramento da Defesa Civil, a segunda-feira ainda apresenta condições para chuva intensa e volumosa em curto intervalo.

Os acumulados podem variar entre 40 e 100 milímetros, com pontos acima de 120 milímetros em áreas do Oeste, Centro e Vales.

Para terça-feira, a chuva mais intensa tende a se concentrar na metade norte do estado. Novamente, os volumes pontuais podem superar 120 milímetros, acompanhados por risco de tempestades severas isoladas.

Mesmo que a chuva diminua em determinado município, a água acumulada pode continuar elevando o nível de arroios, pequenos rios e cursos de resposta rápida.

O que está causando os temporais no Rio Grande do Sul?

O Inmet relaciona a instabilidade a uma combinação de sistemas atmosféricos. Uma área de baixa pressão atua sobre a Argentina, enquanto uma forte área de alta pressão permanece sobre o Oceano Atlântico.

A diferença de pressão intensifica o chamado Jato de Baixos Níveis, uma corrente de vento que transporta calor e umidade do interior da América do Sul em direção à Região Sul.

Esse transporte de umidade favorece a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, capazes de produzir chuva intensa, descargas elétricas, granizo e rajadas fortes.

Para entender a influência climática de longo prazo, consulte também o artigo sobre o El Niño e a chuva forte no Rio Grande do Sul .

O registro localizado no extremo sul do estado pode ser visto na matéria sobre o granizo em Santa Vitória do Palmar .

Outras regiões do Brasil também possuem avisos

Enquanto o Rio Grande do Sul enfrenta tempestades e chuva volumosa, outras partes do país apresentam condições meteorológicas diferentes.

A previsão do Inmet indicou chuva na faixa litorânea do Nordeste, com destaque para áreas próximas à divisa entre Alagoas e Pernambuco. No interior do Brasil, o tempo mais seco favorece índices baixos de umidade durante a tarde.

Esses avisos não são provocados necessariamente pelo mesmo sistema responsável pelos temporais gaúchos. Por isso, cada região deve acompanhar os boletins específicos do Inmet e das Defesas Civis estaduais.

Como se proteger durante chuva forte e tempestades?

  • Evite áreas alagadas, pontes submersas e locais próximos a rios;
  • não permaneça debaixo de árvores durante rajadas ou descargas elétricas;
  • não estacione veículos perto de árvores, postes ou placas;
  • retire aparelhos eletrônicos da tomada quando houver risco de descargas;
  • mantenha documentos, medicamentos e objetos importantes em local protegido;
  • acompanhe mensagens oficiais enviadas pela Defesa Civil;
  • em caso de emergência, ligue para a Defesa Civil pelo 199 ou para os Bombeiros pelo 193.

Moradores de áreas próximas a encostas, arroios e regiões historicamente atingidas por cheias devem manter atenção especial durante a noite, quando a percepção do risco e a saída de casa podem ser mais difíceis.

Situação ainda pode mudar

O balanço de 43 municípios representa a situação conhecida até a atualização da tarde de segunda-feira. Novas ocorrências ainda podem ser incluídas conforme as prefeituras enviem dados à Defesa Civil.

Da mesma forma, os alertas meteorológicos podem ser ampliados, reduzidos ou encerrados conforme a evolução das tempestades.

Por isso, moradores e viajantes devem consultar os mapas oficiais antes de tomar decisões. Os temporais no RS em julho de 2026 ainda apresentam risco de chuva extrema, granizo, ventania e elevação rápida de rios em diferentes partes do estado.

Fontes consultadas